PROGRAMA BÁSICO DE DOUTRINA UMBANDISTA

(PBDU)SESSÃO DE ESTUDO Nº 08

Fevereiro-2001

Novembro-2006

Março – 2007

Outubro - 2008

HIERARQUIA HUMANA PARA OS TRABALHOS PRÁTICOS DA UMBANDA.

Sacerdote: Oficialmente tem esse título; mas, no cotidiano é identificado como Chefe de Terreiro, Babalorixá, Pai de Santo, Zelador de Santo e outros.

Sacerdotisa: Oficialmente tem esse título; mas, no cotidiano é identificada como Chefe de Terreiro, Babá, Yalorixá, Mãe de Santo, Zeladora de Santo e outros.

Pai-Pequeno: No cotidiano, é chamado de “paizinho”.

Mãe-Pequena: No cotidiano, é chamada de “mãezinha”.

Ogã - de Canto, ou de Atabaque):

No cotidiano é chamado de “atabaqueiro” ou “tabaqueiro”. Alguns Templos suprimem essa função, utilizando apenas cantos e palmas ritmadas.

Porteira: É um dos Auxiliares direto do Chefe do Terreiro e do Guia Chefe Espiritual do Templo. Sua função é a de organizar as filas para as consultas com os Guias, administrar e dar encaminhamento das pessoas aos Guias disponíveis, e zelar pela ordem interna evitando abusos de tempo das consultas com os Guias.

Médium Desenvolvidos: São os Médiuns em condições de preparo e estudo antecipado, para que, através a incorporação dos Espíritos, e esses, na condição de Guias Trabalhadores da Umbanda, possam dar o aconselhamento necessário às pessoas que procuram um Templo para a solução de seus problemas espirituais.

Médium em Desenvolvimento: São as pessoas que ainda não possuem as condições adequadas para a incorporação de Guias, devido estarem em fase de aprendizado e desenvolvimento mediúnico.

Durante uma sessão de trabalho espiritual, desenvolvem as seguintes atividades:

a) Servem de intérprete para os Guias Incorporados, quando as pessoas que os consultam, não conseguem entender seu linguajar.

b) Auxiliam os Guias, atendendo-os em suas necessidades de materiais.

c) Auxiliam as pessoas da Assistência, em caso de manifestações violentas, as quais podem trazer prejuízo físico para a pessoa, circunstantes e Médium que a atende.

d) Zelam pela ordem.

Cambono - ou Auxiliares dos Guias: São as pessoas que auxiliam os Guias, após estes incorporarem em seus médiuns. Basicamente, executam as mesmas funções do Médium em Desenvolvimento.

Fiscal – ou, Assessor de Relações Públicas: Pessoa, a qual, delegada pelo Sacerdote, com conhecimento prévio da finalidade, fiscaliza o desenrolar das atividades do Templo, especialmente quando das sessões, e interferindo quando necessário, para que se evite condutas ou atos que possam acontecer, que venham a prejudicar a imagem do Templo e pessoas.

Observação: Ogã, Médium, Cambono e Fiscal, designam tanto o homem como a mulher, mudando apenas a preposição “a” ou “o” antes do substantivo.

APRESENTAÇÃO E CONSTITUICÃO BÁSICA DE UM TEMPLO:

Salão Cerimonial:

Local em espaço coberto e suficiente para abrigo de todo o Corpo Mediúnico de um Templo.

Altar, Pejí ou Congá:

Local onde ficam assentadas as imagens e as velas representativas dos Orixás ou Guias, podendo ser ornamentado de diversas formas, com flores, luzes, areia branca, água, pedras, .... e, a apresentação da construção pode ser do tipo mesa, prateleiras, em arco, em cores diversas, ...

Casa das Almas:

Localizado normalmente próximo ao portão de acesso ao Templo, lá ficam acesas (“firmadas”) velas para os espíritos de pessoas falecidas. É um local restrito, vibrado e sagrado, onde somente pessoas autorizadas pelo Sacerdote podem acessar.

Casa dos Exus, ou Tronqueira, destinada aos Espíritos Guardiães do Templo:

Localizado na parte externa ou interna do Templo, normalmente é um local restrito, de pouca iluminação e lá, estão assentadas as oferendas materiais para as Entidades Exus Protetoras do Templo. É um local restrito, vibrado e sagrado, onde somente pessoas autorizadas pelo Sacerdote podem acessar.

Salão para a Assistência:

É a parte destinada para a acomodação da assistência, ficando separada do Salão Cerimonial.

Quartos para a troca de vestimentas dos Médiuns.

São cômodos separados, identificados como masculino e feminino, para a guarda de roupas e objetos pessoais das pessoas compromissadas com o Templo.

Áreas reservadas:

São áreas como Cozinha e Suprimento, para a guarda e preparação de bebidas e comidas a serem oferecidas aos Guias; bem como sendo local para estoque e guarda de materiais diversos, como velas, pembas, copos, materiais de limpeza, toalhas, etc...

Instalações primárias:

São áreas de subsistência para conforto dos assíduos do Templo, como área de café, banheiros, lavatórios,

REQUISITOS BÁSICOS PARA A FORMAÇÃO E A CONTINUIDADE DE UM TEMPLO DE UMBANDA:

Sobre a fundação de um Templo:

Primeiro: Que haja a pré-disposição de pessoa ou grupo de pessoas para a fundação do Templo.

Segundo: Que a pessoa ou grupo de pessoas, fundadoras, possuam antecipadamente os conhecimentos necessários sobre a religião.

Terceiro: Que a pessoa ou grupo de pessoas, fundadoras, formem e mantenham permanentemente uma Hierarquia Espiritual (formada pelos Guias), e outra Hierarquia Material (formada pelos Dirigentes do Templo), na finalidade de manter em equilíbrio no interior do Templo, tanto a Liberdade de expressão das pessoas, quanto a Autoridade delegada.

Quarto: Que a pessoa ou grupo de pessoas, fundadoras, em decorrência do aumento de pessoas no quadro social do Templo, e de novos objetivos, incentivem a expansão de responsabilidades e atividades por parte de novos membros da comunidade do Templo.

Observação: A Liberdade e a Autoridade, dentro de um Templo, quando exercida nos padrões saudáveis da Disciplina, e na Lei e na Justiça, contribuem não só para o progresso geral, como também para a afirmação do propósito inicial da finalidade do Templo.

Sobre a parte de Comando Espiritual de um Templo:

Primeiro: Que a pessoa encarregada do comando da parte espiritual da finalidade, tenha como parceiro na empreitada, uma (ou mais) Entidade Espiritual, que esteja imbuída das Ordens e os Direitos de Trabalho de Umbanda e na qualidade de Guia Chefe Espiritual do Templo.

Segundo: Que as atividades espirituais do Templo, desenvolvam Médiuns para a prática da Caridade Pura.

Terceiro: Que as atividades espirituais do Templo, desenvolva a espiritualidade de seus frequentadores, e sempre através da FÉ RACIONAL, em virtude dos estudos doutrinários.

Quarto: Que as atividades espirituais do Templo, desenvolva em seus Médiuns e frequentadores, as boas qualidades no comportamento, tanto no interior do Templo, como fora deste, de forma que as suas ações praticadas, sejam a correta aplicação dos conhecimentos adquiridos pela Doutrinação Umbandista, as quais devem sempre retratar a conscientização das Virtudes.

Quinto: Que as atividades espirituais do Templo, desenvolva em seus Médiuns, respeitada a hierarquia constituída, a condição de fundarem outros Templos, bem como de dar a assistência necessária e, manter o intercâmbio.

Sexto: Que as atividades espirituais do Templo, não sofram solução de continuidade, ou indefinições aventureiras à prejuízo do Templo, pela ausência do Sacerdote titular, breve, por motivos outros, ou até em caso definitivo como por doenças graves ou falecimento, onde a hierarquia constituída deve, de antemão, formar outro Sacerdote para a  substituição, e assim sucessivamente. 

Sobre a parte de Comando Administrativo de um Templo:

Primeiro: Que a parte administrativa do Templo, cumpra sempre o determinado na Constituição do País (Leis). 

Segundo: Que a parte administrativa do Templo, faça e mantenha o devido Registro em Cartório, da Sociedade Religiosa ora fundada.

Terceiro: Que a parte administrativa do Templo, faça e mantenha a Filiação do Templo, junto à Órgão Administrativo da Religião professada e que atenda os anseios da Doutrina dos Fundadores, para que possa usufruir dos benefícios do intercâmbio com demais Templos filiados, participe de eventos coordenados, receba Assistência Jurídica e outros benefícios. Observações sobre esse item, sobre idoneidade dos vários órgãos existentes, seriedade, originalidade, é o dialogo complementar, pessoal, e à parte.

Quarto: Que a parte administrativa do Templo, desenvolva atividades nas seguintes áreas:

a) Ação Social que vise a boa manutenção do Templo.

b) Ação Social de Organização e Disciplina Interna.

c) Ação Social de Trabalho Assistencial para a população carente.

d) Ação Social voltada para os eventos das mais diversas ordens.

e) Centro de Pesquisas das Ações e Comunicações Espirituais, visando o aprendizado, o desenvolvimento, e a análise.

f) Centro de Estudos e de Divulgação, Seminários, Cursos, Palestras, ...

Observação: O Templo fundado, que não tenha como princípio as regras informadas acima, não poderá nunca, ser chamado de um Templo de Umbanda.

COMO SE PROCESSA O RITUAL (“GIRA”) DE UMA SESSÃO UMBANDISTA:

Observação: Os rituais variam de Templo para Templo. O ritual também é chamado de “Gira”.

Descreve-se à seguir, o ritual adotado no Templo de Umbanda Oxaláça.

Basicamente, a Umbanda é a manifestação dos espíritos pela possessão de pessoas, as quais são chamadas de “Médiuns”.

Todos os rituais de Abertura, Preparação, Incorporação, Desenvolvimento, Desincorporação e Encerramento, que é assistido em um dia de sessão, objetiva que as Entidades Espirituais possam incorporarem, trabalharem e desincorporarem  de seus Médiuns com a maior margem de segurança para os dois lados (Médium e Espírito).

Primeiro – Preparação antecipada do ambiente:

a) O Altar (Peji ou Congá), fica ornamentado com flôres e/ou vegetais e, nele estão assentadas (colocadas) as imagens (arquétipo) dos Orixás da Umbanda, os símbolos representativos dos Orixás (arquétipos), e as imagens de alguns Guias Espirituais de destaque do Templo.

b) No Altar, ficam acesas as velas, em suas respectivas cores, e representativas dos Orixás (arquétipos) correspondentes às 7 Linhas da Umbanda, os 7 Sentidos, e as 7 Essências da Natureza, sendo:

Branco = Oxalá  =  Fé  =  Cristal

Rosa = Oxum = Amor = Mineral

Verde = Oxóssi = Conhecimento = Vegetal

Marrom = Xangô = Justiça = Fogo

Vermelha = Ogum = Lei = Ar

Amarela = Obaluayê = Evolução = Terra

Azul = Yemanjá = Geração = Água

c) No chão, alinhada com a parte central do Altar e com a imagem de Jesus Cristo (Pai Oxalá), fica estendida uma toalha branca, para que o Corpo Mediúnico do Templo, antes do início da sessão,  cumpra o ritual de “bater cabeça”, ou seja, efetuar o pedido de licença para estar no local, cumprimentar as entidades espirituais, fazer os seus pedidos de proteção e outros. 

Segundo – Posicionamento do Corpo Mediúnico no Salão Cerimonial:

a) A posição do Sacerdote é de frente para o Altar.

b) A posição do Pai-Pequeno, é ao lado esquerdo do Sacerdote.

c) A posição da Mãe-Pequena, é do lado direito do Sacerdote.

d) Na lateral do lado esquerdo para quem olha o Altar, fica o Corpo Mediúnico Masculino, só que, voltado de frente para o Sacerdote.

e) Na lateral do lado direito para quem olha o altar, fica o Corpo Mediúnico feminino, só que, voltado de frente para o Sacerdote.

f) Na lateral do lado esquerdo para quem olha para o altar, ficam posicionados os Atabaques e Ogãs de Canto e Atabaque, só que, voltados de frente para a Assistência.

g) Os Médiuns masculinos e femininos, que ocupam as laterais do salão, formam alas, ficando ombro à ombro com os seus companheiros; e filas, ficando na frente apenas os Médiuns que recebem de imediato os seus Guias; e, nas filas de trás, ficam os Médiuns que necessitam de mais tempo para a incorporação; e, também os Auxiliares e Médiuns em desenvolvimento.

Observação:

Dependendo da quantidade de Médiuns, para que os que ficam atrás não se prejudiquem na observação dos rituais, a primeira fila é ocupada por pessoas de porte mais baixo que os que ficam atrás.

Terceiro – Vestimentas, Colares e Firmas:

a) Na prática dos rituais de Umbanda, está convencionado o uso de paramentos, que são as vestes litúrgicas. Esses paramentos são as Vestes e os Colares.

b) Vestes: O Médium deve se vestir de branco, pois esta cor simboliza a Paz e o Amor; retrata a vestimenta das pessoas de profissões que cuidam de seu semelhante (médicos, dentistas, enfermeiros, pesquisadores, ...). Jesus se vestia de branco. Visto mediunicamente que os Espíritos de Luz se vestem de branco.  

b1) Veste masculina:

Meias, cinto e calçado na cor branco. Calça e camisa na cor branco e folgadas. Não se deve ficar com os botões da camisa abertos, mostrando parte do peito. Toalha branca presa na cintura.

b2) Veste feminina:

Calçado na cor branco. Blusa na cor branco, detalhes à critério, desde que folgada e fechada para não expor parte do corpo. Saia na cor branca folgada; detalhes à critério, terminando aproximadamente um palmo acima do tornozelo para que evite enroscar no calçado e provocar queda. Por baixo da saia, deve-se usar uma calça também branca, para evitar expor parte do corpo. Toalha branca presa na cintura.

Observação: Deve-se evitar o uso de tecidos transparentes, colantes, ou muito rico, devendo ser sóbrios e práticos. Também, deve-se evitar o uso de tecidos sintéticos, os quais pegam fogo facilmente.

c) Colares: Também chamadas de “guias”. O objetivo do uso desses colares, são vários. Um deles é para que todas as energias negativas que são direcionadas ao Médium, possam ser descarregadas. Exemplo disso, são os “estouros” de colares que se verificam no dia a dia do Médium.

Outro objetivo, é servir como acumulador de força espiritual e, servir ao Médium de acordo com sua necessidade.

Outro ainda, o colar identifica o espírito ou a Linha, a qual o espírito diz pertencer. 

No geral, são materiais facilmente imantáveis, condutores de correntes magnéticas que neles ficam impregnados, e esse magnetismo está diretamente relacionado aos “Chakras” do portador.

Ajudam na invocação dos Guias, na concentração, na harmonia vibratória, captando e emitindo bons fluídos, formando estes, um círculo de vibrações positivas ao redor da pessoa que usa.

Observações:

c1) Os Médiuns Desenvolvidos, em princípio,  usam os colares confeccionados por eles mesmos e, de acordo com a orientação dos espíritos que os acompanham.

c2) Os Médiuns em Desenvolvimento, em princípio, usam colares na cor branco leitoso, o qual simbolizam os Espíritos Superiores ou serve de homenagem ao Guia Espiritual que ainda não se identificou; e também, na cor branco transparente (cristal), simbolizando o Pai Oxalá. 

c3) Em princípio, os colares devem ser confeccionados com materiais naturais, evitando os artificiais, em comprimento até o umbigo, e normalmente em pedras número 8 no seu diâmetro, podendo ser de pedras comuns ou preciosas, frutos, sementes, cipós, vidros, cristais, conchas e partes de animais, principalmente os marinhos.

c4) O Templo também pode ser representando por um tipo de colar e cores escolhidas.

c5) Os intercalamentos entre os cristais ou miçangas, quando o colar é montado em duas ou mais cores ou objetos, está convencionado para números ímpares: de 1 em 1, de 3 em 3, ou de 7 em 7.

d)Firmas:

São os acabamentos de fechamento que se fazem no colar, em formato igual a um tubo cilíndrico, e na mesma cor do colar.

A “Firma” somente deve ser colocada no colar do Médium, a partir do momento em que o Guia Trabalhador da Umbanda, que incorpora nesse Médium e, que é representado por esse colar, cuja orientação de confecção tenha partido desse Guia, já tenha se identificado e, já tenha adquirido a autorização do Guia Chefe Espiritual do Templo, para que possa dar atendimento à Assistência.

e) Cores para os Colares e Firmas:

Observação: As cores apresentadas abaixo, são as convencionadas pela maioria dos Umbandistas. Devido a influência de outras seitas e cultos, como o Candomblé, Umbandomblé e outros, as cores e representação se apresentam diferentes de acordo com a origem do conhecimento do Médium.

Caboclo/a de Oxalá   =       Cristal transparente branco.

Caboclo de Oxum = Cristal ou miçanga rosa-escuro.

Cabocla de Oxum = Cristal ou miçanga rosa-claro.

Caboclo de Oxóssi = Cristal ou miçanga verde-escuro.

Cabocla de Oxóssi  = Cristal ou miçanga verde-claro.

Caboclo de Xangô = Cristal ou miçanga marrom-escuro.

Cabocla de Xangô = Cristal ou miçanga marrom-claro.

Caboclo de Ogum = Cristal ou miçanga vermelho-escuro.

Cabocla de Ogum = Cristal ou miçanga vermelho-claro.

Caboclo de Obaluayê = Cristal ou miçanga amarelo-escuro.

Cabocla de Obaluayê = Cristal ou miçanga amarelo-claro.

Caboclo de Yemanjá  = Cristal ou miçanga azul-escuro.

Cabocla de Yemanjá  = Cristal ou miçanga azul-claro.

Erês  =  Convencionado o cristal ou miçangas cor de rosa, com detalhes infantis.

Pretos e Pretas Velhas   = Cristal ou miçangas pretas e brancas intercaladas;

rosário de contas (lágrimas de Nossa Senhora); crucifixo, ...

Baianos e Baianas  = Coquinhos; Olho-de-Cabra; e outros frutos do                                                                        Nordeste.

Boiadeiros e Boiadeiras   = Cristal ou miçanga alaranjada; tranças de couro.

Ciganos e Ciganas = Cristal ou miçanga dourada; metais preciosos.

Entidades à virem  = Miçanga branco leitoso.

Quarto - Invocação da proteção espiritual dos Exus Guardiões:

a) Com todo o Corpo Mediúnico no Salão Cerimonial, paramentados com suas vestes da ocasião, com as luzes apagadas, e todos de frente para o público assistente, os quais estão separados por cortina, ao comando do Sacerdote, e sustentado pelo Ogã Chefe, todas as pessoas que compõem o Corpo Mediúnico do Templo, entoam os cânticos de louvação aos Exus Guardiães do Templo.

b) Durante as louvações, o Sacerdote faz a oferta do material do agradecimento para os Guardiães (é o chamado “Padê de Exu”).

c) Após os cânticos e “Padê”, as cortinas são abertas para que a Assistência tenha a visão do Salão Cerimonial, Médiuns e Altar, quando então as luzes são acesas.

Quinto - Preparação para os Trabalhos Espirituais:

a) Sob o comando do Sacerdote e sustentados pelo Ogã Chefe, são entoados os toques de Atabaques e os Cânticos de proteção, “Fechamento do Templo” e afastamento das influências negativas espirituais externas, cânticos esses, que são entoados por todos do Corpo Medúnico.

b) O Sacerdote processa o “Cruzamento do Templo” e dos objetos consagrados aos trabalhos espirituais.

c) O Sacerdote processa a Energização Espiritual, no sentido de iniciar a formação da “Corrente Vibratória Ambiente”.

d) Todo o Corpo Mediúnico entoa o Cântico do Hino da Umbanda, com os Médiuns fazendo a mentalização para a atração de seus Guias Espirituais, e o Sacerdote fazendo a mentalização para a Atração da Individualidade Espiritual do tipo de trabalho espiritual a ser processado.

Sexto - Defumação do Ambiente:

a) O objetivo da defumação, a qual consiste na queima de ingredientes específicos (ervas, resinas, pós, grãos, ...), os quais são determinados pelo Guia Chefe Espiritual do Templo, sendo próprios para cada ocasião e finalidade.

b) Os ingredientes são queimados por sobre brasas incandescentes depositadas em um recipiente chamado de “turíbulo”.

c) O Sacerdote inicia o aspergimento da “fumaça aromatizada” pelo Altar, depois para o Pai Pequeno, Mãe Pequena, Atabaques e Ogãs de Canto e Atabaques e, durante esse processo, o Sacerdote efetua rezas próprias da ocasião.

d) Em sequência, o Sacerdote passa o turíbulo ao Pai Pequeno, para este processar o defumatório em todos os cantos do Salão Cerimonial, Médiuns, Salão da Assistência, Assistentes, e demais áreas do Templo.

Finalidades da defumação:

a) Eliminação de larvas astrais que se impregnam no ambiente do Templo, roupas dos Médiuns e principalmente dos Assistentes.

b) Complemento aos trabalhos dos Exus Guardiães do Templo, pois o cheiro característico da queima de ervas pela defumação, se transporta para o ambiente espiritual externo ao Templo, repelindo espíritos perturbadores e não os deixando se aproximarem.

c) Saturação do ambiente aéreo local, fazendo aparecer, com mais facilidade e identificação, aos olhos do Médium de Visão Espiritual, as possíveis larvas, miasmas, espectros e entidades espirituais das mais diversas ordens.

d) Odorização do ambiente, fazendo acontecer o cheiro característico de ervas queimadas, cumprindo um dos já consagrados rituais da Umbanda.

e) Atração espiritual das entidades, as quais se acercam do ambiente, atraídas pelo cheiro que identifica o tipo de trabalho.

f) Limpeza externa do Médium.

g) Auxilia o Médium em sua concentração mental para a atração de sua entidade espiritual (Guia).

Observação:  A defumação, enquanto se processa, é acompanhada de cânticos próprios, para a tornar mais efetiva em sua finalidade e, resumindo, sua finalidade é o da limpeza geral do ambiente e dos Médiuns.  

Sétimo - Cânticos em louvor à Religião de Umbanda, aos Orixás (Anjos) e, aos Guias da Umbanda:

a) Comandados pelo Sacerdote e, sustentados pelo Ogã Chefe, e entoados por todos do Corpo Mediúnico, processam-se cânticos ritmados com o som de atabaques e/ou palmas, para as finalidades de proteção e normalidade dos trabalhos do Templo.

Observação:

Os cânticos também são chamados de “pontos”. A origem do nome “ponto”, vem de tempos remotos, numa alusão à Costureira em tecido, pois cada ponto dado por ela (costura), ela vai, em sequência,  “amarrando” um tecido no outro, da mesma forma que no ritual de Umbanda, pois os cantos são em sequência, obedecendo finalidades: 

a1) fazer o ritual que propicia a atração dos Guias Espirituais correspondentes aos cânticos.

a2) fazer acontecer que o campo vibratório espiritual se preencha das vibrações correspondentes.

a3) fazer acontecer no mental do Médium os efeitos atrativos espirituais de seus Guias.

a4) fazer acontecer na Assistência, além de um prévio conhecimento, a familiarização com o ritual, pois todas as pessoas Umbandistas, invariavelmente passam pela Assistência antes de se tornarem Adeptas ou Médiuns da Religião.

Oitavo - Cânticos para as incorporações dos Guias em seus Médiuns:

Observação: Descreve-se à seguir, a ordem hierárquica da incorporação dos Guias em seus Médiuns, mostrando não só a disciplina interna do Templo, bem como a perfeita organização humana e espiritual:

a): Incorporação do Guia Chefe do Templo.

Observações: Para o Guia Chefe, canta-se o “ponto” correspondente e, as duas incorporações à seguir, somente acontecem após o Guia Chefe Espiritual do Templo proferir breve palestra espiritual.

b): Incorporação do Guia do Pai-Pequeno.

c): Incorporação do Guia da Mãe-Pequena.

Observações: Para os Guias do Pai Pequeno e da Mãe Pequena, cantam-se os “pontos” correspondentes e, as incorporações à seguir, somente acontecem após os Guias do Pai Pequeno e da Mãe Pequena “estarem em terra” (incorporados em seus Médiuns).

d): Incorporação dos Guias em geral de todos os Médiuns do Templo.

Observação: Para as incorporações dos Guias em geral, não se cantam “pontos” correspondentes, e sim, “pontos” de chamada geral.

Nono - Desenvolvimento mediúnico para os Médiuns em desenvolvimento:

a) Comandado pelo Guia Chefe Espiritual do Templo, os Médiuns em desenvolvimento se perfilam de frente para o Altar e, cânticos são entoados para as mais diversas entidades conhecidas, para que os Médiuns possam sentir a vibração e aproximação de seu Guia Espiritual, até, no tempo certo, vir a acontecer a incorporação.

b) Conforme já explicado, e dentro da máxima espiritual de que: “semelhante atrai semelhante”, orientado pelo Guia Chefe do Templo de Umbanda Oxaláça, para acontecer a incorporação mediúnica, não se adota as seguintes posturas:

b1) O Guia incorporado, ao auxiliar Médium em concentração, não deve colocar as mãos na cabeça desse Médium, pois tal prática, conforme explicado pelos Guias, em sendo vibratórias diferentes, em nada vai ajudar o Médium em sua concentração.

b2) Também, o Guia incorporado não deve colocar as mãos em nenhum lugar do corpo do Médium em concentração, pois tal prática, conforme explicado pelos Guias, em nada vai ajudar o Médium em sua concentração, mas sim, pode vir a gerar um pensamento de atitude inconveniente, principalmente se observados se Guia e Médium são de sexos diferentes.

b3) Mais ainda, em virtude das incompatibilidades, o Guia incorporado somente deve se acercar de Médium em desenvolvimento e procurar ajudar esse, desde que haja o consentimento desse Médium.

b4) Em nenhum momento, no Templo, é permitido que o Médium em Desenvolvimento seja “girado” como se fosse um pião, pois tal prática somente vem a tontear a pessoa, podendo cair, se machucar, bem como à pessoas em redor. Girar como um pião não traz nenhum resultado prático.

Observação: Os giros que a Entidade, às vezes e por poucas voltas, faz acontecer em pessoa que o consulta, dependendo o sentido do giro, tem a finalidade de “carregar” (giro no sentido horário) e, “descarregar” (giro no sentido anti-horário).

Décimo – Posicionamento dos Guias Incorporados, no Salão Cerimonial:

a) O Guia Chefe Espiritual do Templo, se posiciona no espaço defronte ao Altar.

b) Os Guias do Pai Pequeno e da Mãe Pequena, se posicionam nos seus respectivos lados, defronte ao

Altar e, sempre próximos do Guia Chefe.

c) Os Guias incorporados em Médiuns Femininos, se posicionam no lado reservado para as mulheres, não se misturando aos homens.

d) Os Guias incorporados em Médiuns Masculinos, se posicionam no lado reservado para os homens, não se misturando às mulheres.

Décimo Primeiro – Atendimento da Assistência:

Os Guias, ao atenderem o pessoal da Assistência, fazem acontecer os tipos de trabalhos já descritos no PBDU nº 05.

Décimo Segundo – Postura dos Cambonos (Auxiliares homens e mulheres):

a) Atendem os Guias incorporados, fornecendo os materiais pedidos, sendo que os de uso pessoal, os Médiuns devem trazer.

b) Se posicionam ao lado do Guia, para interpretar o que querem transmitir, quando a pessoa que está sendo atendida, não consegue entender.

c) Anotam e transmitem os recados passados pelos Guias.

d) O Cambono se posiciona ao lado da pessoa da Assistência, protegendo e amparando, se esta, junto ao Guia, vier a ter manifestação incontrolável e com isso, podendo vir a sofrer qualquer tipo de dano físico. Esse amparo se processa através do uso de toalha presa com as duas mãos e esticada, sendo que o que encosta na pessoa é apenas a toalha, evitando-se o contato das mãos no corpo da pessoa da Assistência, para não dar margem à comentários desairosos.

Décimo Terceiro – Postura do “Porteira”:

a) É o responsável pelo encaminhamento das pessoas da Assistência para o atendimento por parte dos Guias incorporados.

b) Encaminha Assistente mulher, para ser atendida por Guia incorporado em Médium feminino.

c) Encaminha Assistente homem, para ser atendido por Guia incorporado em Médium masculino.

d) Em casos excepcionais, onde a pessoa Assistente somente se aconselha com determinado Médium, permite que mulher converse com Guia masculino e, homem converse com Guia feminino.

e) Não deve deixar Guia desocupado sem atender Assistência. Em não havendo mais pessoa para consulta, deve avisar o Guia, para que este possa “subir” ou, cuidar somente de assuntos relevantes ao seu Médium.

f) Controla o tempo de atendimento do Guia para com Assistente, não deixando acontecer abusos de tempo, principalmente se houver fila de pessoas para serem atendidas por esse Guia.

g) Controla o acesso de todas as pessoas no Salão Cerimonial, não permitindo desordens e superlotação.

Décimo Quarto – Postura do Fiscal:

a) Zelar pela ordem interna, tanto na parte do Corpo Mediúnico, como junto à Assistência, sendo que o comportamento da comunicação deve se pautar sempre pelo Respeito para com todos.

a1) orientar Assistente, para a normalidade de comportamento, sem algazarras, conversas, ou atitudes fúteis.

a2) orientar Corpo Mediúnico, para que as atitudes e posturas sejam condizentes com a finalidade do Templo e Religião, não permitindo conversas fúteis, desatenção, ou acomodação.

b) Durante as sessões de trabalho, lembrar as pessoas do Corpo Mediúnico, sobre:

b1) necessidade constante de ficarem atentas sobre as necessidades materiais dos Guias,

b2) de se acercarem de Assistente ou de Médium em Desenvolvimento, evitando manifestações à prejuízo físico do próprio ou de outra pessoa.

c) Em virtude de que “semelhante atrai semelhante”, ou de animismo, ou de que nem todos os Espíritos que incorporam em seus Médiuns sejam de “fato e de direito” compromissados com a Umbanda, zelar para que:

c1) as comunicações do Espírito para com Assistente, aconteçam dentro do normal esperado, ou seja; com educação,  com proficiência e em tempo correto.

c2) o comportamento do Espírito incorporado, seja o normal esperado, sem desvirtuamentos da finalidade, sem toques físicos, sem bebedeiras, palavras de baixo calão, showzinhos, enrolação para aparecer, estremeliques, gritos histéricos, tempo excessivo de consulta, etc...

c3) não venha a aconteçer de Médium com segundas intenções, venha a utilizar de materiais de baixa magia, durante uma sessão.

c4) todos os casos acima, sejam de imediato levando ao conhecimento do Guia Chefe Espiritual do Templo.

d) proíba ser servido bebidas alcoólicas, principalmente para Médiuns cujos antecedentes isso não recomenda, e que a quantidade liberada de bebida alcoólica para todos os Guias e Médiuns, seja controlada, evitando o exagero e o consequente e possível embebedamento, para se evitar “showzinhos”.

d1) proíba e faça cumprir, que pessoas desavisadas, que à seu bel-prazer, ofereçam bebidas alcoólicas para Médiuns e Guias, durante a sessão de trabalho; ou, que também fiquem bebericando. Alertar sempre essas pessoas, que o local de se beber é em uma bodega, e não no Templo; e que, a finalidade do uso da bebida pelo Guia, não é a de embebedar o Médium ou circunstantes.

d2) proíba e faça cumprir que aconteçam exageros ou desperdícios dos materiais que são usados no Templo.

d3) proíba o tempo exagerado da consulta, principalmente sendo entre sexos opostos.

e1) Orientar Espírito incorporado, para que não fique ocupando desnecessariamente seu Médium, se nada houver para fazer e principalmente, desincorporando rapidamente, e logo quando do início dos cânticos de “subida dos Guias”, não precisando esperar para ser o último ou última para ir embora, pois é função do Guia Chefe Espiritual do Templo, mesmo não estando incorporado, em efetuar a “descarga final de limpeza”.

e2) não permitir que após a desincorporação, o médium vá fazer consultas e trabalhos com Guias de outros médiuns, salvo situação de perguntas à nível de Doutrina.

Décimo Quinto - Desincorporação dos Guias:

a) Após o atendimento da Assistência, nada mais havendo que justifique a presença de Guias Espirituais incorporados em seus Médiuns, o Guia Chefe Espiritual do Templo, determina ao Ogã Chefe, que entoe os toques de Atabaques e cânticos próprios para a desincorporação dos Guias.

b) Por ordem, os Guias desincorporam de forma organizada e, na seguinte ordem:

Primeiro: Desincorporam todos os Guias de todos os Médiuns Desenvolvidos, ficando no Salão Cerimonial, apenas o Guia Chefe e os Guias do Pai Pequeno e da Mãe Pequena.

Observação: Os Ogãs de Canto e Atabaques, e Curimbeiros, cantam 3 (três) “Pontos de Subida geral”, sendo suficiente para a desincorporação de todos os Guias dos Médiuns Desenvolvidos e em Desenvolvimento.

Após o canto dos 3 pontos, se algum Guia está ainda incorporado, os Ogãs nada mais cantam e tocam.

O Fiscal e o Porteira, se dirigem ao Guia e lhe faz a observação imediata da “subida”, informando-o que deve se apressar, pois está contrariando as normas do Templo, além da observação que será feita ao Médium, e do fato que será informado ao Guia Chefe Espiritual do Templo e posteriormente ao Sacerdote.   

Segundo: Desincorpora o Guia da Mãe Pequena. Observação: Canta-se apenas um “ponto de subida”.

Terceiro: Desincorpora o Guia do Pai Pequeno. Observação: Canta-se apenas um “ponto de subida”.

Quarto: Desincorpora o Guia do Sacerdote. Observação: Canta-se apenas um “ponto de subida”.

Décimo Sexto – Encerramento da Sessão ou, “fechamento da gira”:

a) Após a desincorporação do Sacerdote, o mesmo, o Pai Pequeno, a Mãe Pequena e todos os Médiuns voltam à posição original de seus respectivos lugares de quando foi iniciado a Sessão.

b) O Sacerdote faz a prece de agradecimento pela presença dos Guias, e se entoam os toques e cânticos de encerramento da Sessão ou “gira”.

c) Todas as pessoas envolvidas na “gira”, fazem a guarda de suas obrigações.

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