PROGRAMA BÁSICO DE DOUTRINA UMBANDISTA

(PBDU)

SESSÃO DE ESTUDO  nº 03

Revisão: Março - 2008

OS QUILOMBOS.

Na época da escravidão, os negros se rebelavam constantemente, e os que fugiam, se escondiam nas matas e organizavam-se em grupos, no sentido de sobrevivência. As aldeias, montadas pelos fugitivos, recebiam os nomes de Mocambos. Os agrupamentos de aldeias recebiam o nome de Quilombo.

O mais conhecido foi o Quilombo dos Palmares, pois foi o que mais tempo durou e que ocupou a maior área territorial, cerca de 400 km2 dos atuais estados de Pernambuco e Alagoas, e também o que resistiu mais bravamente aos ataques dos brancos.

O Quilombo de Palmares se organizou tal e qual um Estado Feudal Africano, com o seu Rei (Chefe Geral), sendo que cada aldeia também tinha um Rei (Chefe Local) e este organizava o seu exército e as fortificações de defesa, as quais eram tão bem elaboradas, que nas tentativas dos brancos em vencê-las, como as perdas em vidas humanas era muito grande, desistiam. Ficava ao Rei (Chefe Geral) as estratégias de guerra comum à todas as aldeias.

Os Quilombos, além de se constituírem de escravos fugidos, os quais eram reclamados pelos seus donos, pela demarcação e domínio de seu território, vinham a constituir Estados Independentes dentro do território brasileiro. Os portugueses dominadores consideravam os Quilombos seus maiores inimigos depois dos Holandeses, que nessa época tentavam estender seus domínios dentro do Brasil.

Os Quilombos se notabilizavam pela produção agrícola, não só por ser auto-suficiente, como também por ser meio de troca e negociação com os mascates e lavradores brancos com quem mantinham relações. 

O primeiro Rei do Quilombo dos Palmares foi Gangazumba, hábil estrategista de guerra, vencendo dezenas de tentativas dos brancos em dominar seu quilombo, com poucas perdas de vidas negras, ao contrário das perdas de vidas dos invasores portugueses. Sua fama chegou a fazer com que o Governador Aires de Souza e Castro, através um Tratado em 1.678, assinasse uma trégua. Esse Tratado veio a dividir o Quilombo, devido a política de alguns Reis Locais de aldeias, que entendiam que o Quilombo podia realmente vir a ser Estado Independente devido a força que possuíam em seus exércitos. Como conseqüência, Gangazumba morreu envenenado, e foi substituído pelo Rei Zumbi, que já era um líder respeitado, e que depois, veio a se tornar o grande herói de Palmares.

No reinado do Rei Zumbi, os holandeses fizeram duas tentativas de tomada do Quilombo, os portugueses fizeram quatorze,sendo ambos derrotados, e de forma humilhante. Mas, em 1.697, comandados pelo paulista Domingos Jorge Velho, e após três anos de lutas constantes, onde o Comandante Paulista usava táticas de guerrilha de destruição dos Mocambos, minando aos poucos as forças dos negros, a derrota do Quilombo acontece.

Domingos Jorge Velho dizima o Quilombo dos Palmares, massacrando velhos, mulheres, crianças, animais e tudo o que encontrava pela frente, inclusive destruindo tudo pelo fogo, onde os Mocambos chegaram a ser vistos por várias noites ardendo em chamas.

Após o massacre do Quilombo, o Rei Zumbi, que tinha conseguido escapar, organiza e mantém por quase dois anos, as lutas de guerrilhas até ser capturado e degolado. A lenda entretanto, afirma que o Rei Zumbi matou-se para não cair prisioneiro e sendo suas últimas palavras; “Antes morto que viver sem liberdade”!

QUILOMBO “CACHOEIRA DOS PRETOS”, EM SÃO PAULO, DIVISA COM MINAS GERAIS.

Saindo de São Paulo, indo até a cidade de Atibaia, seguindo para a cidade de Piracaia e, continuando até a cidade de Joanópolis e depois, seguindo por estrada de terra, em direção à Serra da Mantiqueira, vai-se até a cachoeira chamada de “Cachoeira dos Pretos”, um antigo reduto de quilombo, o qual também em época passada abrigou milhares de negros escravos fugidos, e que depois foram todos massacrados, tingindo de vermelho as águas das corredeiras da cachoeira.

Dizem que à noite, nos locais próximos à cachoeira, se ouvem os som dos vozerios, tambores, cantos, lamentos e gemidos de dor, provindos dos espíritos dos negros escravos ali massacrados.

DEMAIS CULTOS NO BRASIL, E QUE INTERAGIAM JUNTO AOS CULTOS AFROS.

1.- PAJELANÇA.

Na época do “achamento” do Brasil, ou Terra de Pindorama (Em 1.500, o verbo “descobrir” ainda não existia), encontrou o português dominador nas terras brasileiras, o indígena, que contava entre 03 a 05 milhões de habitantes. Eram aproximadamente 200 povos que falavam cerca de 180 línguas e dialetos e com costumes próprios e diferenciados.

UM POUCO DA HISTÓRIA DOS ÍNDIOS BRASILEIROS, DE 1.500 ATÉ O ANO 2.000:

No período colonial, os índios brasileiros sofriam pressões de dois lados. Uma, era dos colonos que queriam escravizá-los; e outra, eram dos missionários jesuítas que queriam catequizá-los.

- Em 1.532, um Decreto do Primeiro Governador Geral estabelecia a catequese como prioridade e exigia que fossem bem tratados; mas permitia o combate aos índios inimigos através de “guerras justas”.

- Em 1.758, o Marques de Pombal decretou-lhes liberdade e reconhecimento de seus bens.

- Em 1.831, decretou-se medidas protecionistas sobre os territórios índios; mas prosseguiram sem trégua as guerras de extermínio, escravização e exploração.

- Em 1.850, o Brasil foi dividido em Terras do Estado e Terras Particulares, onde nessa última, era necessário o título de propriedade; mas os índios, sem condições de legalizarem suas terras, foram enganados e expulsos de suas legítimas propriedades.

- Em 20.07.1910 foi criado o SPI - Serviço de Proteção ao Índio chefiado pelo então Coronel Cândido Mariano da Silva Rondon, de ascendência indígena, e muito foi feito pelos índios até 1.930. Depois, até 05.10.1967 somente aconteceram massacres, quando nesta data foi fundado pela Lei 5371 a Fundação Nacional do Índio – FUNAI.

- Em 1.973, foi promulgado o Estatuto do Índio.

- Em 06.1982, em Brasília, acontece o Primeiro Encontro das Lideranças Indígenas do Brasil e a eleição do Cacique Mário Juruna como Deputado Federal (PDT/RJ). A partir de então, a comunidade indígena brasileira assumiu postura mais ativa na defesa de seus interesses.

Observação: De acordo com o livro de Julio César Mellatti – “Quantos são os índios do Brasil?”, haviam de 3 a 5 milhões de índios no ano de 1500. De acordo com o censo IBGE, no ano de 2000 contava-se aproximadamente 300.000; e no ano de 2008 esse numero aumentou para aproximadamente 700.000.

DISTRIBUIÇÃO ATUAL DOS ÍNDIOS BRASILEIROS, IDENTIFICAÇÕES  E ÁREAS DE MORADIA:

Observação: Muitos grupos indígenas (ano 2000), ainda permanecem sem contato com a civilização; portanto, estão relacionados apenas os grupos conhecidos. Entende-se que no Norte e Nordeste (ano 2000), ainda existam uns sessenta grupos indígenas desconhecidos.

Nordeste Amazônico:

Tukano, Desano, Baniwa, Kuripaki, Wanano, Kubeo, Warekena, Tariano, Piratipuia, Tuyuka, Arapaço, Karapunã, Coevena, Baré, Canamari, Barasano, Bara-Tucano, Miriti-Tapuia, Maku.

Roroaima e Norte do Amazonas:

Makuxi, Wapixana, Ingaricó, Patamona, Makizi, Taurepang, Waimiri-Atroari, Yanomami, Piriutiti, Karafawyana, Yekuana, Baré, Wai-Wai.

Amapá e Norte do Pará:

Galibi, Galibi do Uaçá, Karipuna, Hixkaryana, Kaxuyana, Wai-Wai, Katuema, Xereu, Mawayana, Karafawyana, Wayana-Aparaí, Tyrió, Palikur, Waiãpi, Akurio.

Área do Solimões: Ticuna, Cambeba, Cocama, Matsés, Miranha, Uitoto, Karapanã, Mura, Issé.

Área do Javarí: Matsés, Marubo, Matis, Kalina do Rio Curuçá, Kanamari, Tsohom Djapá, Kulina, Korubo, índios do Quixito, índios do Igarapé são José, índios do Jandiatuba, índios do Jutaí.

Área do Juruá, Jataí e Purús: Kulina, Apurinã, Deni, Canamari, Katukina, Deni/Kulina, Paumari/Katukina, Paumari/Apurinã, Kanamanti, Katawixi, Juwara/Kanamanti, Zuruahã, Banawa, Paumari, Juma.

Sudeste do Pará: Kaiapó, Parakanã, Asuriní do Tocantins, Asurini do Xingu, Gavião, Araweté, Xipaia-Karuaia, Suruí, Tembé/Munduruku/Krejê, Arara, Juruna, Anambé, Tembé-Turiwara, Amanayé, Guaroni, índios isolados do Iriri.

Área do Maranhão: Guajajara, Guajajara/Guajá, Guajajara/Guarani, Guajajara/Gavião/Tabajara, Guajá, Canela, Krikati, Urubu-Kaapor/Guatá/Tembé.

Área do Nordeste: Atikum, Pankararu, Potiguara, Tremembé, Fulni-ô, Kiriri, Pankararé, Kaimbé, Carari-Xocó, Tapeba, Xucuru/Xucuru-Kariri, Xucuru-Kariri, Kambiwa, Pankararu-Geripancó, Wassu, Tuxá, Capinawá, Coropatí, Xocó, Tingui-Botó.

Área do Acre: Apurinã, Kaxinauá, Kaxinauá/Kulina, Katukina Pano/Kaxinawá, Kaxinawá/Kampa, Machineri/Jaminawá, Nuquini, Poyanawa, Kampa, Kulina, Kulina/Kaxinawá, Katukina Pano, Arara Shawanawa, Jaminawa, Jaminawa/Arara Shawanawa, Jaminawa, Jaminawa/Arara Shawanawa, Katukina Pano/Kamanawa/Iaunauá.

Área de Rondônia: Uru-Eu-Wau-Wau, Paka-Nova, Cinta-Larga, Suruí/Cinta-Larga, Zoró, Nambiquara, Kaxarari, Karitiana, Gavião Digut/Arara Karo, Macurap/Sakiriabar, Miqueleno, Karipuna/Karitiana, Tupari/Macurap/Canoê/Aripaku/Columbiara/Mequem/Aikanã/Ajurú/Aruá, Urupain/Uru-Eu-Wai-Wai/Tupi-Kawahib/igarapé Omerê, Arara do Aripuanã/Arara do Guariba.

Área do Oeste do Mato Grosso: Nambiquara, Rikbatsa, Pareci, Eneuenê-Nauê, Iranxi/Pareci, Kayabi, Apoaká, Myky, Rikbatsa/Apiaká, Umutina/Pareci/Nambiquara/Kayabi/Terena/Iranxe, Yakara-Wakta.

Área de Goiás/Sul do Maranhão: Karajá, Xerente, Krahô, Apinayé, Javaé, Tapirapé, Ava-Canoeiro, Guarani/Karajá, Xavante/Tapuia, Karajá/Javaé.

Área Leste: Xavante, Bororo, Bakairi, Xakriabá, Pataxó, Tupiniquim, Maxacali, Guarani, Krenak, Pataxó/Pataxó Hã-Hã-Hãe, Krenak/Pataxó.

Área do Mato Grosso do Sul: Guarani, Terena, Guató, Ofaié/Xavante, Kadiweu/Terena, Terena/Kinikinao.

Área Sul: Kaingang, Guarani, Kaingang/Guarani, Xokleng, Terena, Terena/Kaingang.

Área do Parque Indígena do Xingu: Kayabi, Kayapó Metuktire das áreas Jarina e Capoto, Kuikuro, Kamayurá, Kalapalo, Waurá, Yawalapiti, Txicão, Suyá, Mehinaku, Paraná, Juruna, Matipu-Nahukwá, Aweti, Trumai, Tapayuna, Aweti/Trumai/Txikão do posto indígena Leonardo.

Região de SP: Na periferia de São Paulo, índios de origem Potiguaras, Pancarurús e Guaranis, e a maioria só falam o português. Em São Vicente, Tupis, Tupiniquins e Guaranis. No Litoral Norte, Tamoios ou Tupinambás do Sul.

UM POUCO DA CULTURA DE ALGUNS POVOS INDÍGENAS BRASILEIROS:

Xavante: Vivem no Mato Grosso. Fazem a apologia da beleza e do vigor físico. Se pintam de vermelho e preto e usam um laço de algodão no pescoço. Na puberdade, os adolescente moram todos juntos bem como recebem instrução geral sobre a vida, família, organização, pesca, caça, plantação, rituais tribais, costumes, religião, ... O aprendizado é confirmado pela colocação de brincos, o que lhes dá o direito de serem vistos como adultos.

Guarani: Vivem em reservas no Mato Grosso do Sul, no Sul e Sudeste do Brasil, cada um com seu dialeto. A língua guarani é um dos idiomas oficiais do Paraguai. A maioria preserva as tradições. Sua agricultura foi a primeira a cultivar a erva-mate.

Tucano: Dividem-se em vários grupos e vivem no Amazonas. Cada grupo fala uma língua. Quando um tucano quer se casar ele escolhe a noiva em outro grupo, sendo isso uma forma de manter os grupos unidos e todos falando muitos idiomas. São exímios músicos de tambores e flautas.

Caiapó: Vivem em aldeias no Pará e no Mato Grosso e estão divididos em mais de dez grupos. Sua expressão maior fica por conta das pinturas que fazem em todo o corpo.

Ianomâmi: Formam uma das maiores nações indígenas do mundo. Falam quatro idiomas e estão divididos em cento e vinte grupos espalhados entre Roraima, Amazonas e Venezuela. Mudam constantemente de lugar. Moram em uma única (e enorme) casa. Quando um índio morre, o corpo sofre a cremação, os ossos são retirados, queimados, moídos e depois misturados com uma espécie de mingau de banana e todos comem um pouco, no sentido de absorver a sabedoria e mostrando afeição para o morto.

Cadiueu: Vivem no Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai. São os únicos índios brasileiros que andam a cavalo.

Carajá: Vivem no Pará, Mato Grosso e em Tocantins. Praticam a arte da ceramica, usando barro cinzento de rios misturado com raízes e flores.

Nambiquara: Vivem em Rondônia e no Mato Grosso. Na chuva cuidam das plantações, e na seca viajam para caçar.

Apinajé: Vivem em seu próprio território em Tocantins. Dividem-se em dois grupos. Um é o Kolti (vermelho). O outro é o Kolre (preto). Uma lenda diz que os Kolti são filhos do Sol e os Kolri são filhos da Lua. Somente se casam com quem é do grupo diferente e nunca entre os de mesmo grupo.

Boróro: Vivem no Mato Grosso. Costumes: Quando alguém morre, toda a aldeia participa da cerimônia em honra do morto, que pode durar até dois meses. O pedido de casamento quem faz é a índia. Ela leva uma refeição para o seu amado e se ele comer tudo é porque ele quer se casar. Como troca pela refeição, ele deve caçar um animal e dar para a família da moça. Se não quiser casar, devolve a refeição.

Camaiurá: Vivem no Mato Grosso, no Parque Indígena do Xingú. Especialidades no fabrico de arcos negros e flexas.

Mundurucu: Vivem no Pará, às margens do Rio Tapajós. Tem os mesmos costumes dos Apinajés.

DIVERSAS FORMAS DE DISPOSIÇÃO DA ALDEIA:

Circular: As casas formam um círculo em volta de uma praça central. Usuários: Índios do Brasil Central, como os Bororos e os Caiapós.

Em forma de “U”: A parte aberta do “U” fica voltada para o rio. Usuários: Xavantes.

Em fileiras: As casas ficam uma ao lado da outra. Usuários: Carajás e Mundurucus.

Como são construídas as casas das aldeias:

Todas são feitas quase do mesmo tamanho. Os materiais de construção são palha, cipó e madeira. Podem ser feitas no formato em redondo, retangular, pentagonal ou oval. Por dentro não possuem paredes e a porta é fechada apenas por uma esteira. Numa só casa podem morar uma ou mais famílias e cada uma tem o seu lugar para a fogueira e para as redes de dormir.

Os trabalhos indígenas:

Numa aldeia os índios não escolhem trabalho e todos aprendem o principal para a vida em grupo. Ao homem compete não deixar faltar comida, por isso ele caça, pesca, planta, faz armas, enfeites, peneiras, balaios e instrumentos musicais, Além disso, cuida das mulheres e dos velhos. Também, além de cuidar das crianças, se encarrega de ensinar a história e tradição do povo. As mulheres cuidam da organização e arrumação da aldeia, preparar roupas e cozinhar. Apanham frutos na mata, plantam e colhem alimentos na roça.

Fabricam enfeites e tintas para o corpo. Tecem redes, fazem cerâmica e carregam a bagagem da família.

Também apanham lenha e água. Cuidam das crianças e da seguinte forma: enquanto a criança não completa quatro anos de idade, a mãe não se separa dele de jeito nenhum, carregando-o para cima e para baixo nas costas, preso por uma tipóia. Á noite, enquanto os homens e crianças dormem, alimentam as fogueiras para que a casa fique sempre aquecida. A maioria dos trabalhos, as índias fazem em conjunto.

Cardápio indígena brasileiro:

Os derivados do milho, como a pipoca, a canjica, a farinha. A mandioca brava, onde após tirado o veneno, preparam beiju, farinha, mingau e bebidas. Mingau de banana ou de carne. Produtos da caça e da pesca sem desperdício. Certos insetos (mais energéticos que um bife de carne de vaca) como cupins e gafanhotos. Apanham frutas, sementes, castanhas, cocos, palmitos, no mato.

Língua indígena brasileira - são quase 200 idiomas diferentes.

O português encontrou aqui, em 1500, várias línguas indígenas, sendo predominante a falada em toda a costa, a qual se dá o nome de “brasílica”. Em 1553, com a chegada do jesuíta José de Anchieta, este começa a esboçar a gramática da língua, sendo publicada em 1595, em Portugal. A essa gramática de Anchieta, dá-se o nome de “Tupi Antigo”. A partir de 1650 recebe o nome de “Língua Geral”, e isso porque todos aqui no Brasil a falam, inclusive os portugueses. Em 1758, o Marques de Pombal a proíbe de aqui ser falada pelos portugueses. A partir de 1877, em vista da famosa “seca no Nordeste com a imigração em massa para a Amazônia, lá vem a se falar o “Nheengatú” (Língua Boa). Hoje, quase ninguém mais fala o Tupi Antigo, nem a Língua Geral, e sabe-se que no interior do Amazonas ainda se fala o Nheengatú.

Independente de época, muitas palavras de nossos índios integram hoje o nosso Dicionário.

UM TIPO DE RELIGIÃO - A PAJELANÇA OU XAMANISMO:

A Medicina dos Povos Nativos. Medicina, segundo a tradição nativa americana, é tudo aquilo que cura o corpo, a mente e o espírito. O grande representante da medicina junto aos índios americanos é o XAMÃ, e para os indígenas brasileiros é o PAJÉ. Entre os índios, tanto o Xamã como o Pajé são considerados mágicos, médico e vidente. O
Xamanismo ou a Pajelança, segundo os antropólogos, iniciou na Sibéria com os Povos Tugus, e começou a ser praticado há pelo menos 10.000 anos, e não é uma religião. Trata-se de uma filosofia que sofre variações de cultura para cultura, mas que tem como princípio a conexão com a dimensão espiritual.

A palavra Xamã vem do tungue “saman”, aparentado com o sanscrito “sramana” e com o Pali “samana”, que significa: “homem inspirado pelos espíritos”.

O princípio do Xamanismo ou Pajelança, vem de antigas culturas que acreditam que os espíritos controlam tudo, inclusive a saúde, e que o Xamã ou o Pajé, como elemento de ligação entre o nosso mundo e o espiritual, é o grande curador. O Xamã somente trabalha estando com o seu estado de consciência alterado em êxtase, o qual é chamado de “Estado de Consciência Xamânica”, e nesse estado realiza curas utilizando os poderes dos minerais, dos vegetais e dos animais. Em todas as situações, o Xamã se faz acompanhar de seu animal espiritual tutelar protetor, e com o qual desce aos Mundos Inferiores e Superiores, onde vai buscar os elementos necessários para as respostas das consultas ou curas solicitadas.

Na função de Xamã ou Pajé, cuidam da saúde de todos os índios da aldeia, aconselham seu povo e protegem a aldeia dos maus espíritos, devendo conhecer as ervas, plantas e raízes, e com elas preparar os remédios.

Para suas práticas de cura, o Xamã ou Pajé se utilizam de instrumentos como o tambor, o chocalho (maraca), o fumo, cantos e danças, e em suas cerimônias mágicas religiosas, reza, canta e dança para afastar a doença de seu paciente.

O Pajé tem o poder de falar com os espíritos da natureza e dos seus antepassados. Esses contatos espirituais se processam após o Pajé se induzir ao sonho ou à visão espiritual, por intermédio de técnicas só por ele conhecidas e a finalidade é dos espíritos o orientarem sobre como proceder para cada caso.

O Xamã ou Pajé também é o contador oficial das histórias de seu povo.

A formação de um Xamã ou Pajé não se dá por escolha aleatória entre os índios e sim recai naturalmente para o que apresentar o dom, e este recebe as instruções e iniciações do mais antigo, e nesta iniciação está incluso o conhecimento primeiro da pessoa, espírito e seus medos interiores, disciplina e disponibilidade para entrar em contato consigo mesmo e com o mundo espiritual, conhecimento do mundo espiritual e da natureza, “domínio” dos espíritos do fogo, da água, do ar, da terra, bem como dos espíritos de mortos, das matas, das florestas e de animais da terra, água e ar; mas, o conhecimento só pode ser adquirido através das experiências individuais do futuro Xamã ou Pajé. 

O Xamã ou Pajé, vive entre os índios, de certa forma, de um jeito especial. Pratica uma dieta alimentar rigorosa, come muita pimenta e pouco açúcar, e em alguns períodos é obrigado a se isolar em campos sagrados, fazer jejum, orar, e a praticar a abstinência sexual.

O Xamanismo ou a Pajelança prega que toda doença começa com a liberação de uma energia negativa que pode ser desde pensamentos até sentimentos como ódio, raiva ou inveja. Também, que se o corpo não é bem cuidado, isso traz doenças fatais, e que em todas as doenças há a participação de um espírito em que, se afastado, também a doença vai embora.

Existem poucas diferenças entre o que praticam os Xamãs e os Pajés Brasileiros. Os pontos comuns  entre ambas as culturas são os da revelação, visão e audição espiritual, sendo considerado Xamã ou Pajé, somente aquele que consegue entrar e sair dos estados alterados de consciência e trazendo os ensinamentos e curas para si e para os outros, com técnicas próprias e exclusivas, tendo à sua disposição espíritos, seres ou entidades, que quando chamados, o atendem prontamente.

O universalismo do Xamanismo ou da Pajelança: O Xamanismo e a Pajelança pregam o bem viver em harmonia com a Natureza, pois o homem não vive sem o ar, a terra, a água, o fogo, o vegetal e as vidas inferiores, portanto devendo estes elementos serem preservados.

Diferenças e pontos de encontro entre as culturas de Xamanismo e Pajelança:

Entre os índios Camaiurás não existem mulheres pajés, ao passo que entre os índios Guarabus, as mulheres são as pajés. Os cantos dos rituais Xamânicos dos índios Navajos do Novo México é idêntico aos cantos dos rituais de Pajelança dos índios Tupyguaras do Brasil; sendo que ambos lembram o som feito por animais. Os índios americanos usam o tambor, e os índios brasileiros usam mais a maraca (chacoalho), e ambos usam da arte da poesia cantada. Ambos usam a fumaça.

A lenda indígena brasileira sobre a Pajelança, contada por muitas tribos:

Observação 1: A lenda que é contada pelos índios, tem outro enfoque,quando comparada com a lenda de Sumé, tendo origem no Apóstlo Thomé. Veja as diferenças e pontos de encontro.

A lenda indígena: Em tempo idos (cerca de 2.000 anos atrás), nasceu um índio Tupynambá chamado “Sumé” ou “Uimé”, que recebeu muitos nomes. Um deles foi “Agnã” e, entre os Guaranis foi chamado de “Nadru-Mbaecuaá”. O Povo Tupynambá, era descendente do Povo Tubuguaçus e predominavam no Planalto Central Brasileiro e nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. O nascimento de Sumé tinha sido profetizado, como sendo “aquele que vinha ensinar todos os segredos”. À exemplo de Jesus (e tantos outros nas histórias das religiões), Sumé também nasceu de uma virgem. Sumé cresceu, se destacou em sabedoria, inteligência e foi o primeiro dos Pajés, e deixou ensinamentos sobre o amor, a beleza da vida e a comunhão com a natureza. Como os curadores das tribos usavam indiscriminadamente muitas plantas e até venenosas para suas curas, o que vinha até a matar o doente, Sumé ensinou o verdadeiro  conhecimento das ervas e raízes, ensinando sobre as que eram benéficas e as que eram venenosas, bem como instituiu a experimentação animal para quaisquer beberragem antes da administração ao doente. Sobre as coisas espirituais, mostrou a Constelação do Cruzeiro do Sul, dizendo que pela contemplação da cruz formada, de lá viria um poder enorme que os levariam à felicidade.

Observação 2: Isso explica o porque dos portugueses serem bem recebidos pelos índios brasileiros, inclusive sendo considerados como os “deuses profetizados por Sumé, que um dia os viriam buscar e levá-los para as estrelas da Constelação do Cruzeiro do Sul”, pois o símbolo na bandeira portuguesa era a Cruz de Malta., e estas bandeiras estavam ostentadas nos mastros dos navios, bem como os soldados carregavam flâmulas e as mesmas desenhadas em seus uniformes.

Sumé também ensinou os Pajés a usarem mais as forças da vontade e da mente, os maracás e os tambores, em suas lides espirituais, advindo daí a Pajelança dos índios brasileiros.

Observação 3: Conforme revelado por Alziro Zarur – o Fundador da Legião da Boa Vontade, Sumé – o Cristo Indígena, na Umbanda, recebe o nome de Caboclo Flecha Dourada.

Observação 4: Conforme outras revelações, Sumé teria sido o sumeriano Hércules, que, com toda a sua tribo, teria vindo da região da Suméria para Pindorama (hoje Brasil) há 4.000 anos atrás, entrando pela hoje conhecida região do Amazonas e vindo para São Paulo, se fixando em nosso litoral, interagindo com os selvículas , e passando à eles a sua cultura, que era muito mais adiantada.

Livros sobre Xamanismo: Carlos Castaneda (1925-1998), A Erva do Diabo; Alix de Montal, O Xamanismo, Martins Fontes; Jamie Sams, As Cartas do Caminho Sagrado, Editora Rocco; Noah Gordon, Xamã, Editora Rocco; Michael Harner, O Caminho do Xamã, Editora Cultrix.

O Xamanismo ou Pajelança, explicado através da Ciência Moderna:

Pela Antropologia:

O Antropólogo norte americano Michael Harner, 1.989, pesquisou a civilização dos índios Jívaros e Conibos, e pressupôs a existência em todo ser humano, de uma figura arquetípica que habita no mais profundo da nossa memória genética: “O Arquétipo do Xamã, o Curador Primordial”.

Por Carl Gustav Jung, discípulo de Freud – Psicologia Analítica – Movimento Transpessoal:

Esse mesmo “Arquétipo de Xamã – Curador Primordial”, já era de conhecimento de Jung, o qual chamou de ”Personalidade Maná” e, a atualização desse arquétipo, em termos de mobilizá-lo consciente, constitui peça principal no processo de auto-cura.

Seguindo com Harner, ele informa que de forma análoga ao que busca a moderna psicoterapia, a cura xamãnica também objetiva o estabelecimento de uma ponte entre o consciente e os conteúdos do inconsciente profundo.

Como surge o Xamã ou Pajé:

Acontece sempre após um chamado divino, por herança ou por aprendizado. Inicia-se com o candidato entrando num estado alterado de consciência, num coma profundo, no qual ele é levado para a morada dos antepassados. Nesse “sonho” sua cabeça é retirada de seu corpo, seus olhos lavados para que possa “ver”, seus membros são todos arrancados, e o resto de seu corpo é cortado em muitos pedaços e espalhados pelos quatro cantos do mundo. Esses pedaços são comidos pelos demônios de todas as doenças, sendo que isso vai lhe dar o direito de cura de todas as doenças. Ao final, seu corpo é refeito; porém sempre faltará um ossinho, que jamais vai ser encontrado, para dar ao Xamã ou Pajé sempre a lembrança de sua imperfeição e de sua humanidade. Desde o início, o Xamã ou Pajé se torna um misto de divino, de humano e de animal. Para as novas entradas nos estados alterados de consciência, o Xamã ou Pajé se utiliza de tambores, maracas, sendo isso o seu “cavalo”, pois é nos seus sons que o Xamã ou Pajé viaja para buscar as mensagens, fazer suas curas, conduzir ou ser conduzido por almas dos mortos, ou se aventurar em jornadas à mundos superiores e inferiores. Antes de acontecer a “viagem”, o Xamã ou Pajé pratica a dança ritual da ocasião para acontecer o “êxtase”. Após a viajem iniciada, o Xamã ou Pajé entra no “tunel” de ligação entre o consciente e inconsciente e vai para os mundos subterrâneos Xamânicos e lá, encontra o seu “animal tutelar e os animais auxiliares”, que são parte de sua personalidade e, vai em busca de seu objetivo, que é o seu “animal de poder”.

Os enfeites que os índios usam:

Pena, semente, palha, concha, madeira, dente, osso de bicho, .... Tudo vira enfeite pelas mãos dos índios. O índio aprende a fazer enfeites desde criança. Os índios não usam enfeites apenas por vaidade, pois cada enfeite tem um significado, podendo ser o grupo à que pertence, à que família, se é solteira ou casada. Existem as idades certas para tais tipos de enfeites, e alguns só podem ser usados por homens e outros só por mulheres. Outros só podem ser usados por Pajés e outros só por Chefes. Nos lutos, para expressar sua tristeza, os índios nada usam; e nas festas e cerimônias, usam todos os permitidos, sendo tradição os homens se enfeitarem mais que as mulheres e, no sentido de agradarem a elas.

As armas de um índio:

Desde criança o índio aprende a fazer suas armas e a treinar com elas. As mais usuais são o arco e a flecha. Há um modelo para caça, pesca, guerra e até de identificação. Só de se olhar uma flecha já se sabe a que grupo de índios ela pertence. Quando da caça de aves no intuito da retirada das penas, colocam uma bola de cera na ponta da flecha e a atiram, fazendo com que a ave caia sem dano nas penas. Costumam fabricar a zarabatana, que é um canudo de bambu, pelo qual os índios sopram pequenas setas envenenadas. Há ainda a borduna, uma espécie de cassetete, onde uma das pontas (a que fica presa pela mão) é fina, e a outra ponta é de volume maior, e em algumas essa ponta maior recebe o cravamento de dentes de bicho. Também nela, se fazem desenhos preferidos do povo que a fabricou.

Algumas palavras na língua Tupi:

Ereiupe = como vai;                  Abá = homem;              Cauim = bebida;           Cuia = Vaso ou tigela;

Curumim = criança;                  Kunhã = mulher;           Icocó = boneca;           Maracá = instrumento musical; Mairi = cidade;                        Moitará = troca;          Timbó = veneno;           Tuba = pai;      

Poranga = Bonita;                     Sy = mãe;                     Pá = sim (homem);        Eê = sim (mulher)

Ausub = amar;                         Abaúna = negro;           Anhangá = diabo;         Aíb = ruim;

Anga = alma;                            Nachê = não;                Uguy = sangue;             Poshi = feio/ruim;

Oka = casa;                              Uúba = flecha;                        Nambí = ouvido;           Pin = nariz;                 

Essá = olho;                             Juru = boca;                Na = preta;                  Tupã = Deus;

Abaré = padre;                         Kiriri~ = silêncio;        Kunhataî= menina;        Gûaîbi~= velha;

Apé = caminho;                        îara = senhor;              Abaúna = h. preto;       Aîuru-iuba = homem loiro; Ibirá = árvore;                         Puera = velha; A           nhangá = diabo;           Ibaka = céu;

Y = rio;                                    Iasitatá = estrela;       Ita = pedra;                 Beraba = brilhante;

Petyma = fumo;                        Koema = manhã;           Karuka = tarde;            Pytuna = noite;

Jurassi = boca dura;                Marakanã = pássaro;    Moia = cobra;              Mirí = pequena;

Ixé = eu;                                 Endé = tu;                    A’e = ele;                     Ore = nós;

Pee~ = vós;                              Moema = mentira;        Katú = bom;                 unhataí = menina;

Nhe’eng = falar;                       Ixé = eu;                      1 = oipé;                       2 = mocõe;

3 = moçapir;                            4 = oiocrilidik;                         Etá = muitos;                Tereiú = tchau.

Abá iocrilidyk moçapir pé-îoasaba = Caboclo Sete Encruzilhadas;

Alguns Jogos Indígenas:

Corrida de Toras: Praticados pelos Xavantes, Xerentes e Craôs nas festas mais importantes. Os corredores dividem-se em dois times. Cortam-se dois troncos de buriti no mesmo tamanho e peso. O objetivo do jogo é irem para um ponto bem distante do início do jogo, e em revezamento, carregarem essas toras, e depois carregam-nas de volta para o ponto de partida. Durante o percurso, apesar de ser feita na corrida, não existe a disputa de quem chega na frente. O que interessa é os dois times chegarem juntos, mostrando a união de todos.

Pião: O pião é invenção dos índios.

Mosca na cabaça: Amarra-se com uma corda uma cabaça e sai-se correndo pela aldeia, enquanto os demais índios tentam flechá-la.

Algumas Lendas indígenas:

Camaiurás:

No início existia apenas Mavotsinin. Quando quis uma esposa, foi até o rio, pegou a concha mais bonita e fez a mulher. Tiveram um filho homem e Mavutsinin foi embora com o filho. A mulher, de tristeza, voltou para o rio e voltou a ser concha. O filho de Mavutsinin cresceu, fez uma mulher para si, casou e teve muitos filhos. Os índios Camaiurás dizem ser netos do filho de Mavutsinin.

Apinajés:

Sobre o dilúvio, contam que uma cobra gigante saiu do fundo do mar e por onde ela passou nasceram os rios. Logo em seguida caiu o maior toró alagando tudo.

Carajás:

Contam que uma jovem chamada Curimatutu se apaixonou  pela mais linda estrela do céu, a Tainá-Hekã e um dia a estrela desceu para a Terra na forma de um velho de cabelos brancos. Curimatutu se recusou a casar com um velho, mas sua irmã mais nova, de nome Loiuá aceitou e tiveram um filho.

Depois Tainã tirou a pele de velho e ficou moço. Aí, a Curimatutu quis namorá-lo de novo e como castigo ela se transformou em uma coruja. Tainá ensinou o povo a plantar. Quando aprenderam, ele já tinha seis filhos. Aí ele pegou a Louiá e seus filhos e os levou para o céu. Tainá virou o planeta Venus e aparece como a estrela mais brilhante. Louiá e as crianças formam um grupo de estrelas chamado Plêiades, e esse grupo faz parte da Constelação do Touro, podendo ser vistos nos meses de (novembro a março).

Parecis:

Contam que Enorê (Deus ou Tupã) criou o primeiro casal humano do tronco de uma árvore caneleira, os quais tiveram dois filhos, Zaluiê e Kamikorê, e duas filhas, HôHôlaialô e Uhainariru. Enorê deu a Zaluiê o arco e a flecha, e a Kamikorê deu as plantas, animais e sementes.

Tupis do Leste:

Contam que um dia, Monãn, o Deus Criador, decidiu destruir o mundo. Botou fogo em tudo, e só poupou a vida de um único índio Tupi Maier-Monãn, que veio a povoar novamente a terra. Mais tarde, o Deus Criador mandou o dilúvio, matando todos os seres, com exceção de Tremenduaré e Arikuté, descendentes de Maier-Monãn, e desse casal procedem os Tupis.

Teogonia Indígena:

Os indígenas acreditam que existem três deuses superiores. O primeiro é o Sol (= Uhúbiatã), o criador de todas as coisas.  O segundo é a Lua (= Intinhi), a mãe criadora de todos os vegetais. O terceiro é o casal Perudá e Rudá - os deuses do amor, encarregados de fazer os índios reproduzirem.

Tupã, o Deus Supremo, criou todas as nações indígenas. Jaci (a Lua) e Guaraci (o Sol).
Tupã significa: “TUP” = pai; e “A” = espiritual.

Cerimônia fúnebre dos Tupinambás:

Os Tupiniquins, Tupinambás, e demais povos Tupi eram uma só família. Quando o chefe morria, lavavam o defunto com ervas, pintavam seu corpo, vestiam-no com os apetrechos de guerra, e embrulhavam o corpo em esteira. Depois, colocavam o corpo no centro da aldeia e em cima de uma tarimba, para ser velado, e acendiam quatro fogueiras. Em baixo da tarimba colocavam uma panela cheia de brasas, que queimava pó e ervas para defumar o corpo. O corpo era apresentado a Ini-Gua-Ta, o chefe da Lua Maior, e também ao Hen-U-U-Ti, o chefe da escuridão. Depois se rezava até o amanhecer. Aí, faziam procissão até a cova onde ia ser sepultado o corpo e dentro de uma forma de barro cozido. Após o sepultamento, cercavam a cova com varas. Ao lado ficavam os potes com águas de chuva, de rio e de nascente, e comidas para a viagem.

O Quarup:

É uma festa para homenagear os índios que já morreram. É feita uma vez por ano nas aldeias do Parque do Xingu. Dura três dias e três noites, e todos os preparativos, inclusive os convites, ficam por conta das famílias que vão celebrar seus mortos. Para alimentar todos os visitantes, os anfitriões às vezes passam o ano inteiro armazenando comida para a ocasião. Os homens pescam e secam milhares de peixes e as mulheres fazem pilhas de beijus e muito mingau. A festa consiste de colocarem em pé no centro da aldeia, três troncos de árvores pintados, representando eles os mortos a serem homenageados e, esses troncos são chamados de “Quarup”. Como forma de comemoração, os índios cantam, dançam e rezam. No último dia, entre os homens, é realizada uma competição, uma espécie de luta corporal chamada de “huka-huka”.

Uma lenda Camaiurá sobre a origem do Quarup, diz que, o Deus Mavotsinin, certa feita, quis ressuscitar os mortos de seu povo e para isso, usou troncos de madeira.

As danças: Para o índio, dançar é mais do que um passatempo. Dançam para comemorar vitórias, festejar colheitas, nascimento, morte, as cerimônias da aldeia e para ajudar nos trabalhos de cura, e cada povo tem um jeito diferente de dançar. Quando das danças e músicas, os índios batem palmas, arrastam os pés, dão gritos roucos, fortes ou agudos.

As danças dos Indígenas Suiás: Suas músicas e danças lembram os animais das matas.

As danças dos Indígenas Xavantes: São guerreiros e gostam de executar passos firmes, em que batem os pés com força no chão. Suas musicas tem inspiração nos sonhos.

Dança Xavante “Dadzarono: É dançada em festas importantes. Homens e mulheres dançam juntos ou separados. Formam uma roda e executam os passos da dança sem saírem do lugar. Cantam em uníssono um eterno Hê Hê Hê Ê Hê Há Há Hê Há Há, enquanto executam os passos, sendo que as mulheres de mão unidas e encostadas no peito repetem o movimento de dobrar o joelho e esticar as pernas jogando o corpo pra frente, e os homens, de pernas juntas, dobram os joelhos e colocam os pés para o lado. Essa sequência de repetição é constante ao som do cantar.

Danças dos Indígenas Tucanos: São pescadores e suas danças são de movimentos suaves.

Danças dos Índios do Xingu:

a)Dança do Uruá: Antes da colheita do pequi, fazem a dança do Uruá. Nela, dois índios tocam flautas de dois metros de comprimento, enquanto andam de casa em casa para purificar a aldeia. São seguidos por duas mulheres, que colocam a mão direita no ombro dos músicos e a esquerda na barriga.

b)Dança e música dos Indígenas Tche Name: São feitas depois das Festas das Pescarias.

Danças dos Indígenas Carajás:

Dança do Aruanã. Ela acontece na época das chuvas e serve para agradar aos espíritos dos bichos das matas. A coreografia é feita com os índios usando máscaras que representam os animais, como o tamanduá-bandeira, o boto, o pássaro caracará e alguns peixes.

Os materiais dos instrumentos musicais:

Cabaça e sementes: fabricam chacoalhos (maracas). Madeira e pele de animais; fabricam tambores. Bambu: fabricam clarinetas, flautas e apitos.

Principais particularidades dos indígenas:

Os índios entendem que rico não é quem possui bens, e sim quem tem saúde, sabedoria e principalmente generosidade. O índio não mente, discute ou briga com alguém do seu povo. O índio tem respeito pelo seu semelhante, cuida de suas crianças até que esta tenha a condição de adulto e portanto de sobreviver sozinha; cuida de todos os seus velhos, quando estes não podem mais subsistirem sozinhos, mesmos as crianças e velhos não sendo seus pais ou parentes. O índio tem respeito pela natureza e tira dela apenas o suficiente, respeitando o meio ambiente, não o alterando e nem o destruindo. O índio vive em harmonia com a natureza.

A Reserva Indígena Parque Nacional do Xingu:

Foi criado em 1.961 pelos irmãos Villas Bôas. Fica na divisa do Mato Grosso com o Pará, e é cortado pelo Rio Xingu e seus afluentes. A região é cheia de mata, animais e águas piscosas. Lá vivem animais raros como a onça pintada, a ariranha, a onça preta e o macaco uacari-branco. Lá, diversos povos indígenas constróem suas aldeias, caçam, pesca, e mantém seus costumes, vivendo em harmonia. Os próprios índios fazem a vigilância de suas terras, tomando equipamentos e expulsando os invasores que lá entram para caçar, pescar, extrair madeira, ouro, ...; sendo que a entrada só é autorizada pela FUNAI.

Alguns nomes de povos indígenas de outros países.

Estados Unidos e Canadá:

Navajos, Cheyennes, Apaches, Arapahos, Oglala Dakotas, Sioux Brulé, Senecas, Kiowas, Comanches, Shawnnes, Tainos, Arawak, Aravaipa, Sauk, Fox, Winnebago, Lakota, Cayuse, Walla Walla, Uamtilla, Néz Percé, Yakima, Wintu, Wabanakis, Dwamish, Naudowessy, Pillager, Ojibway, Santee-Yanktonai, Kwakiuttl, Gaspesian (Micmac), Huron, Pawnee, Pés-Pretos, Sokulk, Powhatan, Delaware, Creek, Mojave, Ottawan, Chippewa, Cayuga, Moravian, Hopi, Yuma, Potawatomi, Choctaw, Sauk, Crow, Arickaree, Pequot, Narragansett, Mohawk, Pokanoket, Coast Salish, Squamish,

México: Chichimecos, Toltecos, Astecos.

América Central: Maias.

Nos Pampas: Abipões, Araucanos, Patagões,

Na Patagônia: Fueguianos,

Região de Nova Granada: Chibchas ou Muiscas no norte; Peruvianos ao sul nas margens do lago Titicaca.

Região de Cuzco: Incas.

(O curso segue com a Apostila PBDU nª 04)

..................................................................................................

..................................................................................................

© 2014 TEMPLO DE UMBANDA O.XALÁ.ÇA
Designer by Vmaster TI
Atendimento ás sextas-feiras com inicio ás 21:30 horas | E-mail: oxalaca@yahoo.com.br
R. Joana Avancini do Prado, 157 - Jd. Lallo - São Paulo/SP - CEP 04812-210 - Próx. Estação da CPTM Autódromo Interlagos