HISTÓRIAS QUE NÃO CONTAM - Volume II

História da fundação da Umbanda,

Espírito Caboclo 7 Encruzilhadas,

Médium Zélio Fernandino de Moraes, 

Padre Gabriel Malagrida,

Grão Mestre Jacques de Molay,

Apóstolo Thomé e,

Legitimidade Crística.

A macumba travestida de Umbanda, não tem como defender o que não tem, e deturpando a Originalidade, é supersticiosa, primitiva, fetichista e ilusória, idem seus deturpadores, e se declara contrária às verdades das ciências, lógica, razão, e principalmente da Espiritualidade. Portanto, perde com facilidade o que nunca teve, se confrontada com qualquer trabalho erudito, já que é impossível o Real ser contrário à Verdade.

Devido a inexistência de órgão atuante central administrador e difusor de Doutrina com origem no Caboclo Sete Encruzilhadas, a Umbanda se tornou terra de ninguém, e isso possibilitou que aventureiros estabelecessem colônias alienígenas próprias dos seus interesses, e como resultado, a Umbanda Primeira está quase extinta, e seu lugar usurpado pela macumba.

Esse livro pretende separar o joio do trigo, pois quem cultua Umbanda sem consciência de Sua Majestade e Aval Divino, não obtém e nem distribui mais do que um cadáver de fruto seco que a imaginação lhe apresenta como um fruto saboroso. 

Sérvio Guidotti

Edição Abril 2008

Primeiro Prefácio.

Desde há muito, o verdadeiro médium Umbandista ressente-se de verdadeiras informações.

O verdadeiro médium Umbandista carrega em si, não só a curiosidade latente, mas também, a necessidade de aprender mais e mais sobre a verdade do que está relacionado com o que pratica. E isso, porque o meio literário disponível, pouco ou nada trás nesse aspecto. Ou as “obras” descambam para o fetichismo, magismo, mentiras, ignorantismos, ou para os “contos”, onde cada escritor retrata a “sua” verdade, e não mencionam a causa primeira da existência da Religião de Umbanda, bem como os aspectos de vida de seus fundadores, e as reais diretrizes estabelecidas para a Religião. Elimino de meus comentários, os contos espíritas, cujos conteúdos retratam lições de vida e que enaltecem o Amor, pois isso vai de encontro à única Doutrina deixada por Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”!

Tudo o que fala de convivência e lições baseadas no Amor, tem o meu irrestrito apoio e juntar de forças nesse sentido. Muitos já me disseram que eu sou “amargo” nessas questões de relacionamentos e que não sou tolerante com “irmãos” que vivem atolados em suas ignorâncias por indolência ou comodismo. Ora, sou um Umbandista. Carrego em mim, tendências de comportamento, que fazem parte de minha personalidade. Sou ainda, “produto educado” nos meus meios de convivência. E, essa “educação”, vista com a lógica dos fatos, me diz o seguinte: - “porque nós Umbandistas de Fato e de Direito, temos de aceitar sem melindres, as atitudes e as informações com origem em macumbeiros; e estes não podem aceitar sem melindres, as atitudes e as informações com origem em Umbandistas”?

Para quem se questiona, que analisa, junta o que vê ao redor, filosofa sobre tudo, faz tese, confronta com a anti-tese, e depois encontra a síntese, ao analisar as causas do surgimento da Umbanda e seus propósitos, e depois faz comparação com o que hoje está instalado no meio, querem que eu seja o quê? O que é ser Umbandista, já que a sua Direita orienta e sua Esquerda cobra? Não há opção. É necessário ser os dois. Não pode haver cobrança sem anteriormente ter havido orientação correta.

Ser dócil e usar do Amor me torna a sua Direita; e dessa forma, entendo que me atolarei junto aos demais Umbandistas calmos e pacientes, que, por índole, pouco ou nada fazem pela sua Religião.

As palavras lindas da docilidade, fraternidade, Amor, ... e as tantas outras virtudes, entendo que somente conduzem o Umbandista da Direita para a sua Cruz de suplício; e, à exemplo do Mestre Jesus que, como a própria história prova, outros tiveram de sofrer horrores para incutir uma idéia (ou Religião) idealizada, ficando ainda incumbido à outros e de poder temporal, a tarefa de consolidar a idéia Cristã.

Essa forma de Amor, por melhor espiritualmente que seja, na minha opinião, visa convencer por sentimentos; o que não é o meu forte, já que a minha lógica me diz que o ignorante em conhecimentos se mostra apegado às superstições, e isso porque é possuidor de um espírito inferior; e, um espírito inferior é rico em animalidade e instinto; e nunca rico em sentimentos; e muito menos ainda, que esteja munido de Lógica, Racionalidade e Espiritualidade. Portanto, alcançar o intelecto de um inferior pela emoção dos sentimentos, e entre eles o Amor, entendo que a tarefa é árdua; acho até, que é impossível.

Ser um Umbandista atuante e sem compactuar com a atual macumbaria que se travesti de Umbanda, é ser real com a realidade atual das “umbandas” que eu vejo ser praticada e que não se baseiam em algo ou alguém divino, e sim, sendo apenas o retrato de seu dirigente, quer seja o material (pai ou mãe de santo), ou o espiritual (o guia chefe do terreiro). Eu procuro ser um Umbandista, idem ao jeito de ser da Esquerda – um cobrador de atitudes.

Com os meus escritos, aulas, palestras, livros, e outras formas de comunicação, eu pergunto para cada um com quem eu tenha contato, e sempre pela verdade dos fatos, mesmo sendo relativo para a atual condição em que vivemos, se cada um realmente sabe o que é a Umbanda em sua essência original e primária, e nos moldes de seus fundadores. Com isso, eu entendo que é melhor para cada um que se diz Umbandista, que se desprenda das ilusões compradas dos mercadores da religião; e não, de rejeitar o que o próprio instinto, diante de realidade, diz para aceitar, pois contra fatos não há contestação.

Meu intuito, ao trazer a História da Fundação da Umbanda e a Biografia de Gabriel Malagrida, satisfaz a minha ânsia de saber mais sobre a Religião, e sobre essa figura misteriosa e desconhecida para a totalidade dos que se dizem Umbandistas; pois isso me faz perguntar: “Se é impossível ser cristão sem conhecer Jesus, como é possível alguém dizer ser Umbandista sem conhecer as figuras dos Fundadores?

É possível ser Umbandista sem conhecer Zélio Fernandino de Moraes, o médium que incorporou o Caboclo Sete Encruzilhadas, e este, fundou a Religião de Umbanda?

É possível ser Umbandista sem conhecer o espírito Caboclo Sete Encruzilhadas, que disse ser em sua última vida na carne, um índio brasileiro, e antes dessa, um padre?

É possível ser Umbandista sem conhecer quem foi o homem – Padre Jesuíta Gabriel Malagrida, a penúltima vida como encarnado, do Espírito Fundador da Religião de Umbanda?

É possível ser Umbandista sem o conhecimento dos fortes aspectos espirituais que a envolvem? Muitos dizem que Platão, Buda e Jesus, seriam as reencarnações de um mesmo espírito; e todos tiveram o mesmo propósito: “educação”.

Em mesma linha, também dizem que o Caboclo Sumé, mais conhecido na Umbanda como Caboclo Flecha Dourada, também foi uma reencarnação de Jesus em terras brasileiras. Só que, muitos ainda dizem que o Caboclo Sumé seria o mesmo espírito que se identificou como o Caboclo Sete Encruzilhadas, e este fundou a Umbanda. Em isto sendo possível, que o Caboclo Sete Encruzilhadas tenha sido uma manifestação do espírito (mais conhecido) de Jesus, note que o Caboclo disse que em vida anterior tinha sido um Padre Jesuíta, e de nome Gabriel Malagrida. Dentro dessas divagações, podemos ficar pasmos, assombrados; mas, acima de tudo, entendendo o que está envolvido na espiritualidade da Umbanda, devemos perceber a importância e a seriedade que se espera de um Umbandista, porque, mesmo que os planos de reencarnação não coloquem a manifestação do Caboclo Sete Encruzilhadas como uma manifestação do espírito de Jesus o Cristo, a seriedade da Umbanda, as responsabilidades do Umbandista, as qualidades superiores do espírito e do médium fundadores, ganham importâncias.

Meu intuito ainda, é o de fazer as pessoas que se dizem Umbandistas pensarem muito, e sobre as principais questões que enumero abaixo, mas que, não esgota as outras questões que serão próprias de cada um, ao analisar os fatos da vida do “homem, que, após desencarnar como Jesuíta, renasce como Índio em terras brasileiras, e depois, se apresenta espiritualmente plasmado na forma de um Caboclo de terras brasileiras, e incorporado mediunicamente com a missão de fundar uma nova Religião no Brasil – a Umbanda”.

Primeira questão:

A Religião de Umbanda foi fundada por um espírito que se identificou como tendo sido um índio brasileiro em sua última vida encarnado. Na história de sua penúltima vida encarnado, ele foi um Padre católico. Porque ele, o Caboclo Sete Encruzilhadas se manifestou em um Centro Espírita Kardecista, e não na frente do Papa católico?

Segunda questão:

Em sua penúltima vida encarnado, ele foi um catequizador de índios brasileiros; e lógico, pela data que aqui viveu, sabe-se que ele também conviveu com negros escravos que vieram da África. Depois, reencarnou e viveu e desencarnou como um índio brasileiro. Como espírito, veio a fundar uma religião – a Umbanda, onde nela, aconteceria a manifestação de espíritos de índios e de negros ex-escravos, e nas qualidades principais de doutrinadores e de conselheiros. Quando vivo como Jesuíta, Malagrida considerava os índios como brutos e selvagens. O que o fez mudar de conceito? Sua experiência carnal como índio? Ou o mundo espiritual lhe mostrou outra situação? Ou, o que?

Terceira questão:

Como norma de doutrina, o fundador da Umbanda disse: -  “A prática da Caridade no sentido do Amor Fraterno, será a característica principal desse culto, que terá por base o Evangelho de Cristo, e como Mestre Supremo: Jesus”. Também, o fundador disse: “Cumpre acentuar que, na Umbanda implantada pelo Caboclo Sete Encruzilhadas, não é utilizado o sacrifício de aves e animais, nem para homenagear entidades, e nem para desmanchar trabalhos de magia, ... o holocausto, ou sacrifício de animais, é totalmente alheio às práticas da Umbanda, ... não cobrar, usar o branco, Evangelizar em nome de Cristo, e utilizar as forças da Natureza, ...”

Como seria possível o conhecimento do Evangelho de Cristo, se tanto o índio como o negro, como sentido pelo Malagrida, em vida carnal rejeitavam a catequese e mantinham suas doutrinas de berço – o índio com a pajelança, e o negro com o seu fetichismo primitivo? Esses negros e índios espirituais, na Umbanda, seriam diferentes? Seriam preparados no mundo espiritual para essa missão? E, dentro da Lei dos Semelhantes, onde se atraem os iguais, índios e negros doutrinados em Cristo, encontrariam, com facilidade, médiuns também doutrinados em Cristo?

Quarta questão:

Se a resposta da primeira, é o plasmar de forma espiritual, e adotou a de caboclo para “bater de frente” com os preconceituosos kardecistas que o expulsaram de seu templo, e de mostrar, que na sua nova religião, não haveria o preconceito; e que na segunda, os índios e negros de última encarnação já carregavam bagagem erudita “escondida” por necessidade de pagamento de carma, e também de viverem em contato com a Natureza , readquirindo suas erudições após o desencarne; e na terceira, porque índios e negros estavam “esquecidos” de seus passados eruditos e cristão, e por isso adotaram na integra os seus meios vividos; e ainda, que a maioria dos índios e negros de sua época de Padre Jesuíta Catequizador, pela Lei da Reencarnação, estão novamente habitando corpos de brasileiros, e portanto, a Umbanda do Caboclo, que foi o Padre Jesuíta Catequizador, seria para este último, uma forma de continuar essa catequese iniciada;  então, cabe aqui, perguntas cruciais:

Quinta questão:

Se Umbanda é uma só, e a dos fundadores, porque existem tantas umbandas, e umas sendo diferente de outra? Muitas outras questões aguçam a curiosidade, pois estão relacionadas com os comportamentos estranhos que se verificam em templos, terreiros, agremiações, federações, escolas, etc. , e que se dizem, infelizmente, como sendo praticantes da Umbanda. Mas, fica a critério de cada um, Umbandista ou não, de formularem suas perguntas, e de exigirem as respostas das pessoas onde estão ligadas, e que dizem ser “representantes” da religião.  

Importante: A Religião de Umbanda foi fundada em 15 de Novembro de 1908, e pelo espírito que se identificou como “Caboclo Sete Encruzilhadas”. O seu médium, de apenas 17 anos de idade, era o jovem Zélio Fernandino de Moraes. Todos esses fatos aconteceram dentro do Centro Espírita Kardecista de Niterói, Rio de Janeiro. Um vidente, no local, perguntou ao Caboclo, porque ele se identificava como índio, se estava enxergando um espírito com muita luz, que se vestia com vestes clericais. O espírito respondeu: - Em uma vida anterior (a penúltima e antes de nascer como índio brasileiro), fui Padre Jesuíta, e de nome Gabriel Malagrida, ..., onde inclusive, previ o terremoto que aconteceria em Lisboa, ...

Com tudo o que acima foi dito, e para se pensar, cabe aqui o resumo lógico dos fatos vistos e apresentados:

Primeira lógica:

O espírito Caboclo Sete Encruzilhadas, fundou a Umbanda e acompanhou mediunicamente o seu médium Zélio, até o fim de sua vida terrena. Também por lógica, o fundador da Umbanda, em espírito, e hoje, junto com o espírito do Zélio, coordenam a sua religião fundada, e em sua cidade espiritual – Aruanda. Nesse caso, ainda cabe aqui outra pergunta: - “Porque muitos escritores e pessoas, insistem em afirmarem que a Aruanda é governada por espíritos outros, sendo comum informarem ser o espírito de Pai Benedito de Aruanda”?

Segunda lógica:

Se, em sua última vida reencarnado, o Caboclo Sete Encruzilhadas viveu como um índio brasileiro, não é lógico supor que foi no sentido de ter mantido um contato mais estreito com a Natureza e seus elementos, e isso no sentido de angariar mais conhecimentos no sentido de preservação da Natureza, tão necessária à vida do Ser Humano? Confirmando ainda essa lógica de pensamento, na sua história de vida como Padre Jesuíta, ele deu mostras de poder ver o futuro, tanto é que previu um terremoto em Lisboa – Portugal, anos antes de acontecer. Portanto, viveu como índio em contato com a Natureza, exatamente para poder trazer uma religião fundamentalmente ecológica. Nessa questão, cabe aqui, uma outra pergunta: “A Umbanda, sendo voltada a preservação do eco-sistema, nunca iria permitir que o real Umbandista quebrasse garrafas nas pedreiras, rios, lagos, mar, e nem que emporcalhasse os sítios da Natureza, e muito menos que viesse a acender velas em matas com o risco de provocar fogo e incêndio, e tantos outros danos. Porque, então, pessoas que se dizem Umbandistas cometem tais desatinos contra a Natureza”?

Terceira lógica:

Em sua penúltima vida reencarnado, o Caboclo Sete Encruzilhadas viveu como um Padre Jesuíta Cristão, e foi um grande missionário e pregador da Palavra de Cristo, e ainda acumulou cargos de professor, inclusive de Teologia. Tudo isso, não foi uma preparação para poder comandar uma nova religião baseada no Evangelho de Cristo? Porque então, médiuns e espíritos que se dizem da Umbanda, não conhecem e não pregam o Evangelho, sendo desconhecedores total da Bíblia, e ainda pior: não praticam a Doutrina ensinada no Evangelho de Cristo?

Cada um de nós pode fazer a diferença. Informar a Verdade é um meio de fazer pessoas se conscientizarem. Conforme foi dito no início, o verdadeiro Umbandista ressente-se de verdadeiras informações. Essa é a nossa pequena contribuição, no sentido da separação do joio do trigo.

Segundo Prefácio:

Ao contrário do que muitos imaginam, a Religião de Umbanda não tem origem em nenhum culto fetichista africano. A Umbanda foi fundada por um médium brasileiro e seu espírito incorporante - o Caboclo 7 Encruzilhadas. E isso aconteceu em 15 e 16 de Novembro de 1908, sendo que os fatos que deram origem à fundação, aconteceram dentro de um Centro Espírita Kardecista, em Niterói, Rio de Janeiro, e no dia seguinte, na casa do médium.

Mas, para falarmos sobre a fundação da Umbanda – a única religião genuinamente brasileira, primeiro, é preciso falarmos um pouco sobre as circunstâncias que lhe deram origem. Antes, ainda é preciso falarmos sobre as religiões de modo geral, principalmente os motivos de seus surgimentos, e depois, falar sobre o quadro religioso existente aqui no Brasil no ano de 1500, época do descobrimento, sendo que os habitantes de então, os nossos índios, tinham um culto religioso que era a Pajelança.

Com a vinda dos portugueses, estes trouxeram a religião católica. Depois, com a vinda dos negros africanos, e na condição de escravos, estes trouxeram os seus cultos primitivos e fetichistas, e de acordo com as nações africanas à que pertenciam. Com o passar dos tempos, a junção dos cultos africanos com os cultos indígenas veio a criar outros cultos, sendo o mais conhecido, o catimbó.

Também, como os negros estavam na condição de escravos e não podendo realizar seus cultos de acordo com suas origens africanistas, e isso devido proibição imposta pelos seus senhores e padres católicos, os negros passaram a cultuar as imagens dos santos católicos, só que as identificando como suas divindades africanas. Dessa forma, o negro, ao olhar a imagem do Jesus católico, não pensava no Cristo bíblico, e sim, no seu orixá africano de nome Oxalá. Ao olhar para a imagem do São Jorge católico, não pensava no santo matador de dragões, e sim, mo seu orixá africano de nome Ogum. E assim para as demais imagens católicas, mas, pensando sempre no seu correspondente orixá africano. Todo esse processo, de olhar um, e pensar em outro, é o que se chama “sincretismo”. Só que isso, não sendo entendido pelos senhores de escravos e padres católicos, os deixavam contentes, pois achavam que os negros tinham sido convertidos à fé católica.  Dessa forma, então, os vários cultos professados, começam a se mesclar. Mas, vamos desatar esse “nó”.

No princípio das eras: eis como se deu o surgimento das religiões:

Os povos primitivos – ignorantes e supersticiosos, devido não terem uma explicação para os fatos da natureza (chuva, raio, trovão, enchentes, fogo, escuridão, etc.), vieram a considerá-los sobrenaturais, vindo daí a idéia da existência de forças superiores e além da compreensão humana – ou deuses, as quais, se cultuadas, adoradas, oferendadas e suplicadas, poderiam conceder recompensas.

Os inventores das religiões:

Todas as religiões foram inventadas pelos Seres Humanos. Nenhuma religião foi estabelecida por uma divindade. Se uma religião tivesse sido inventada por Deus, por força dos fatos e pela lógica, somente existiria essa religião e não tantas quantas hoje existem e ainda sendo todas diferentes entre si.

A necessidade social da existência das religiões:

Portanto, no sentido de ajudar a Humanidade em progredir, entram as Religiões, pois (em um dos aspectos) as regras religiosas tem conformidade com as regras da sociedade, e sendo observadas pelo fiel, pela Fé ou pelo temor à divindade, ou do não cometimento do pecado, esse fiel é benéfico para si e a sociedade.

O surgimento da Umbanda:

Como a Umbanda nasceu em solo brasileiro, temos que encontrar suas origens, retornando aos tempos de Brasil Colonial - ano de 1.500, com a vinda dos portugueses, e aqui encontraram os indígenas os aguardando de forma amistosa. (Foram amistosos devido a lenda profetizada pelo Pajé Tupynambá Sumé, sobre a vinda do “povo das estrelas do Cruzeiro do Sul”, para conduzir todos para uma vida de integral paz e felicidade. E, como na bandeira portuguesa havia a Cruz de Malta, pensaram ser eles).

A religião encontrada pelos portugueses:

O Pajé Sumé ensinou aos índios, a Pajelança - a crença no sobrenatural (aquilo que não era entendido), a crença nos poderes mágicos das Naturezas (raios, trovões, chuva, animais, aves, águas, plantas, etc.), bem como que essas forças mágicas podiam ser canalizadas pela vontade através os cantos, danças, instrumentos musicais e defumações, sendo que o principal instrumento das manifestações seria o indígena místico escolhido pelo Pajé anterior, ou o que revelasse o Dom. Na Umbanda, o Pajé Sumé é conhecido como Caboclo Flecha Dourada.

O choque cultural religioso do Cristianismo com a Pajelança:

Tratou o português dominador de impor sua religião sobre os índios. Vieram para o Brasil, a Ordem dos Franciscanos, dos Carmelitas, e da Companhia de Jesus, disseminando de maneira forçada e obrigatória o ensino religioso do Catolicismo entre os indígenas, os quais eram considerados como animais e não possuidores de almas e suas práticas religiosas como abomináveis feitiçarias. Essa catequese visava o domínio sobre os selvículas, para que, pela submissão espiritual, pudessem ser tomadas as terras sem lutas; e mais o apresamento de mão de obra barata, gerando escambo e escravidão. Devido a cultura indígena não permitir suas submissões, além de não serem produtivos em plantios ou criações, e com isso não geravam as riquezas esperadas, o português buscou outra mão de obra barata e escrava, que eram a dos africanos, considerados “infiéis”, devido suas religiões feiticistas.

Os diverso cultos professados pelos africanos:

O Culto aos Antepassados; às Forças da Natureza; ao Fetichismo, às Máscaras, e dos Sacrifícios.

As origens dos negros africanos que vieram para o Brasil, eram:

O choque cultural religioso do Cristianismo com os cultos africanos:

Proibido pelo branco e pelo catolicismo, os negros não podiam professar seus cultos. A alternativa foi “disfarçarem” suas divindades cultuadas, trocando-as por imagens de santos e santas católicas. Assim, o branco católico se ajoelhava aos pés da imagem de Jesus e rezava. Ao seu lado se ajoelhava o negro escravo e também rezava. Só que o negro, se perguntado, dizia que rezava para Jesus; mas, no íntimo, sabia estar rezando para o seu Orixá.

O sincretismo:

A mistura da Pajelança + o Cristianismo + os Cultos Africanos, gerou o Catimbó.

Catimbó = “a prática da feitiçaria através a incorporação mediúnica”, de onde surgiram as figuras dos mestres, zé-pilintras, marias-padilhas, marias-mulambos, e demais identificadas com o nome de bichos-do-mato e do folclore popular como o curupira, saci, boitatá, ..., e ainda as figuras dos boiadeiros, baianos, ... O catimbó também é identificado como jurema, adjunto de jurema, e toré.

Os misticismos indígenas e africanos, que se formaram no seio da comunidade brasileira:

Nos tempos de Brasil Colonial, Império, e República, os indígenas e os negros são acompanhados de forte misticismo e com a pecha de serem feiticeiros, sendo comprados em seus serviços de feitiçaria, para que, no intuito de seus objetivos de poder, as pessoas brancas da sociedade pudessem derrotar inimigos e vencer pendências.

O surgimento da “Macumba”:

Com a libertação total da escravatura pela Lei Áurea, ex-escravos vão para as cidades; mas, sem recursos e em situações de extrema miséria, para poderem sobreviver, comercializam a magia africana como serviços de bruxedos, feitiçarias e demandas espirituais, e isso para quem pague mais.

Essa situação de comércio estabelece um caos espiritual no meio da sociedade vigente e das religiões, pois em cada canto, esquina ou encruzilhada, vê-se um despacho formado por animais, aves, acepipes e outras oferendas. Inicia-se o período da “Macumbaria”, ou seja: toda e qualquer prática, bem como qualquer objeto da arte da feitiçaria, passou a ser chamado de “macumba”.

O ex-escravo tenta o retorno ao seu culto de origem:.

Outras parcelas de negros que não enveredam para a “macumba”, num resgate à cultura religiosa perdida nos tempos pela ineficiência da tradição oral, com o pouco restante misturado, retornam aos seus passados religiosos e fundam: o Babaçuê, ou Santa Bárbara, no Norte; o Candomblé, na Bahia e em São Paulo; o Canjerê, em Minas Gerais; a Macumba, no Rio de Janeiro; o Pará, no Rio Grande do Sul; e o Xangô, em Pernambuco e Alagoas.

Como a expressão religiosa maior dos africanos é a dança aos seus deuses, e “dança” é o mesmo que “candomblé”, este último nome passa a imperar em todos os Cultos de Nações: Candomblé de Angola, Candomblé de Keto, Candomblé dessa ou daquela nação.

OS RITUAIS DO CATIMBÓ, OU ADJUNTO DE JUREMA, OU TORÉ, OU LINHA DOS MESTRES:

A origem do catimbó é o Nordeste.

Para uns, catimbó significa cachimbo, e para outros matos cheirosos. Na língua indígena Tupy, “CAÁ” significa “mato” e, “TIMBÓ” significa “veneno”.

O catimbó surgiu na época da colonização do Brasil, sendo então, o resultado da mistura dos cultos indígenas (Pajelança), com os cultos dos negros africanos e cultos católicos.

O catimbó é a prática da feitiçaria através a incorporação mediúnica, e normalmente é feito por um médium de incorporação.

Cultuam as Linhas de Preto-Velho, Caboclo, Baiano, Marinheiro, Boiadeiro, Cigano, Zé Pilintras, Marias Padilhas e Mulambos, tendo apenas um assistente para anotar as receitas de ervas, beberragens, garrafadas, feitiços, fumegações e as respostas das invocações feitas pelos maracás, penas, fetiches e fumaças de cachimbo.

Esse médium recebe o nome de Mestre, e a sua principal atividade é o de atender os clientes.

Em seus rituais, se influenciam pelos batuques, e normalmente o guia espiritual do catimbozeiro é o “curupira”, espírito da floresta que tem o calcanhar voltado para trás.

Ao seu guia espiritual, o catimbozeiro dá-lhe o nome de Mestre. Entre eles se conhece: Tucurumi, Zé Raimundo do Codó, Capinarô, Pai João Sacarolha, Silvana, Mariana, Caruassô, Itapijara, Jarina, Tango, Ritango, Tangurupará, Zé Pilintra, Maria Molambo, Maria Padilha, Anabar, Angélica, Bom Floral, Caapora, Carlos, Faustina, Flor, Iracema, Manicoré, Menina da Saia Verde, Pai Joaquim, Prinavurussu,

Também se identificam com o nome de animais: Jabutizinho, Ariranha, Carumbé, Garça Branca, Boiuna, Boto, Tucuxi, Jacarezinho, Mãe Dágua, Sucuri, Cobra-Coral, Cobra-Grande, Peixinho, ... Para os catimbozeiros, os animais possuem almas e seus espíritos podem ser usados em trabalhos espirituais, onde os Mestres os incorporam.

No catimbó não se estabelecem relações com os orixás ou santos, e também não admite formas religiosas de cultos como preparo de filhas de santo e outras obrigações.

Nas sessões de catimbó acontecem as possessões de “Exus” e “Pombas Giras”, sendo ponto comum de identificação das entidades do catimbó, que essas entidades utilizem um palavreado vulgar, obsceno e até ofensivo.

O catimbó possui uma corrente vibratória pesadíssima, verdadeira porta de saída de seres oriundos do submundo astral, predominando a Baixa Magia, quase sempre voltada para o Mal.

Sobre a entidade ZÉ PILINTRA, esta sempre fez parte do catimbó, e quando vivo, Zé Pilintra foi o Mestre de Catimbó José de Aguiar, e após morto, o seu corpo foi sepultado no Estado da Paraíba, na Cidade de Alhandra (antiga Cidade de Arataguy), num bosque local denominado de “Cidade Sagrada da Jurema”, terra de propriedade do Centro Espírita de Damiana Guimarães, de família antiga e tradicional na terra. Também neste bosque estão sepultados outros Mestres do Catimbó, como: Castelhano de Barros, Cadete, Carlos de Barros, Rosalina, Cangarussu, Tertuliano, Zezinho do Acaes, José Alves da Silva,...  

Observação:

Como tantas outras coisas estranhas e alienígenas que, por ignorância foram inseridas nas “umbandas sem a raiz dos Fundadores”, apesar dos zés-pilintras, marias-padilhas, marias-mulambos, mestres, ... pertencerem ao Catimbó, foram transportados para essas macumbas que se identificam como umbanda.

PRELIMINARES PARA O SURGIMENTO DA UMBANDA NO BRASIL.

Conforme já foi dito, após quase quatrocentos anos de escravidão, aconteceu a libertação total dos negros em 13 de Maio de 1.888, quando foi assinada a Lei Áurea pela Princesa Izabel; e com isso, muitos negros vão para as cidades; só que, sem recursos próprios, sem habilitação para os trabalhos da cidade e em situações de extrema miséria, e como último recurso para a sobrevivência, alguns negros passaram a utilizar os conhecimentos que tinham da magia africana e a ofereciam em troca de pagamento dos serviços das práticas mágicas dos bruxedos, feitiçarias e demandas espirituais.

Com isso, estabeleceu-se o caos no meio das sociedades vigentes e das religiões. Acrescente-se que havia por parte de muitos negros, dada a sua condição de ex-escravo, uma predisposição para a feitiçaria prejudicial à qualquer um que fosse branco, pois estes não só os tinham humilhado das mais diversas formas pela sua condição de escravo, como também havia o sentimento de vingança contra os brancos pelo que fizeram com seus familiares, esposas, irmãs, filhos, filhas, parentes, amigos, falecidos e por outros negros que nem haviam conhecido, pois independente de qualquer coisa, semelhantes se atraem e por afinidade de raça, mesmo em não se conhecendo, um apoia o outro em situações de necessidade.

Portanto, para o negro que odiava o branco, o prejuízo que um branco de nome “A” pedia que fosse feito a outro branco “B” era lucro, pois o branco de nome “B” fatalmente iria procurar outro negro feiticeiro para se defender do branco “A”  e nessa, ambos os brancos “A” e “B” estavam seriamente prejudicados, os negros feiticeiros vingados e ao mesmo tempo lucravam um dinheiro com a vendo dos feitiços.

Principalmente por essas razões de miséria absoluta e de vingança, veio a proliferar os negros feiticeiros à serviço de quem pagasse mais.

Na época, todo e qualquer objeto de feitiçaria bem como a prática, passou a ser chamado de “macumba”.

O SURGIMENTO DO CANDOMBLÉ.

Outra parcela de negros, que não enveredaram para a macumba, tentaram retornar à religião do passado e numa tentativa de resgatar uma cultura já perdida pelo passar dos quase quatrocentos anos de escravidão, veio este retorno a ter a denominação de “candomblé”.

Observação: Antigamente (e hoje ainda em alguns lugares) o candomblé tem os seguintes nomes: 

“Candomblé”, na Bahia e em São Paulo. “Macumba”, no Rio de Janeiro.

“Xangô”, em Pernambuco e Alagoas. “Canjerê”, em Minas Gerais.

“Pará”, no Rio Grande do Sul. “Babaçuê” ou “Santa Bárbara”, no Norte.

O SIGNIFICADO DA PALAVRA “CANDOMBLÉ”.

“Candomblé”, inicialmente, queria dizer simplesmente “dança”.

O SIGNIFICADO DA DANÇA NO CANDOMBLÉ.

A dança é o próprio mito ou espírito, recortado, plasmado ou esculturado na impregnação dos volteios, dos pequenos saltos, das gesticulações e posições, deslizamentos e curvaturas que fazem o conjunto das mobilidades próprias à tais representações, para fazer a “possessão” adquirir, além de seu vigor expressionista, o ambiente vibratório necessário à presença do Orixá (divindade espiritual dos cultos africanos). Através da dança processa-se a contaminação da vontade, a integração do elenco e o totalismo do adoratório, que passa a revelar a entidade por inteiro no corpo do médium.

Pela manifestação da dança, além dos pontos cantados e riscados, bem como das vestimentas, se identificam apoteoticamente o visitante. As danças nos candomblés exigem a participação coletiva, porque ela tem o sentido de traduzir as tradições tribais africanas (festas de sua cultura), onde todos os membro do culto se integravam nela, liderados pelo feiticeiro da tribo. Entre os africanos tribais, as danças tinham coreografias imitativas de animais como o leopardo, hipopótamo, serpente, antílope, festejando os totens (a própria tribo em suas necessidades sociais). Também representavam as lutas acontecidas entre os reis feudais transformados em orixás (espíritos donos das cabeças de seus súditos), bem como as representações das tomadas das posses de um rei/orixá perdedor de uma guerra contra outro rei/orixá vencedor.

Nas danças, ainda representavam os elementos da natureza (raio, trovão, chuva, ...) e suas influências sobre a natureza (inundações, fogo, boa colheita, animais se assustando, ...). Outras danças religiosas simbolizavam as festas de regozijo, de louvação à chuva, terra e sol; aos produtos da natureza: animal, mineral e vegetal; e às caçadas, floração, coletas, colheitas, pescaria, guerra, ...

O OBJETIVO INICIAL DO CANDOMBLÉ.

Além do resgate de uma cultura religiosa perdida, o de fazer acontecer pela prática religiosa, a intervenção das divindades cultuadas sobre as necessidades de seus fiéis, e se posicionando no sentido do feiticismo através de oferendas ou sacrifícios, fazendo acontecer o atendimento dos pedidos dos mortais aos orixás.

O CANDOMBLÉ SOB OS OLHOS DA COMPARAÇÃO.

Fazendo-se comparativos entre os atuais dirigentes da religião, que se denominam de Babalorixás e Yalorixás, com os antigos feiticeiros das tribos africanas, percebe-se não existir semelhanças entre ambos.

Percebe-se existirem muitas semelhanças dos dirigentes do candomblé para com os Reis Feudais de Tribos Africanas, pois comparando as obrigações e deveres dos vassalos e vassalas para com seu Rei Absoluto, os Babalorixás e Yalorixás igualaram-se em posição e transportaram para os seus adeptos, os deveres e obrigações para com eles e os orixás de seus controles, bem como criaram outros ritos e condições para que, nas posições de “sacerdotes” e do candomblé, sejam análogos aos reis tribais africanos já citados, e nessa condição, se privilegiarem do poder da posição.

Também, dirigentes religiosos africanos, quando em visita ao candomblé brasileiro, são unânimes em afirmarem que o que é praticado no Brasil não encontra correspondência em África, sendo desconhecidas as camarinhas, os cortes, as feituras de santo, etc..., pois o privilégio de ser do culto dos orixás se revela pelo dom.

DIFERENÇAS DE CULTOS – CANDOMBLÉ (NO BRASIL) X CULTOS NA ÁFRICA:

Candomblé: Para o candomblezista, o Orixá é um Santo, um deus ou deusa que vive (mora, regula, protege) em qualquer um dos elementos da Natureza: Rio, Cachoeira, Matas, Ar, Raio, Trovão, Lago, Mar, Pedreira, etc.

E, esse orixá, de acordo com a índole de comportamento da pessoa, pode ser o “pai ou mãe de cabeça”, mediante processos de fixação (“fazer o santo”). E, esse orixá pode incorporar na pessoa, desde que paramentada e dentro dos rituais criados. E, esse orixá pode e deve ser cultuado, inclusive com oferendas (comidas, bebidas, imolações, etc.). E, a esse orixá pode ser pedido o atendimento de todas as necessidades que a pessoa tenha. Portanto, para o candomblezista, o orixá é o meio que a pessoa tem de se livrar de suas aflições, de ter poder, e de ser protegida.

Cultos na África: Em África, o orixá é entendido como sendo o espírito ancestral de alguém de linhagem real.

Em outras palavras, antigamente o sistema de governo das tribos africanas era exercido por um Rei na qualidade de Feudal, ou seja: era o dono de tudo e de todos. Também, que a forma de sucessão era hereditária, ou seja: o filho assumia o trono do pai, que por sua vez tinha assumido do avô, e este tinha assumido do bisavô, que tinha recebido o trono do tataravô, e assim em cadeia sucessiva. Portanto, o trono real pertencia sempre à uma mesma dinastia (família).

Todos os súditos eram levados a crer, que o Rei era elemento que possuía ligação com os deuses, e portanto, dotados de poder divino. Devido essa condição, o Rei Feudal ao assumir o trono rotulava a si mesmo, com um dos nomes das divindades do panteão africano que, de acordo com seus atributos, também estes faziam parte do novo Rei. Portanto, se a Divindade era cultuada de determinada forma, o Rei Feudal recebia os mesmos cultos; e, da mesma forma se cultuava os Reis Feudais falecidos.

Cada Rei Feudal podia ter quantas esposas quisesse, bem como quantas cozinheiras, arrumadeiras, concubinas, acompanhantes, conselheiros, etc. Só que, para cada súdito, de acordo com a posição, as gravações na pele, bem como as cores e tipos de vestimentas eram diferentes. Isso, para os demais súditos, criava as diferenças pelas identificações.

Quando das atividades de cultos religiosos, o negro africano na condição de súdito, incorporava espíritos familiares de seus antepassados. A todos os súditos, era proibida a incorporação de qualquer espírito que pertencesse à linhagem real.

Os espíritos de linhagem real, ou seja: os antepassados do Rei Feudal atual, somente podiam ser incorporados pelo Rei que estivesse (vivo) no cargo. A esses espíritos que o Réu Feudal incorporava, e que eram os espíritos de seus antepassados, eram dados os nomes de “Orixás”.

Conclusão:

Na África, “Divindades” são os deuses que vivem nos Elementos da Natureza; e, “Orixá”  é o nome que se dá ao espírito ancestral do Rei Feudal.

No Brasil, no candomblé, “Orixá” é o nome que se dá a todos os espíritos que incorporam nos médiuns dessa crença, bem como seriam os mesmos deuses que vivem nos Elementos da Natureza.

PRIMÓRDIOS DO KARDECISMO NO BRASIL.

Na época da transição de Brasil Monarquia para República, o mais importante centro cultural do mundo era Paris – a Cidade Luz, na França. A Revolução Francesa tornou possível a “Declaração dos Direitos do Homem”, e conseqüentemente a sua libertação dos grilhões da igreja tradicional, havendo o reconhecimento da liberdade de crença para todo ser humano. Idéias até então estavam caladas pelo catolicismo puderam ser ditas livremente. Vem à luz, então, dirigido por Leon Hypolite Denizard Rivail – o Allan Kardec, o Movimento Espírita e a Codificação do Espiritismo. Essa nova religião é sustentada na crença da existência de espíritos desencarnados (espíritos de pessoas mortas) que povoam o espaço, e no intercâmbio com os encarnados (vivos) e, através da mediunidade.

Como a sociedade brasileira absorvia tudo o que vinha de fora, especialmente da França, aceitando de imediato tanto a moda, ciência, tecnologia, perfumaria, mecânica, ..., também absorveu o Espiritismo, que passou a ser praticado exclusivamente pela aristocracia brasileira. De início, sempre seletiva, tornou-se preconceituosa, pois o espírito comunicante que em vida não tivesse sido famoso, rico ou importante, não podia se manifestar nas sessões então chamadas de “mesas brancas”, e isso pela simples explicação de que um espírito ignorante nada teria como trazer uma comunicação de cunho superior.

QUADRO SOCIAL E RELIGIOSO QUE SE APRESENTAVA ANTES DA FUNDAÇÃO DA UMBANDA:

Primeiro:

Proliferavam os “macumbeiros” de atividades remuneradas.  Os trabalhos de demandas espirituais feitos por um feiticeiro, recebiam como contra carga um outro trabalho de desmanche feito por um outro feiticeiro. Proliferavam os despachos (ebós) nas encruzilhadas, matas, cachoeiras, etc., para homenagear entidades. Eram visão comum nas ruas, matas, cachoeiras e cemitérios, as aves e animais sacrificados para a satisfação dos maus elementos do baixo astral espiritual. Na busca de prestígio, eram comuns as demandas entre os feiticeiros para um derrubar o outro. A Magia Negra se alastrava e arrastava consigo as pessoas das classes e condições mais humildes ou mais sujeitas às influências do clima da superstição e fetiche.

Segundo:

O candomblé, com os seus adeptos “recebendo as vibrações de seus orixás”, travestidos com suas roupas e apetrechos, apenas dançavam em homenagem aos seus deuses, e não aceitavam em hipótese alguma que dentro de seus barracões, médiuns incorporassem espíritos de mortos, os quais eram considerados como “eguns” (espíritos de mortos, alma penada, ...) ou “kiumbas” (espíritos atrasados, perturbadores. ,,,), e os enxotavam de suas reuniões.

Observação:

No candomblé, as incorporações não acontecem de nenhum modo, quer sejam consciente, subconsciente e inconsciente. O médium apenas recebe uma vibração, que dizem provir do orixá, e que faz o médium perceber que está autuado espiritualmente, e nessa condição, a simbiose entre médium e orixá não se comunica com as pessoas presentes e nem dão consultas. Se a pessoa quer se consultar, em outra ocasião procura o sacerdote do candomblé, e este, mediante pagamento, faz o jogo de búzios ou cauris ou delogún, que é o método tradicional de adivinhação de que se usa o Babalorixá ou Yalorixá  do candomblé, sendo composto por dezesseis  conchas perfeitamente lisas e de pequeno tamanho (1 a 3 cm.) (O número 16 é igual “delogún” no dialeto Yourubá).

Terceiro:

No espiritismo de mesa branca, quando acontecia de um médium Kardecista incorporar um espírito que se identificava como preto velho ex-escravo ou de índio (caboclo), mesmo não sendo isso da vontade do médium,  além dos espíritos não serem ouvidos e ignorados em suas comunicações, eram convidados a se retirarem, e se porventura acontecesse desse médium (mesmo contra a sua vontade), incorporasse novamente espíritos de pretos e índios, esse médium era acusado de praticar o baixo espiritismo e portanto, era desprezado por todos os demais.

Percebe-se então, que não havia meios práticos para combater as “macumbas”, pois existia um vazio espiritual entre os cultos de nações (candomblé) que “vibravam orixás” e o Kardecismo de mesa branca que tratava apenas de ouvir espíritos elitizados.

Faltava então, o espírito simples, o humilde, o que pegasse no pesado, o que fosse linha de frente, o que guerreasse em termos de igualdade de forças, mas superior em sua luz de atuação.

Faltava o espirito que pela sua simples presença e determinado em sua missão que lhe conferia retaguarda superior espiritual, fizesse tremer e botasse pra correr feiticeiros e espíritos mancomunados com o mal feito.

Faltava o espírito em quem se pudesse confiar pelos termos de igualdade da comunicação. Aquele que falava a língua do povo. Aquele para ser contatado com certa facilidade para ouvir as queixas mais comuns do dia a dia das pessoas quer sejam elas simples ou não.

Faltava o espírito que fizesse arrepiar corpo e alma das pessoas quando presentes em sua incorporação, e que à sua simples presença fizesse sentir nos encarnados e de imediato, a primeira das crenças da Espiritismo, que é a de fazer a pessoa acreditar e sentir com razão a crença na imortalidade da alma, pois se em sua frente estava um espírito e incorporado em um médium. Dessa forma a pessoa entenderia de imediato que a sua alma também iria sobreviver após a morte do corpo físico. Como benefício imediato isso iria trazer um outro ensinamento para a pessoa, que era de lhe incutir que suas ações presentes lhe reservariam consequências no futuro.

Mas, como nada acontece por acaso e notadamente no que traz o respaldo do Plano Espiritual, o que faltou de entendimento no candomblé e Kardecismo na época, era que esses primeiros espíritos de pretos e índios vinham estabelecer as bases para o surgimento de uma nova força de trabalho espiritual e a iniciavam de maneira simples. Iniciavam seu movimento dentro de uma religião já estabelecida, não só no intuito de ganharem tempo, e para de imediato iniciarem seus trabalhos espirituais, pois as organizações materiais para a montagem de uma nova religião demanda tempo, como também, que as Verdades Reveladas no Kardecismo correspondiam com a realidade espiritual.

Faltou o entendimento que esses espíritos de pretos e índios já vinham seguindo o curso da evolução espiritual sendo preparados para essa nova missão e não podiam ser refreados.

Faltou o entendimento na época, que as Falanges dos Pretos-Velhos (ex-escravos em sua maioria), nada mais eram do que também, os espíritos (em sua maioria e, em vida anterior à de escravos) dos soldados romanos que perseguiram e tanta barbaridade cometeram contra os cristãos; e que, no mundo espiritual passaram por duras lições e expiaram reencarnando como negros africanos escravos e nessa condição, fazendo cumprir a Lei de Causa e Efeito, sentiram no corpo físico tudo e até um pouco mais do que infligiram aos cristãos em vida anterior e, que após essa dura lição de vida na carne, estavam mais do que aptos a serem promovidos à categoria de anciães conselheiros.

Faltou o entendimento na época, que as falanges do Caboclos (ex-índios em sua maioria), nada mais eram do que também, os espíritos (em sua maioria e, em vida anterior à de índios) dos soldados romanos que não molestavam os cristão e que até os protegeram, mesmo às custas de suas patentes e sofrimentos e que pelo processo de reencarnação por diversas vezes como índios, conseguiram fazer suas integrações à natureza, no sentido de eliminarem de si o apego às coisas materiais, para poderem, se ligando à  Natureza, ficarem aptos a serem os primeiros espíritos a chamarem a atenção do homem para a preservação de tudo o que existe na Natureza, que é a base de sustentação da vida do Ser Humano sobre o Planeta Terra..

Observação:

Sobre esse item, para corroboração, basta se fazer as ligações de alguns Oficiais Romanos, Apóstolos e Defensores da época do Cristianismo, onde, pelas suas defesas dos Cristãos e do Cristianismo, se tornaram Mártires. Esses Mártires, Apóstolos, Adeptos, Defensores, Oficiais Romanos, alguns, foram: Jesus, João, Pedro, Lázaro, Ana, Maria, Bárbara, Benedito, Cipriano, Cosme e Damião, Francisco de Assis, Jerônimo, Joana D’Arc, Jorge, Sebastião, Expedito, Pedro, Lázaro, José de Arimatéia, Luzia, Rafael, Miguel, Gabriel, Salomão, etc...E. o Sincretismo colocou esses Mártires, Apóstolos e Defensores do Cristianismo na condição de “Orixás”. E, assim ficou. E, ficaram classificados como sendo os Orixás, recebendo os nomes de Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Yemanjá, Oxum, Iansã, Odé, Omulú, Obaluayê, Oiá, Oxumaré, Egunitá, Nanã, ... e outros, nas condições de orixás, Chefes de Falanges, Legiões, Linhas, etc... )

PRIMEIRA ETAPA DA MISSÃO DO CABOCLO SETE ENCRUZILHADAS - A FUNDAÇÃO DA UMBANDA - A HISTÓRIA DO CABOCLO E A HISTÓRIA DE SEU MÉDIUM

A primeira manifestação de Umbanda com registro documental, é a do Caboclo Sete Encruzilhadas em seu médium Zélio Fernandino de Moraes, e isso aconteceu nas datas de 15 e 16 de Novembro de 1.908.

Zélio Fernandino de Moraes nasceu no dia 10 de Abril de 1892, no Distrito de Neves, município de São Gonçalo – Rio de Janeiro. Filho de Joaquim Fernandino Costa (Oficial da Marinha), e de Leonor de Moraes. Em 1908, com 17 anos de idade, Zélio havia concluído o curso propedêutico (ensino médio), e preparava-se para ingressar na Escola Naval, quando fatos estranhos começaram a acontecer com ele. Em alguns momentos, era visto falando manso e com a postura de um velho e com sotaque totalmente diferente. Em outros momentos parecia um felino lépido e desembaraçado, mostrando conhecer muitos mistérios da natureza. Isso logo chamou a atenção dos familiares, preocupados com a situação mental do menino que se preparava para seguir carreira militar. Como os “ataques” se tornavam mais freqüentes, Zélio foi encaminhado ao seu tio, Dr. Epaminondas de Moraes, médico psiquiatra e diretor do Hospício da Vargem Grande. Após vários dias de observação, não encontrando seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu à família, que o encaminhasse a um padre, para que lhe fosse feito um ritual de exorcismo, pois desconfiava que seu sobrinho estava possuído pelo demônio.

Zélio foi encaminhado para um outro parente, também seu tio, e padre católico, o qual, junto com outros sacerdotes, realizou três sessões de exorcismo, mas sem lograr êxito, pois as manifestações prosseguiam. Um tempo após o exorcismo, Zélio foi tomado por uma paralisia parcial, a qual os médicos não conseguiam entender, sendo que de certa feita, Zélio diz: “Amanhã estarei curado” e, no dia seguinte Zélio levantou-se e começou a andar como se nada tivesse acontecido. Um amigo da família sugeriu que Zélio fosse encaminhado à recém fundada Federação Kardecista de Niterói, município vizinho a São Gonçalo das Neves, onde residia a família Moraes. A Federação era então presidida pelo Sr. José de Souza, militar, e chefe de um departamento na Marinha, chamado “Toque-Toque”.

Zélio foi conduzido a esta Federação no dia 15 de Novembro de 1908, e na presença do Sr. José de Souza, estava ele em meio aos “ataques” reconhecidos então, como manifestação mediúnica. Zélio foi convidado a sentar-se à mesa; mas, em seguida, contrariando as normas do culto, levantou-se e disse que ali faltava uma flor. Foi até o jardim, apanhou uma rosa branca, e colocou-a no centro da mesa. O Sr. José de Souza, possuidor de clarividência, verificou a presença de um índio manifestado, e passou ao diálogo à seguir:

Sr. José: Quem é você que ocupa o corpo deste jovem?

O espírito: Eu sou apenas um caboclo brasileiro.

Sr. José: Você se identifica como caboclo, mas vejo em você restos de vestes clericais.

O espírito: O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre. Meu nome era Gabriel (Malagrida). Acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas, em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro.

Sr. José: E qual é o seu nome?

O espírito: Se é preciso que eu tenha um, digam que eu sou o Caboclo Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos.

E no desenrolar da conversa, o Sr. José pergunta ainda, se já não existem religiões suficientes, fazendo inclusive, menção ao espiritismo.

O espírito: Deus, em sua infinita bondade, estabeleceu na morte do corpo físico, o grande nivelador universal, onde rico ou pobre, poderoso ou humilde, tornam-se todos iguais; mas vocês, homens não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem vos visitar estes humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do Além. Porque o não aos Caboclos e Pretos-Velhos? Acaso não foram eles também filhos do mesmo Deus? ... Amanhã, na casa onde meu aparelho mora, haverá uma mesa posta a toda e qualquer entidade que queira ou precise se manifestar, independente daquilo que haja sido em vida, todos serão ouvidos. Nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos, a nenhum viraremos as costas, e a nenhum diremos não, pois esta é a vontade do Pai.

Sr. José: E que nome darão a esta igreja?

O espírito: Tenda Nossa Senhora da Piedade, pois da mesma forma que Maria ampara nos braços o filho querido, também serão amparados os que se socorrerem da Umbanda.

Observação: É de se notar, que durante os trabalhos espirituais da Federação Espírita, o jovem Zélio era apenas mais um médium que ali se encontrava, e à exemplo de demais ali presentes, também veio a  incorporar um espírito de índio (caboclo) em uma sessão onde haviam vários médiuns  incorporados também com espíritos de índios e de pretos escravos, sendo que todos esses  espíritos estavam sendo enxotados pelo dirigente e auxiliares, com as observações de serem espíritos atrasados.

Foi somente em vista dessa atitude de expulsão e de rotulação, que o caboclo incorporado no médium Zélio questionou as pessoas presentes do porque não serem aceitas as mensagens dos índios e negros, e o porque do preconceito contra eles se não mais estavam na carne (vivos), e portanto como espíritos não poderiam ser tachados de atrasados, e muito menos serem rotulados pela cor e classe de quando estavam vivos. A discussão que se seguiu entre o Caboclo Sete Encruzilhadas e o Sr. José aconteceu em virtude desse dirigente e auxiliares procurarem doutrinar o espírito que mantinha argumentação segura; sendo que finalmente, o dirigente pediu que a entidade se identificasse, já que lhe aparecia envolvida em uma áura de luz.

E o espírito disse ainda mais: - “Se julgam atrasados espíritos de Pretos e de Índios, digo que amanhã na casa deste aparelho darei início a um culto em que esses mesmos pretos e índios possam dar a sua mensagem e assim, cumprir a missão confiada pelo Plano Espiritual.  Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre irmãos, encarnados e desencarnados.” E também, que eu não venho só. Junto à mim, virão milhares de espíritos que formam uma verdadeira Legião do Plano Astral, que tem como missão contribuir para restituir a Paz, para fazer cumprir a Era da Regeneração.

Muitos foram os comentários dos menos esclarecidos: - “Vejam só que garoto ousado? - Precisamos tomar muito cuidado com espíritos mistificadores! - Que ousadia um espírito dessa natureza dizendo em renovar a face da Terra e reequilibrar os preconceitos e as desigualdades dos povos! - Devemos tomar muito cuidado!”.

Na data seguinte, na residência do médium, na Rua Floriano Peixoto, 30, Neves, São Gonçalo, Rio de Janeiro, estavam presente quase todos os membros da Federação Espírita, para verificar a veracidade do que fora declarado na véspera, parentes, amigos, vizinhos, e uma multidão de desconhecidos e curiosos. Pontualmente às 20:00 horas, o Caboclo Sete Encruzilhadas incorporou e, com as palavras abaixo, iniciou o seu culto, e o iniciou com as seguintes palavras proféticas: - “Vim para fundar a Umbanda no Brasil. Se inicia neste momento, um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam em vida servidos como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de ação nos cultos remanescentes das seitas negras já deturpadas e dirigidas quase exclusivamente para trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos de nossa terra, para trabalharem em benefício de seus irmãos encarnados, quaisquer seja a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno, será a característica principal desse culto, que terá por base o Evangelho de Cristo e como Mestre Supremo Jesus”.

O espírito, também, declarou fundado o primeiro Templo  para a sua prática, que recebeu o nome de Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade. Os familiares e os amigos estavam surpreendidos e não queriam acreditar no que ouviam e viam. Lá compareceram também, e vindos não se sabe de onde, um grande número de desconhecidos, mais de uma centena de enfermos, aleijados e, surpreendentemente, ninguém sabia dizer como haviam tomado conhecimento do que se passava e, muitos desses doentes, após um contato com o Espírito do Caboclo Sete Encruzilhadas, estavam curados. Após trabalhar realizando previsões, passes e doutrinas, o caboclo informou que ia se retirar, pois outra entidade precisava se manifestar.

Após a “subida” do caboclo, Zélio incorporou um “preto-velho”, saindo da mesa e se dirigindo a um canto da sala onde ficou agachado. Perguntado o porque de não ficar na mesa, respondeu: - Nego num senta não meu sinhô; nego fica aqui mesmo; isso é coisa de sinhô branco, e nego deve arrespeitá! “

Após muita insistência para sentar, ocupando um lugar na mesa, completou: - Num carece preocupa não; nego fica no toco, que toco é lugar de nego! “E assim, continuou dizendo outras coisas mostrando a simplicidade, humildade e mansidão daquele que, trazendo o estereótipo do “preto-velho”, se fez identificar como Pai Antonio. Logo, cativou a todos com o seu jeito e, ao lhe perguntarem se ele não aceitava nenhum agrado, ao que respondeu: - Minha caximba; nêgo qué o pito qui deixou no toco, manda muréque buscá! “Todos ficaram perplexos. Estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento material de trabalho dentro da Umbanda. Assim o cachimbo foi instituído na Linha dos Pretos-Velhos, sendo também ele a primeira entidade a pedir uma “guia” (colar).

Observação:

As primeiras manifestações de Umbanda aconteceram nos mesmos moldes das formas Kardecistas, ou seja: uma mesa com toalha branca, cadeiras e os médiuns sentados nestas, e recebendo os seus espíritos sem haver a devida movimentação  como andar, e muito menos de fumar, beber, ou comer.

Palavras complementares do médium Zélio: - “Cumpre acentuar que na Umbanda implantada pelo Caboclo 7 Encruzilhadas, não é utilizado o sacrifício de aves e animais nem para homenagear entidades e nem para desmanchar trabalhos de magia. Umbanda é um termo litúrgico, sagrado, vibrado, que significa, num sentido mais profundo, o conjunto das Leis de Deus. Não cobrar, não matar, usar o branco, evangelizar e utilizar as forças da natureza. O holocausto, ou o sacrifício de animais, é totalmente alheio às práticas da Umbanda.”

Como Primeira Etapa da Missão do Caboclo Sete Encruzilhadas, fundava-se assim, o primeiro Templo oficializado ao culto de Umbanda, com o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque, nas palavras da Entidade: “Assim como Maria acolhe em seus braços o Filho, assim a Tenda acolheria todos os Filhos que na hora de aflição à ele recorresse”. Daí em diante, a Tenda passou a ser procurada por crentes, descrentes, enfermos e curiosos, aumentando o numero de pessoas que à Umbanda recorria.

Zélio não admitia a retribuição monetária pelos trabalhos espirituais, e nem os presentes eram admitidos por ele, pois seu lema era: - “Dar de graça o que de graça recebia!”.

Centenas de médiuns que eram recusados em Centros Espíritas Kardecistas, porque recebiam entidades que se apresentavam como Caboclos, Pretos-Velhos e Crianças, aderiam diariamente ao novo culto de Umbanda, aumentando ainda mais o número de adeptos. Muitos doentes, cujas doenças eram consideradas mentais, recuperaram-se pela Umbanda, pois nada mais era do que manifestação mediúnica, formando-se assim o lema: - “Muitos vem à Umbanda pela dor, e nela ficam pelo Amor!”.

O trabalho do Caboclo Sete Encruzilhadas e de seu médium Zélio Fernandino de Moraes, foi árduo e incessante para o esclarecimento, difusão e sedimentação da Religião de Umbanda. Enquanto esteve encarnado, foram fundadas mais de 10.000 Tendas.

Após 55 anos de atividade, Zélio entregou a direção dos trabalhos da Tenda Nossa Senhora da Piedade, a suas filhas Zélia e Zilméia, e junto com sua esposa Maria Izabel Morse de Moraes – médium ativa da Tenda e aparelho do Caboclo Roxo, fundaram a Cabana de Pai Antonio, no Distrito de Boca do Mato, Distrito de Cachoeira do Macacu – RJ.

Observação: Zélio Fernandino de Moraes desencarnou em 03 de Outubro de 1.975, com 87 anos de idade. Suas filhas – Zélia e Zilméia - procuraram dar continuidade ao trabalho, e a Tenda Nossa Senhora da Piedade existe até hoje, (ano 2007), na Rua Teodoro da Silva, 997, RJ., sob a direção de: Zilméia de Moraes, de 93 anos de idade. Zélia de Moraes veio a desencarnar em 26 de Abril de 2.000.

SEGUNDA ETAPA DA MISSÃO DO CABOCLO SETE ENCRUZILHADAS - A DOUTRINA:

Em prosseguimento à sua missão de Fundador, o Médium Zélio iniciou as aulas doutrinárias para o preparos dos médiuns que iriam dirigir os outros Sete Templos que o Caboclo Sete Encruzilhadas deveria fundar.

1 - PREPARO MEDIÚNICO.

Esse preparo mediúnico baseava-se no ensinamento da Doutrina de Jesus – o Cristo, onde o Evangelho era a base, e sempre recomendava o que é necessário para a prática correta e leal da mediunidade:

  1. Não ter vaidade e praticar o Amor na Palavra e na Ação.
  2. Praticar, manter elevado padrão moral e conquistar as diversas etapas necessárias para o desenvolvimento pleno do Conhecimento em todos os campos.
  3. Proceder corretamente dentro e fora do Templo, com um pensamento positivo para si mesmo e para com os semelhantes.
  4. Prestar socorro espiritual gratuitamente à todos que dele necessitando recorram ao médium.
  5. Praticar a mediunidade como Missão e nunca como profissão; portanto, não aceitar retribuição monetária pelos trabalhos espirituais.
  6. A única retribuição é a certeza do dever cumprido, pois a Caridade é o símbolo do Espírita.
  7. Praticar e carregar Cristo como a única certeza da vida.

2 – A CODIFICAÇÃO DA UMBANDA COMO a CIÊNCIA, a FILOSOFIA, a RELIGIÃO e os RITUAIS.

Primeiro: A primeira manifestação do Fundador da Umbanda, o Caboclo Sete Encruzilhadas, aconteceu dentro de um Centro Espírita Kardecista.

Conclusão: Pelo uso do simples raciocínio da lógica e do bom senso, conclui-se que as Obras da Codificação do Espiritismo, o atendiam em seus anseios de Doutrina Espiritual, pois se assim não fosse, nada teria que lá fazer e iria incorporar em outro local.

Segundo: Testemunhos históricos de quem esteve presente no ato da incorporação do Caboclo Sete Encruzilhadas, dão conta que ele manteve argumentação segura para com os dirigentes espirituais do Centro Espírita, e os questionou do porque lá não poder permanecer e também de não poder dar as suas mensagens.

Conclusão: Se alguém “argumenta” e “questiona”, é porque está convicto de suas pretensões. Hoje, o tempo provou que as intenções do Caboclo eram as melhores.

Analisando-se as “argumentação” e “questionamentos”, sabe-se que ele ficou decepcionado com as atitudes dos dirigentes Kardecistas de então, e a decepção, entende-se, acontece quando se perde alguma coisa, e o Caboclo sabia que ali se perdia muito. Note-se que o questionamento inicial partiu de pessoas vivas (dirigentes), as quais no uso (errado) de seu Livre Arbítrio, não atentaram para uma situação nova, onde se fazia necessário, em virtude do “caldeirão de culturas” e problemas espirituais de que era o Brasil de então, que espíritos desse naipe (de luta e de choque imediatos), se fizessem presente mediunicamente, preenchendo um vazio espiritual. (Ver no Livro dos Espíritos – página 99 – questão 107, e também a página 100, questões 108 à 111, as classes de Segunda e Primeira ordem, “Espíritos Bons e Espíritos Puros”, os quais se enquadram como sendo os nossos Guias Espirituais Trabalhadores, e Orixás da Umbanda.)

Terceiro: Se o Caboclo Sete Encruzilhadas tivesse sido aceito quando de sua primeira manifestação dentro do Centro Kardecista, a religião de Umbanda não teria sido fundada.

Conclusão: Somente existiria o Espiritualismo de Kardec, só que acrescido das incorporações dos Espíritos que hoje militam na Umbanda.

Quarto: Tivesse acontecido o “item terceiro” acima, nunca teria acontecido a desinformação de        inexistir uma Codificação da Umbanda; e muito menos que leigos ou espertalhões, no atendimento de seus próprios interesses, “empurrar” codificações que atentam para essa lógica inquestionável, que é a de que a Umbanda nasceu dentro de um Centro Kardecista. Havendo o entendimento dessa lógica primária, fica fácil de se entender que: “não se pode Codificar o que já está Codificado”.

Conclusão: A Umbanda já nasceu Codificada, e pelos Livros Espiritualistas de Kardec:

Os Livros Kardecistas são a Base Doutrinária da Religião de Umbanda: (1) O que é o Espiritismo?; (2) O Livro dos Espíritos; (3) O Livro dos Médiuns; (4) O Evangelho Segundo o Espiritismo; (5) O Céu e o Inferno; (6) Gênese e; (7) Obras Póstumas.

Observação:

Da mesma forma que a Bíblia atende vários seguimentos religiosos, também a Codificação feita por Kardec atende tanto o Espiritismo Kardecista como a Umbanda, e isso porque Deus e a Verdade não são propriedade desta ou daquela religião; mas sim, de todos que O  procuram. Aos intransigentes, cabe aqui uma pergunta: Kardec, ao fazer a Codificação, quis fundar uma religião? Ou quis trazer a Verdade Espiritual para todos?

Quinto: Sobre o “Livro Referencial Litúrgico dos Rituais de Umbanda”.  Fazem parte do cerimonial da Umbanda, o Batismo, Confirmação, União de Casais, Amacis, e outros rituais. Muitas Uniões, Federações e Associações que são reconhecidamente sérias, como parte da outorga do título de “Sacerdote de Umbanda” ao postulante, administram cursos com a finalidade de transmitir esses conhecimentos. Como nem todos os dirigentes de Templos conhecem esses rituais unificados, essas lacunas são preenchidas, muitas vezes, pelo próprio Guia Espiritual, o qual se coloca na função de Celebrante.  Sabe-se que nos Congressos, onde se reúnem os dirigentes de Uniões, Federações e Associações, vem-se trabalhando no sentido de unificação dos rituais, fornecendo-se a base referencial. É um começo.

TERCEIRA ETAPA DA MISSÃO DO CABOCLO SETE ENCRUZILHADAS - A FUNDAÇÃO DE SETE TEMPLOS

Passados dez anos da fundação do primeiro Templo, o Caboclos 7 Encruzilhadas anuncia a fundação de mais sete Templos no Rio de Janeiro:

  1. Nossa Senhora da Guia..........................Dirigente: Leal de Souza
  2. Nossa Senhora da Conceição.....................Dirigente: Durval de Souza
  3. Santa Bárbara..................................Dirigente: João Aguiar
  4. São Pedro......................................Dirigente: João Meireles
  5. Oxalá..........................................Dirigente: Paulo Lavois
  6. São Jorge......................................Dirigente: João Severiano Ramos
  7. São Jerônimo...................................Dirigentes: José Pessoa e Aniro M. Batista

Também, influenciados pelo próprio Zélio e com origem nos sete primeiros Templos fundados, em São Paulo fundam-se vinte e três Tendas. Em Santos fundam-se dezenove. Outras centenas de Tendas são fundadas em vários Estados do país. A maioria sob a supervisão direta do Zélio ou, dos dirigentes dos primeiros Sete Templos, ou de pessoas de origem destes.

Observação:

Hoje, em qualquer trabalho de pesquisa nos diversos terreiros em São Paulo, é notório o desconhecimento sobre os fundadores da Umbanda e sua Doutrina.

QUARTA ETAPA DA MISSÃO DO CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS - A FUNDAÇÃO DE UMA FEDERAÇÃO:

Em 1.939, o Caboclo Sete Encruzilhadas determinou a fundação de uma Federação, para que congregasse os Templos Umbandistas, e que deveria ser o núcleo central do culto. Essa Federação foi batizada de União Espírita Umbandista do Brasil. Em 1.949, surgiu o Jornal da Umbanda, e até 1.970 foi o porta-voz doutrinário da Federação. Durante o decorrer de sua vida mediúnica, o Médium Zélio de Moraes foi entrevistado várias vezes (informado ser 96 - noventa e seis -), e suas explanações sobre a Doutrina de Umbanda foram publicadas em Jornal, bem como gravadas em K-7, sendo as suas orientações, referenciais de conduta, tanto pessoal como para os dirigentes de Templos de Umbanda.

Observação:

Diversos dirigentes de terreiros, procurados pelo Autor, dizem desconhecer o assunto, e outros até se mostraram surpresos com essa informação de existirem orientações por escrito e de gravações ao vivo, tanto do Zélio como do Caboclo 7 Encruzilhadas. Felizmente, o Autor possui gravações e transcrições de muitas das orientações dos Fundadores.

QUINTA ETAPA DA MISSÃO DO CABOCLO SETE ENCRUZILHADAS (DO ASTRAL) - UNIFICAR TODOS OS CULTOS DESGARRADOS DA UMBANDA

Em fins do século passado (antes de 1.900), e antes da fundação da Umbanda pelo Caboclo Sete Encruzilhadas, já estavam acontecendo as manifestações de espíritos de Caboclos e Pretos-Velhos, em diversos médiuns e em muitos Centros Espíritas de todos os Estados do Brasil. Essas primeiras manifestações deram origens às Tendas, onde nelas incorporavam os espíritos de Caboclos, Pretos-Velhos e Crianças; mas, cujos dirigentes e médiuns, pela distância ou desconhecimento de outros, não mantinham contato com demais pessoas do mesmo culto, não havendo portanto, troca de informações e padronização. Muitas dessas Tendas, nada mais eram do que quarto e cozinha arrumadas para a prática do culto, onde a imagem do Cristo ficava em cima do fogão, e de tão pequenas que eram, quando uma pessoa queria entrar para falar com o espírito incorporado, outra tinha de sair. Também, a partir de 1.930, com o crescimento religioso verificado, nem todos os dirigentes souberam manter-se na função de Missionário da Espiritualidade. 

A mistura com outros cultos, com a pratica de ritos de sangue, a vaidade, a intolerância, as tentações que o dinheiro exerce, foram e são os principais responsáveis pelo grande número de templos que usam o nome de Umbanda, sem contudo seguirem as normas estabelecidas pelo Caboclo Sete Encruzilhadas, sem observarem o Evangelho de Cristo, e sem se importarem em manter o principal ditado sobre a Umbanda:  “Umbanda é a Manifestação do Espírito para a prática pura da Caridade!”.

Em vista desse desvio de conduta de dirigentes sem preparo moral e espiritual para a envergadura de servir apenas a religião e não dela se servir, preocupados apenas com os seus egocentrismos, vaidades e oportunismo, lançaram artifícios de derivações da Fonte Única da Umbanda, e na “qualidade de fundadores”, já que não queriam reconhecer e divulgar o Médium Zélio Fernandino de Moraes e o Caboclo 7 Encruzilhadas como os Reais e Verdadeiros Fundadores da Umbanda, criaram suas religiões com nomenclaturas infundadas, criando siglas diversas, e uma série de outros designativos que nada mais são do que deturpações da Umbanda Original; e como isso veio a gerar confusão e desagregação no seio da Verdadeira Umbanda, fazendo com que a macumba prevalecesse sobre o nome Umbanda, e hoje é quase a maioria.

Essa Quinta Missão não será fácil de ser alcançada, mas, mesmo que à longo prazo, caminha para tal, devido os fatores: Hoje, existem ainda pessoas, dirigentes de Templos, verdadeiramente compromissadas com a Umbanda e os propósitos dos Fundadores, e estes, em seus Templos, mesmo sabendo serem minoria, transmitem com fidelidade a Doutrina do Evangelho de Cristo.

Hoje, a cultura do povo é melhor, e muitos médiuns não mais aceitam a fé cega sem o Conhecimento, e isso contribui para a separação do joio do trigo.

Os próprios e verdadeiros Guias Espirituais, especialmente os que estão sob a coordenação direta do Caboclo Sete Encruzilhadas, o qual, junto com o primeiro médium da Religião de Umbanda – Zélio Fernandino de Moraes – nas qualidades de Governadores da Cidade de Aruanda a verdadeira morada dos espíritos que trabalham para a Primeira e Única Religião de Umbanda, esclarecem melhor sobre a Religião de Umbanda, sobre a conduta, advertindo sobre o certo e o errado, sobre as coisas da matéria, sobre as coisas espirituais e do espírito, sobre muitas coisas que antes eram consideradas tabus, e muitos promovendo verdadeiras doutrinações, enfim, não deixando mais os aventureiros com os seus livros e escolas, com informações fantasiosas, se alastrarem pelas mentes das pessoas que procuram a orientação correta, mas que são desviadas do Verdadeiro Caminho da Verdadeira Umbanda, devido encontrarem as trevas das macumbas travestidas da Santidade da Umbanda.

SEXTA E SÉTIMA ETAPA DA MISSÃO DO CABOCLO SETE ENCRUZILHADAS (DO ASTRAL):

Não podem dar prosseguimento, em necessidade de primeiro precisarem “arrumar a casa”. Sobre esse aspecto, nos informam que, mesmo que isso demore um pouco de tempo, inclusive para se fazer cumprir a Lei do Carma, pela Lei da Reencarnação onde cada vida nova é um resgate de erros de vidas passadas, todos os que hoje denigrem a Verdadeira Umbanda, após os seus desencarnes, no futuro, e em nova vida, para a Umbanda retornarão para consertarem os seus erros de hoje; só que antes, no Mundo Espiritual, arcarão com as conseqüências de seus atos de hoje, sendo “essas conseqüências” os motivadores de quererem retornar para a expiação de seus erros. Os bons espíritos sempre ensinaram que: “infelizmente, sem a experiência e o sofrimento, não se aprende”!

COMPROMISSO DO TEMPLO DE UMBANDA OXALÁÇA:

Através os esforços de seus Dirigentes do campo Material e do campo Espiritual, que as atividades do Templo e seus membros, estejam sempre enquadrados dentro dos conceitos religiosos ditados pelo Zélio Fernandino de Moraes e Caboclo 7 Encruzilhadas, atendendo principalmente as orientações do Espírito Mentor e Protetor de nosso Templo - o Caboclo 7 Flechas.

A BIOGRAFIA DE GABRIEL MALAGRIDA – PENÚLTIMA VIDA DO CABOCLO 7 ENCRUZILHADAS

Nasceu na data de 18 de Setembro de 1689, na Vila de Managgio, norte da Itália. Desde criança, deu provas de muita inteligência, e uma tendência exagerada para o misticismo. Adorava estudar religião e aproveitava as férias para ensinar catecismo aos irmãos e colegas de rua. Sua brincadeira predileta era montar um altar no quintal e ali, rezar e oficiar missa. A sua mãe, Dona Ângela, chamava o filho de “o Anjo da casa”. Aprendeu com o seu pai Giácomo, o dom da caridade. O seu pai era um médico de renome, consultado até por príncipes, mas dedicava boa parte de seu tempo cuidando de doentes pobres que visitava nas distantes montanhas. Na parte nobre da casa, havia o que os Malagridas apelidaram de o “quarto do santo”, e isso por conta do teto coberto de pinturas de Nossa Senhora. O sonho do casal era ver os filhos formados padre e rezando missa ali. O projeto deu certo. Dos onze herdeiros, três viraram sacerdotes.

Aos 12 anos, o pequeno Gabriel foi estudar no colégio dos Padres Somascos, na cidade de Como. Gabriel não era um aluno como os outros. Ele tinha hábitos estranhos. Mordia os dedos até sangrar, e quando lhe perguntavam a razão daquilo, mordia os dedos até sangrar; e quando lhe perguntavam a razão daquilo, respondia: “é para a salvação dos infiéis”. Nascia assim, o costume das penitências físicas que o acompanhou até o fim de sua vida terrena.

Estudou em colégios na cidade de Milão, até o ano de 1711, quando completou os estudos regulares. Tinha 22 anos de idade. No mesmo ano de 1711, em 27 de Setembro, foi para a cidade de Gênova, e entrou na Companhia de Jesus. Em 1713, com 24 anos de idade, formou-se Jesuíta. Por vontade própria, chegava a fazer jejum três vezes por semana; e dizia que era para refrear a natureza intima, e guerrear contra as tréguas do corpo. Estudou até o ano de 1721, quando então, resolveu dedicar-se às Missões de Catequeses, que eram feitas em terras novas – colônias, e aplicadas sobre povos selvagens, ou que não tinham o conhecimento da igreja católica. Para conseguir o seu intento de virar Missionário nas Américas, ele precisava convencer o Bispo Geral dos Jesuítas. Para esse convencimento, precisou trocar os Estudos Avançados de Teologia, pela Literatura pela Catequese dos Índios. Quando da entrevista com o seu superior, o convenceu com as seguintes palavras: “Aos povos da Itália, não cansam meios de chegar à salvação; além-mar, pelo contrário, inúmeras nações jazem ainda nas trevas da idolatria; vamos acudir a essas almas desamparadas”.

Nesse mesmo ano – 1721, Gabrile Malagrida saiu de Lisboa e veio para o Brasil, desembarcando em São Luis do Maranhão - Maranhão, onde mesmo havendo constante pedidos e até súplicas, somente após dois anos, os seus superiores o designaram para fazer pregações nas vilas e aldeias indígenas. Os seus superiores preferiam o erudito religioso nas salas de aula dos Seminários de Jesuítas. Também entendiam que Malagrida precisava de um preparo maior e adaptação, antes de manter contato e ter convívio com arredios e perigosos nativos.

Na realização de seu antigo sonho de ser um Missionário Indígena, percorria as matas a pé, descalço, vestido apenas com a batina típica dos Jesuítas, o que, convenhamos, não era a melhor maneira de atravessar o interior maranhense, ou de outros estados, quando qualquer bom mateiro sabe, andar por lugares assim, tem que se proteger do mato com roupa de couro, botas, andar sempre a cavalo ou burro.

Também, Malagrida era um asceta; por isso, era comum, em suas pregações, ele se açoitar publicamente.

Uma vez, Malagrida rezava o Sermão da Montanha, quando lhe apontaram um homem pecador, cheio de vícios e ignóbeis costumes. Como não conseguia, com palavras, converter o cidadão, Malagrida, então, despiu seu dorso, e bateu-se com o chicote até o sangue espirrar de suas costas e atingir o pecador, este não se conteve e, em lágrima, ajoelhou-se aos pés do Padre, implorando com gemidos, o perdão de seus crimes.

Em 11 de Outubro de 1723, foi nomeado pregador do Colégio do Pará; e ali, o encarregaram como catequizador dos alunos. Não cessava, contudo, de missionar nas cidades e aldeias circunvizinhas, até que lhe ordenaram que voltasse ao Maranhão, sendo logo escolhido para Reitor da Missão de Catequese dos índios Tobajáras. No século XVIII, os índios eram numerosos e arredios ao contato com os brancos. A maioria dos índios já havia sofrido muito com os portugueses, quando Malagrida iniciou o seu trabalho de catequese

Nesse tempo de Malagrida, dificilmente se tinha um padrão geral de comportamento dos índios, pois algumas tribos abrigavam-se em cavernas como as feras, e alimentavam-se unicamente do que caçavam; sendo que muitas vezes envolviam-se em pelejas com outras tribos, e os vencedores devoravam os vencidos; e outras tribos viviam nas matas fechadas, construindo casas de madeira e coberturas por folhas.

Malagrida sofria muito toda a sorte de infortúnios até conquistar a confiança dos índios que visitava em suas aldeias. Muitas vezes, acontecia de aprisionado pelos índios, ... estes faziam assembléias e decidiam matá-lo. Por vezes, quando do ato de o matarem, acontecia um imprevisto que paralisava a ação dos índios. Certa vez, uma índia velha, mas respeitada pela tribo, no último momento conteve o braço do índio que ia desferir a borduna na cabeça do Padre, e ela – a índia velha disse a todos: - “Pare, da última vez que um índio matou um padre roupa negra, esse índio morreu devorado por vermes que saiam de seus buracos”. Assustados, o libertaram e o trataram bem, iniciando aí, a catequese.

Outra feita, em outra aldeia, quando decidiram matá-lo, já havendo um prenúncio de tempestade, um raio caiu sobre a casa principal, nela pondo fogo. Os índios entenderam isso ser um sinal de mau agouro, e que o padre era protegido pelos deuses do céu. E tantas e tantas outras situações de perigos enfrentados por Malagrida. E sempre, para sua sorte, saindo ileso, ou quase. E isso, fazia nele crescer o convencimento de que, realmente, ele era um protegido, e que a sua missão era divina. Essa condição o sustentava em seu desejo primeiro: a catequese dos índios; apesar de que Malagrida considerava os índios, um povo bárbaro e selvagem; mas que, nunca aceitariam escravidão de qualquer forma. Exatamente por isso, o Jesuíta sempre defendeu a tese de que as aldeias deveriam ficar o mais longe possível de qualquer contato com os portugueses. Malagrida temia pela saúde moral e física dos nativos, e combatia a tradição dos colonizadores que pegavam os índios para trabalharem nas lavouras.

De 1724 a 1727, viveu entre os selvagens, missionando sempre, correndo perigos, que enfrentava corajosamente; mas, sempre dando provas de estar acompanhado de um misticismo extravagante e exagerado, o que, no futuro viria a lhe ser fatal. Quando ele fazia as narrativas de suas empreitadas missionárias, mencionava constantemente que vozes misteriosas o avisavam de perigos, e que todos os seus atos estavam permeados de prodígios e milagres. Enfim, o Padre Jesuíta Católico Gabriel Malagrida, julgava-se um Favorito do Céu.

No ano de 1727, ainda no Maranhão, seus superiores o designaram para Regente (professor) do Colégio dos Jesuítas, e para a cadeira (matéria) de Belas-Letras. Em 1728, pediu para voltar aos serviços missionários de campo, e sempre na catequese de índios. Foi mandado para uma tribo, considerada como a mais selvagem do interior do Maranhão – a Tribo dos Barbados; onde lá, além de quase conseguir a total conversão dos índios, ainda fundou uma Escola-Missão, que teve grande desenvolvimento.

Em 1730, atendendo novamente determinação superior, regressou para o Colégio dos Jesuítas do Maranhão, e foi encarregado de reger (ser professor), ao mesmo tempo, de duas cadeiras (matérias) – Teologia e Belas-Artes. A vida na capital não sossegou o Padre. Em São Luis, iniciou nova etapa de sua jornada: a de Missionário Popular. Ao invés dos índios, cuidava agora, só dos brancos moradores das periferias. Dava aulas de Teologia durante a semana, e aos sábados partia para os povoados vizinhos de São Luis. Nessas suas viagens, precisando dormir, e no mato, usava o livro grosso das rezas cotidianas, como seu travesseiro; e, para se proteger dos perigos das matas fechadas, usava um cajado.

O carisma de Gabriel Malagrida aparecia sempre quando de seu jeito de atrair os fiéis para a sua pregação. Nas igrejas, juntava os fiéis, e com um estandarte nas mãos, fazia todos saírem em procissão cantada, e pelas ruas da cidade. Parava nas praças, e o Jesuíta fazia o povo ficar à sua volta. Ali, dava aulas de catecismo, representava teatralmente as principais passagens bíblicas, e depois interrogava a platéia sobre os assuntos religiosos.

Foi numa dessas pregações interativas em São Luis, que Malagrida fez o que os livros tratam como o seu “primeiro milagre”. Falava aos fiéis sobre a importância da reconciliação entre inimigos, quando um dos ouvintes contou que cometera injúria mortal contra um de seus parentes, e que ali estava. Na frente do antigo desafeto, contou que estava disposto a pedir perdão, mas o homem não quis fazer as pazes.

Malagrida, indignado, interferiu: - Meu irmão, não quereis perdoar a vosso próximo, para que o Senhor vos perdoe? Repetiu a pergunta várias vezes, mas como o indivíduo insistia na recusa, Malagrida gritou atordoado: - Pecador, recusas a escutar o teu Deus que te convida a perdoar, não tardará que prestes contas a teu Juiz de tua dureza, e sofrerás então o castigo merecido”.

Pronto, naquela mesma noite, o infeliz morreu com um tiro de mão desconhecida. O povo passou a tratar Malagrida como “o Profeta”, e ele carregou essa fama não só do Maranhão até a Bahia, como a levou consigo para a Europa e posteridade.

Em 1735, voltou a missionar entre os colonos, seguindo do Maranhão para a Bahia, e dali, para o Pernambuco, e depois voltando para o Maranhão.

Depois, até o ano de 1749, se conservou nessas missões, viajando constantemente por esses (hoje Estados). Nessas suas andanças, em suas evangelizações, sempre teve um carinho especial em demandar a maior parte de seu tempo, para os dedicar aos índios.

Devido sua postura de inflamado pregador, fazedor de milagres, e de uma fé inabalável, granjeou a fama de Taumaturgo (aquele que faz milagres), e com isso, ganhou a denominação de “Apóstolo do Brasil”.

Com tantas andanças pelos Estados do Brasil, e em contanto com gente das mais diversas formas de comportamento, para Malagrida, o Brasil de então, lhe parecia uma Babilônia de Pecados. Nos dias em que passava em cada cidade, o jesuíta pregava contra os amancebados – os casais que se juntavam sem as bênçãos do casamento realizado na igreja. Chegava até a praguejar e amaldiçoar os casais que assim viviam, os quais, mesmo tendo conhecimento da “voz da igreja”, permaneciam na condição de indiferentes. Ele pregava que o amancebamento destruía a finalidade da eternidade da união do homem com a mulher sob as bênçãos de Deus; e isso, além de não criar a segurança do sentido da Família Cristã, criava ainda, negativamente, a condição da imitação de demais casais, os quais se uniam sem responsabilidade perante Deus, o que poderia, sem culpa, no futuro, gerar a dissolução dos casais quando estes bem entendessem. E dessa forma, havendo filhos, estes ficariam à própria sorte, ou sem pai, ou sem mãe, ou sem ambos, e pior, sem o Batizado perante Deus, a igreja e sociedade, agravado por não terem a educação de família, o que poderia, fatalmente, produzir mais e aumentando o número de parias para a sociedade; e entre eles, os ladrões, os assassinos e as prostitutas.

Em um de seus casos, acontecido em Fevereiro de 1744, quando fazia missão no povoado de Várzea Nova, no interior da Paraíba, ficou sabendo de caso antigo de amancebamento, onde o casal vivia junto há mais de 10 anos sem oficializar na igreja, a união pelo casamento cristão. Malagrida foi até a casa do casal. Tentou por todos os meios convencê-los a se unirem pelo casamento. A mulher concordou; mas, o homem, turrão, achou bobagem todo aquele falatório do padre. Em vista da recusa do homem, Malagrida procurou convencê-lo por todos os meios, inclusive o da intimidação do “fogo do inferno”. Nada conseguiu. O homem não arredava pé, não queria casar, e pronto. Malagrida, então, não se dando por vencido, pois à todo custo queria salvar o infeliz casal do pecado da união sem as benção da igreja e de Deus, começou, em suas pregações públicas, a falar do caso; e, num sermão, num momento místico de arrebatamento, vaticinou que se o cidadão não mudasse de idéia, sua alma morreria para Deus, e se perderia para sempre. Acontece que após o vaticínio, realmente esse cidadão veio a morrer, e após reclamar de terríveis dores de cabeça. A fama de Malagrida como profeta e santo, aumentava.

Ainda nessa cidade, Malagrida curou muitas pessoas, sendo um caso até hoje relatado, que, ao encostar a mão em menina moribunda, com febre altíssima, de imediato ficou boa.

Durante suas expedições, Malagrida cruzou com muitos “companheiros  de batina fora da linha”. Alguns cobravam para rezar missa, principalmente para a alma dos defuntos. Outros viviam os “prazeres da carne”. Outros tinham mulheres e filhos, o que, para Malagrida, era um escândalo sem precedentes, já que a igreja determinava o celibato. Em um de suas cartas aos seus superiores, Malagrida escreve: - “Esbarrei num vigário que tinha três mancebas patentes e vinte filhos”.

Malagrida era exigente com os fiéis, e mais ainda com os religiosos, e pior ainda, era a sua auto-cobrança. Tamanha austeridade impressionava até os poucos padres corretos das vilas por onde Malagrida passava. Sempre, depois de sono brevíssimo, o Jesuíta começava a meditação. Todos os dias, inflexivelmente, recitava as Horas Canônicas. Depois, dirigia-se ao confessional, e ali, fazia suas contrições de fé. Ainda depois, por volta da décima hora da manhã, subia ao tablado, e explicava a Doutrina Cristã, tanto para alunos, como para o povo do local, como para quem ali estivesse presente. E ainda respondia perguntas com satisfação, pois entendia que as perguntas a ele dirigidas, era a melhor forma de administrar ensinamentos para quem realmente queria aprender, pois tinha como lema pessoal que: “quem pergunta, é porque quer saber; e quem sabe mais, deve ensinar A quem sabe menos”.

Ficava em diálogo, ou ministrando aulas sobre a Doutrina Cristã, até por volta da primeira hora da tarde; e às vezes, dependendo das necessidades de seu público, ficava até mais tarde, noite, ...

Em situação normal, a partir da primeira hora da tarde, voltava para a casa paroquial, e lá, comia, ou poucas favas, ou um pouco de leite.

Observação:

As informações sobre o cotidiano paroquial de Malagrida, estão transcritas em carta do Padre João Brewer, da cidade de Ibiapaba, cidade onde Malagrida ficou entre 05 e 17 de Fevereiro de 1747. O lugar, hoje, chama-se Viçosa do Ceará. Lá, no altar da igreja matriz, ainda existe uma imagem de Gabriel Malagrida, de quatro palmos de altura, e vestido como São Francisco de Assis; e, ficou assim vestida, porque, quando da reforma da imagem, o artista restaurador, assim a vestiu, pois adorava os franciscanos.

O maior sofrimento de Malagrida, era com as “mulheres da vida”. Ele considerava a prostituição um dos problemas mais graves da Colônia – Brasil. Naquele seu tempo (e ainda até hoje em muitos lugares), se uma menina perdia a virgindade, caía em desgraça perante a sociedade e, como último recurso de sobrevivência para ela, acabava entrando para a prostituição. Malagrida sonhava fazer alguma coisa por essas mulheres. O desafio de “endireitar as prostitutas”, perseguiu Malagrida até 1742, quando conseguiu financiamento para construir o Convento do Sagrado Coração de Jesus, em Igarassu – Pernambuco. Ali, iniciou abrigando 40 “mulheres da vida”, e todas desejosas de conversão; tanto é, que saíram em romaria, de João Pessoa até a cidade pernambucana.

Observação 1:

Esse “Asilo de Madalenas Arrependidas”, como assim ficou conhecido, tinha âmbito regional. As mulheres que não podiam casar por causa de impedimentos, ou delas próprias, ou dos homens com quem viviam, ou por já serem casadas, tinham as portas abertas, e ali, as mulheres ficavam ao abrigo da miséria e das recaídas. Assim escreveu o Historiador Serafim Leite, no livro: “A História Eclesiástica no Brasil”.

Observação 2:

A atual Diretora do Convento, Madre Superiora Maria Medeiros de Paula, de 48 anos de idade (2007), que é freira desde os seus  17 anos, que nunca teve namorado, e também, que não gosta muito de falar sobre o passado de pecados das fundadoras da instituição, explica as regras do Convento para os dias de hoje:- “Hoje, somente aceitamos donzelas; todas nós somos donzelas; e somente entra na ordem do Sagrado Coração de Jesus, somente moça virgem”.

Observação 3:

A 60 quilômetros do Convento, em João Pessoa, num outro endereço, onde o nome da Rua é Gabriel Malagrida, e bem no centro da Capital Paraibana, ali, perder a virgindade é ganhar a vida. Ali, na Rua Gabriel Malagrida, funciona o baixo meretrício da cidade. Entrevistada, a Sra. Lucila Martins, de 59 anos, dona de um dos maiores bordéis da cidade, brinca com o assunto: - “Esse Malagrida era dos nossos, ... ele é o nosso Santo Protetor”.

Em 1749, novamente, vindo a acatar ordens superiores, retorna para a Europa; só que voltava com a fama de “santo”, e sua missão seria a de tratar de arranjar dotações (recursos), para os vários conventos e seminários (escolas) que fundara no Brasil. Seu local de destino foi Portugal, cidade de Lisboa. O pedido para lá ir, tinha partido do próprio Monarca de Portugal – D. João V, o qual, tinha conhecimento da fama de Gabriel Malagrida em terras brasileiras, então pertencentes a Portugal. D. João V estava muito doente e acolheu de braços abertos o santo jesuíta. Gabriel aproveitou e fez toda sorte de pedidos ao Monarca, que o atendeu. Na ocasião, Gabriel Malagrida portava uma imagem de Cristo, talhada em madeira, que tinha sido feita no Maranhão, e a ele sido dado como presente. A bela imagem trabalhada, por ordem do Rei, foi conduzida em procissão para a Igreja de Santo Antão, Lisboa, Portugal. Por ordem também de D. João V, Gabriel Malagrida passou a acompanhar o Monarca em todos os momentos, inclusive determinou que ele ficasse junto de si, na hora extrema de sua morte. Gabriel Malagrida assistiu aos últimos momentos do Monarca.

Em 1751, Gabriel Malagrida retorna para o Brasil, e para o Pará; só que, politicamente não foi bem recebido, pois o governante era o irmão do Marquês de Pombal, de Portugal – declarado inimigo do jesuíta. Essa situação, praticamente obriga o jesuíta a seguir para o Maranhão. Gabriel Malagrida ficou no Maranhão até 1754, e nesse tempo não missionou entre os índios, e sim, entre os já cristãos das vilas e cidades. Também fundou mais um convento e mais um seminário; só que, o seu superior e Bispo, não lhe autorizou a fundação desse último, e na alegação que o Concílio de Trento somente atribuía esse direito de fundação ao Prelado - alguém em cargo superior ao do jesuíta.

Em 1754, atendendo determinação da viúva de D. João V, Dona Maria Ana de Áustria, Gabriel Malagrida voltou a Lisboa – Portugal. Com a morte do Monarca D. João V, quem estava no poder, era o Rei D. José I; mas, na realidade, quem governava era o poderoso Ministro do Rei, Sr. Sebastião José de Carvalho e Melo - o Marquês de Pombal, um notável político estadista, que, com o seu plano de governo, propunha regenerar Portugal. Um de seus tópicos de governo, era livrar Portugal de continuar tutelando a igreja católica, motivo de despesas financeiras enormes para o tesouro da coroa portuguesa.

Observação:

Era interesse dos Monarcas, que os nativos das “terras descobertas” se tornassem dóceis e não beligerantes; e ainda, que fossem aliados: índios e brancos, juntos, fazendo prosperar a Colônia, enquanto os negros continuariam escravos.  E isso se conseguia, e de maneira mais barata, sem o uso de força militar, através os trabalhos de catequese feitos pelos jesuítas, que no uso da pregação de uma religião, fundamentalmente pregava a Paz. Isso desarmava os espíritos indígenas. O “Sistema Padroado”, foi uma concessão do Papa Alexandre VI, aos Reinos de Portugal e Inglaterra, em 1493, o qual lhes criavam obrigações, mas também, lhes sujeitavam o Clero. Só que, poucas pessoas sabem, que os termos de contrato entre a igreja católica e os Monarcas, determinava que esse trabalho seria integralmente custeado pela coroa contratante, ou seja – “sistema padroado”. Em outras palavras, todo religioso à serviço na colônia, seria idem à um funcionário público também da colônia. O Rei de Portugal, por delegação papal, exercia várias das atribuições da hierarquia religiosa e administrava as atividades jesuítas. Também, todas as necessidades de espaço – terrenos e imóveis, seriam doadas aos religiosos. E ainda, nas colônias, nas questões administrativas da política, organização e polícia, as opiniões dos religiosos, deveriam ser consideradas.  Só que, os Jesuítas, talvez pela suas ligações diretas com Roma, talvez pela independência financeira que tinham, tinham uma política independente, e com isso, entravam em choque com os desejos dos governantes. Esses choques eram o de não permitir que índios fossem usados como “guardas de fronteiras”, deslocados para pontos distantes para fortalecer territórios, usados como trabalhadores parcamente pagos, o controle das aldeias, bem como a redução de seus territórios. Por questões como essa, o Marquês de Pombal não podia simpatizar com o Padre Católico Jesuíta e Taumaturgo Gabriel Malagrida.

Note-se que, durante o período em que o jesuíta, anteriormente, tinha estado em Portugal, e junto ao Monarca em seus últimos instantes de vida, e ainda por quase dois anos que ali na Corte ficou, ele se tornou o Padre Confessor e Confidente da Rainha Dona Maria Ana de Áustria. Portanto, apesar de convidado pela Rainha-Viúva, o Marquês de Pombal não podia permitir que o Jesuíta entrasse novamente na intimidade dela, pois isso poderia atrapalhar os seus intentos de política financeira. Pressionado, o Jesuíta viajou para a Cidade de Setúbal; e lá, teve a notícia da morte da viúva. Sem a proteção da viúva de Don João V, o Jesuíta não representava perigo para os intentos do Marquês de Pombal. Religioso convicto que era, e dentro de seu estigma de profeta, com o decorrer do tempo, percebendo a forma degenerada de costumes dos portugueses, o que considerava contrários à vontade de Deus, em suas pregações inflamadas, advertia aos pecadores que as suas condutas iriam fazer vir fogo do céu, bem como castigos divinos onde todos seriam enterrados em vida, e em buracos abertos pelos demônios. E, para essas desgraças não acontecerem, era necessário uma reforma intima, onde todos deveriam viver mais próximos das Leis de Deus.

Não havia um só Setubense e Lisboeta que não soubesse das “Profecias do Jesuíta”, sendo que elas seriam piores para os Lisboenses, que era lá onde residia os maiores pecados e corrupções da alma, inclusive estavam dentro da Corte. Em 1755, conforme tinha profetizado, aconteceu um grande terremoto em Portugal.

Quando do terremoto, Gabriel Malagrida estava em Lisboa.; e, aproveitando-se do fato, ocasião e momento, e dentro de suas previsões, aproveitando o clima de medo reinante no povo, e dos castigos de Deus, trabalhou mais ativamente em suas mensagens, exortando os lisboetas à reforma de seus costumes.  Aquela catástrofe, aliado aos comentários do Jesuíta, provocou um terror imenso na população da Capital.

O Marquês de Pombal, contudo, não gostou nada do que era “alimentado” pelo Jesuíta, tanto pelos seus vaticínios e escritos, como pelas pregações acaloradas. Devido o estado de coisas, caótico, um dos grandes empenhos do Marquês de Pombal foi o de levantar os ânimos abatidos das pessoas, que viam na catástrofe, realmente, um verdadeiro castigo mandado por Deus. Para combater isso, o Marquês de Pombal mandou compor e publicar um folheto escrito por um outro Padre, que explicava as causas naturais de um terremoto, procurando eliminar a crença supersticiosa e desanimadora de que o terremoto fora castigo de Deus; e que por isso, ninguém estava obrigado às penitencias, as orações, as procissões e as compunções (pensamentos de se ter cometido pecados).

Como resposta, o Jesuíta Gabriel Malagrida rebate, e escreve um folheto intitulado: “Juízo da verdadeira causa do terremoto que padeceu a Corte de Lisboa no 1º de Novembro de 1755”. Nesse folheto, combatia com indignação as informações prestadas no comunicado anterior do Marquês de Pombal; atribuía o terremoto como sendo realmente um castigo de Deus para o povo lisboeta; citava profecias anteriores de freiras que preveniam sobre o terremoto; condenava severamente os desabrigados pela desgraça, que teimavam em levantar abrigos provisórios nos campos; execrava os que se habilitavam a trabalhar na limpeza das ruínas provocadas; e recomendava apocalipticamente a necessidade das procissões, das penitências; e sobretudo, determinava o recolhimento e a meditação por seis dias nos exercícios de Santo Ignácio de Loyola.

Por temperamento, o Marquês de Pombal não era homem que permitisse tamanhas contrariedades e subversão da ordem pública; por isso, mandou recolher e queimar todos o folhetos emitidos pelo Jesuíta, bem como determinou o desterro do Padre para a Cidade de Setúbal. Nesse desterro, Malagrida era visitado por muitas pessoas, e entre elas, membros da Família Távora, declarados inimigos do Marquês de Pombal. O Jesuíta imaginava que, com o seu prestígio de Taumaturgo, podia lutar contra a política e vontade do Marquês de Pombal, e de lá, lhe escreveu uma carta ameaçadora.

Infelizmente, em 03 de Setembro de 1758, aconteceu um fato chamado de “Atentado dos Távoras”: - O Rei Don José I sofreu atentado contra a sua vida, e quando voltava de uma farra noturna. O suposto Atentado, e o processo que se seguiu, proporcionou ao Marquês de Pombal, a ocasião para se livrar de vez para sempre do Jesuíta; e daí, conspirou para acontecerem as ilações com a pessoa, e pela carta de ameaça enviada por Malagrida. Por isso, em 11 de Dezembro de mesmo ano (1758), Malagrida foi preso e transferido para o Colégio Jesuíta em Lisboa. No dia 11 de Janeiro de 1759, o Padre Católico Jesuíta Gabriel Malagrida foi considerado Réu de Lesa-Majestade, sendo transferido para as prisões comuns do Estado. Ficou preso numa cadeia imunda, onde usou tinta de parede para escrever dois textos religiosos: um sobre a vida de Santa Ana, e outro sobre o retorno do Anti-Cristo. Também escreveu que o Apocalipse se daria, provavelmente em 1999, e na virada do milênio.

Com mais severidade ainda, o Marquês de Pombal armou denúncia dele à Inquisição como falso profeta, impostor, e pior de tudo, de ser um herege, o que equivaleria à morte na fogueira. Com isso armado, Malagrida foi entregue para a Inquisição. Quando da primeira análise do caso “Malagrida”, os próprios Juízes do Santo Ofício concluíram que não havia razões, ou razão alguma, para que o Jesuíta fosse condenado pela Inquisição. Contrariado com essa decisão, o Marquês de Pombal destituiu o Presidente do Tribunal do Santo Ofício, e nomeou o seu próprio irmão – Paulo de Carvalho, para essa função. Dessa vez, Malagrida estava entregue às “feras”, e com destino marcado. Em segundo julgamento, após um processo considerado por vários historiadores como algo grotesco e premeditado, Malagrida foi condenado pela Inquisição de Lisboa. Acusado de herege, Gabriel Malagrida foi condenado à pena de morte pelo garrote, e depois, que seu corpo viesse a ser consumido pelas “chamas purificadoras da fogueira”. Septuagenário, alquebrado física e emocionalmente, ficou doente; mas, mesmo assim, ainda defendia obstinadamente as suas crenças e convicções. Como um retrato final de sua condição nos seus últimos dias, saiu-se com a frase seguinte: “Se, a vida que vivi até os 72 anos, foi uma simples hipocrisia e impostura, possam os cravos que prendem Nosso Senhor Jesus Cristo a esta cruz, transformar-se em raios de fogo, e reduzir-me a pó”.

O Jesuíta ouviu a sua sentença da sua morte, do alto de uma carroça, com um barrete de palhaço enfiado na cabeça, com as mãos amarradas para trás, e com a batina pintada de figuras demoníacas. Quando o Marquês de Pombal, ao lado do Rei D. José I, ordenou a execução, o Padre foi retirado da carroça e obrigado a caminhar até o cadafalso. Cadafalso este, construído de tábuas em altura acima da cabeça das pessoas. E, por baixo dessa plataforma, diversas toras de madeira empilhadas de forma a cumprir sua finalidade – fogueira. Chegando às escadas, o Padre beijou-as, subiu ao tablado, olhou para o povo, jurou inocência e perdoou todos os seus acusadores, supliciadores, injuriadores e carrasco. Caminhou ao local onde ficaria amarrado, e teria o garrote passado em volta de seu pescoço, no que até ajudou o carrasco, apresentando livremente o pescoço. Amarrado e com o garrote passado, erguendo os olhos para o Céu e exclama: “Senhor, nas Vossas Mãos entrego a minha Alma”.

O carrasco dá a primeira volta no garrote e, a corda se rompe. A multidão grita assombrada. O Marquês amaldiçoa o carrasco que não tinha previamente verificado seus instrumentos de trabalho. A tragédia estava evitada; mas, apenas por alguns minutos, o tempo suficiente para a troca da corda.

Homens e mulheres, espectadores, condoídos da sorte de um homem santo, iniciam, em coro, a Prece dos Agonizantes. Quatro mil soldados designados para evitar qualquer tumulto ou impedimento, pelas ordens do Marquês, avançam ameaçadoramente para o populacho presente e não permitem a continuidade da oração.

Trocada a corda. O Trabalho do carrasco recomeça. Uma, duas, três, quatro, cinco, o estalar de ossos, seis, sete, ... Em poucos minutos, o Jesuíta estava morto, enforcado pela “Santa Inquisição”.

O carrasco desce do patamar, pega e acende a tocha previamente colocada ao lado, acende-a, e ateia fogo em achas embebidas em óleo inflamável, para que apressasse a queima geral de todas a lenha formadora da fogueira. A fogueira foi acesa. Depois de alguns minutos, o calor era tanto que as pessoas mais próximas recuavam tal o calor. Ela ardeu durante toda a madrugada. Centenas de pessoas velavam o corpo carbonizante.

De manhã, as cinzas foram recolhidas, e após, jogadas nas águas do rio Tejo. Para desgosto do Marquês, corria a notícia, e dada por todos que acompanharam o recolher das cinzas, que o coração do Santo Jesuíta estava intacto, e que o fogo não tinha conseguido queimar o coração do mártir.

O suplício do Auto de Fé, aconteceu no entardecer do dia 21 de Setembro de 1761, tendo sido queimado no Rossio – a praça principal no centro de Lisboa.

O Padre católico Jesuíta Gabriel Malagrida viveu 72 anos, sendo que 30 desses anos passou de pés descalços.

Outras ações do Marquês de Pombal:

O Marquês de Pombal não parou por aí. No sul do Brasil, estavam acontecendo as “Guerras Guaraníticas”, onde os Jesuítas se aliaram aos índios, e guerreavam contra os portugueses, que queriam ampliar os limites de territórios e fronteiras do país, sendo que, com isso, os índios eram “empurrados” cada vez mais para o interior da selva, o que contrariava os seus hábitos, pois quando no Brasil os portugueses chegaram, a maioria dos índios viviam à beira-mar, que proporcionava melhor clima e melhores meios de sobrevivência. Em 1759, o Marquês de Pombal conseguiu expulsar todos os Jesuítas de todas as Colônias Portuguesas. Todas as propriedades relativas às atividades dos Jesuítas foram confiscadas. Em 1773, por influência política, conseguiu junto ao Papa Clemente XIV, a extinção da Companhia de Jesus em todo o mundo. A Companhia de Jesus só voltou a existir em 1814, e os Jesuítas somente retornaram ao Brasil, no final do século XIX, e após a proclamação da República.

O Processo dos Távoras:

O Processo dos Távoras refere-se a um escândalo político português do século XVIII. Os acontecimentos foram desencadeados pela tentativa de assassinato do Rei Don José I, em 1758; e, culminaram na execução pública de toda a Família Távora, e dos seus parentes e alguns amigos próximos. Alguns historiadores interpretam o assunto como uma tentativa do Primeiro-Ministro – Sebastião José de Carvalho e Melo - o Marquês de Pombal, de limitar os poderes crescentes das famílias de alta nobreza.

No seguimento do terremoto de Lisboa, em 1º de Novembro de 1755, que destruiu o palácio real, o Rei Don José I vivia num grande complexo de tendas e barracas instaladas na Ajuda, às saídas da cidade, pois lá era o presente centro da vida política e social portuguesa. Apesar de serem acomodações pouco espetaculares, as Tendas da Ajuda, eram o centro de uma Corte, tão glamorosa e rica, como a de Versalhes, de Luiz XV de França. O Rei vivia rodeado pela sua equipe administrativa, liderada pelo Marquês de Pombal, e pelos seus nobres.

O Marquês de Pombal era um homem severo, filho de um fidalgo de província, e com algum rancor para com a velha nobreza, que o desprezava. Desavenças entre ele e os nobres, eram freqüentes; mas, toleradas pelo Rei, que tinha confiança em Sebastião e Melo, pela sua liderança inteligente e competente.

Don José I era casado com Dona Mariana Victória de Borbón, princesa espanhola, e tinha quatro filhas. Apesar de ter uma vida familiar estável e com alegria, pois o Rei adorava suas filhas e apreciava estar com elas e levá-las sempre em passeios, Don José I tinha uma amante, e de nome Tereza Leonor, que era esposa de Luiz Bernardo, um fidalgo na qualidade de herdeiro da família Távora.

O Marquês de Pombal tinha muitos inimigos na nobreza portuguesa; e um deles, ferrenho, era o Conde de Alvor – Don Francisco de Assis - antigo Vice-Rei das Índias.

O Conde de Alvor, era casado com a Marquesa Leonor de Távora, e ambos eram os respectivos representantes de uma das famílias mais poderosas do reino português, e ligados às Casas de Aveiros, Cadaval, São Vicente e de Alorna. Além da Marquesa Leonor de Távora ser uma mulher imiscuída na política, e ser influente na Coroa, ela também era preocupada com todos os negócios de Estado, os quais, a seu ver, estavam entregues a um novo-rico sem nenhuma educação, sem nenhuma nobreza, e sem nenhum preparo para as finalidades. Ela também era uma devota católica, com forte filiação aos Jesuítas, e tendo como Padre Confessor, um deles, o Gabriel Malagrida.

O Atentado contra o Rei:

Aconteceu que, na noite de 3 de Setembro de 1758, Don José I seguia, incógnito, numa carruagem, por ruas secundárias e nos arredores da cidade de Lisboa. O Rei regressava para as Tendas da Ajuda, depois de mais uma noite com a amante Tereza Leonor. No caminho, a carruagem foi interceptada por três homens desconhecidos, que dispararam uma arma de fogo sobre o ocupante e cocheiro. Don José I foi ferido em um braço, e o cocheiro foi gravemente ferido. Apesar de feridos, conseguiram retornar para as Tendas de Ajuda.

De imediato, o Marquês de Pombal tomou controle da situação. Mantendo em segredo os fatos, o ataque, e os ferimentos infligidos ao Rei, ele iniciou rapidamente as investigações. Poucos dias depois, dois homens foram aprisionados como suspeitos, e torturados. Sob tortura, confessaram suas culpas, e que tinham sido contratados pela Família dos Távoras. Confessaram mais ainda, dizendo que os Távoras conspiravam contra a Coroa, e que a intenção, após a morte e Don José I, seria a de colocarem o Duque de Aveiro – Don José Mascarenhas, no trono. Os dois suspeitos e confessores, após a lavratura jurídica de seus atos, foram enforcados no dia seguinte, antes mesmo da tentativa do regicídio ter se tornada de conhecimento público.

Nos dias que se seguem, a Marquesa Leonor de Távora, o Conde de Alvor, e todos os seus filhos e filhas, netos e netas, foram encarcerados. Os acusados de conspiração, o Duque de Aveiro, o Marquês de Alorna, o Conde de Atouguia, e todos os genros, foram presos, juntamente com todas as suas famílias. O Padre Jesuíta Gabriel Malagrida, por estar na condição de confessor da Marquesa Leonor de Távora, também foi preso. A amante do Rei, também foi presa junto com os demais. No julgamento, todos os citados foram acusados de alta traição e de regicídio. As provas apresentadas em tribunal eram as mais simples: Primeira: As confissões dos assassinos já executados. Segunda: A arma da tentativa de homicídios, pertencia ao Duque de Aveiro. Terceira: Somente os Távoras podiam saber dos afazeres e percurso do Rei nessa noite, uma vez que ele regressava após encontro com sua amante, pertencente a Família dos Távoras.

Apesar dos Távoras negarem todas as acusações, foram todos, condenados à morte. Todos os bens foram confiscados pela Coroa. O nome Távora foi eliminado como sendo de linhagem de nobreza, e os brasões familiares ligados aos Távoras, foram proibidos. A sentença de morte ordenou a execução de todos, incluindo todas as mulheres e crianças. Apenas a intervenção da Rainha Mariana, e de Dona Maria Francisca – herdeira do trono, salvaram a maioria das mulheres e crianças. A Varonia – Linhagem de nome – dos Távoras, foram transferidas para as Casas dos Condes de São Vicente. Os membros da Família Alorna, e as filhas do Duque de Aveiro, foram condenadas à prisão perpétua, e para serem cumpridos em Mosteiros e Conventos. A Marquesa Leonor de Távora, ferrenha inimiga política do Marquês de Pombal, não foi poupada. Tanto ela, como todos os demais acusados e sentenciados, foram torturados e executados publicamente em 13 de Janeiro de 1759, num descampado preparado para isso, como um circo romano de horrores, e fora de Lisboa.

A execução foi cruel e violenta, mesmo para a época: as canas das mãos e dos pés foram partidas com paus, e as cabeças foram decapitadas. Depois, os restos dos corpos foram queimados, e as cinzas jogadas no rio Tejo. Durante a execução, o rei esteve presente, juntamente com toda as sua Corte. As cenas assistidas foram absolutamente chocantes, selvagens e cruéis, o que abalou a todos; mas, o Rei assim quis, para que a lição fosse aprendida, no intuito de que a nobreza, e nem o povo, se rebelasse mais contra a autoridade régia.

O palácio do Duque de Aveiro, em Belém, Lisboa, foi demolido, e o terreno foi salgado, simbolicamente, para que nada mais ali crescesse. Nesse local, hoje chamado de “Beco do Chão Salgado”, existe um marco alusivo ao acontecimento, mandado erigir por Don José; e nessa lápide pode-se ainda ler: “As armas da família Távora foram picadas, e o nome Távora foi proibido de ser citado aqui”.

Discussão da defesa da Família Távora:

A culpa ou a inocência dos Távoras é ainda debatida, hoje, por historiadores portugueses. Por um lado, as más relações entre a alta nobreza e o Rei, estão bem documentadas. A falta de um herdeiro masculino ao trono, era motivo de desagrado para muitos; e o Duque de Aveiro, era de fato, uma opção para o trono. Por outro lado, alguns historiadores se referem a algumas “coincidências”: (Primeira) com a condenação dos Távoras, e; (segunda) posteriormente a dissolução da Companhia de Jesus – os Jesuítas; (terceira) a nobreza fica refreada pelo medo, ao assistirem as cenas de horrores da execução; desaparecem todos os inimigos do Primeiro Ministro – Sebastião de Melo – o Marquês de Pombal.

Em sua defesa, os Távoras argumentaram que a tentativa de assassínio de Don José I, teria sido um simples assalto comum, uma vez que o Rei viajava sozinho e incógnito, à noite, por ruas estranhas, perigosas e escuras, onde nela era comum os assaltos aos desprotegidos já que o rei viajava sem guarda pessoal; e ainda, não havia na carruagem nada que identificasse ou distinguisse o Rei, dos demais cidadãos comuns.

Outra pista, da suposta inocência dos Távoras, é que após o fracassado “atentado”, nenhum dos Távoras ou familiares tentaram fugir de Portugal.

Conseqüências: Culpados ou não, as execuções dos Távoras foram um acontecimento devastador para Portugal, que movimentou toda a opinião pública, já que nessa época, a pena de morte já estava em desuso, e a execução de toda uma família prestigiada constituiu um choque nacional.

A futura Rainha, Dona Maria Francisca I, ficou tão afetada pelos eventos, e pelo que foi obrigada a assistir, que, tão logo chegou ao trono, aboliu a pena de morte, exceto em caso de guerra. Com essa atitude da Rainha Maria I, Portugal foi um dos primeiros países a abolir a pena de morte.

O fim do Marquês de Pombal:

Por esses fatos, e outros sabidos pela Rainha Dona Maria Francisca I, orquestrados pelo Primeiro Ministro – o Marquês de Pombal – Sebastião José de Carvalho e Melo, o desprezo dela, por ele, foi absoluto. Ela removeu-lhe todos os poderes, parte de bens de origem duvidosa, e expulsou-o de Lisboa. Ainda, emitiu um decreto proibindo a presença dele, a uma distância inferior a 20 milhas das linhas de divisa da Capital Lisboa.

Adendos:

Na opinião do filósofo francês Voltaire, na obra “Cândido”, e que se ligo ao processo de Malagrida, pela Inquisição: - “ao excesso de absurdo, juntou-se o excesso de horror”.

Em 2005, o escritor português Pedro Almeida Vieira, publicou o romance: “O Profeta do Castigo Divino”, que tem como personagem principal o Padre Gabriel Malagrida, incidindo sobre o período antes do terremoto de Lisboa de 1755, até a sua morte no Auto de Fé de 1761.

No Brasil, foi também recentemente realizado um documentário sobre a vida desse Jesuíta, e pelo realizador Renato Barbieri.

No Museu das Dorotéias, em São Luiz – Maranhão, está o banco de madeira onde dormia Malagrida. Ele se mortificava sempre. Ao lado do banco, está a imagem de Nossa Senhora das Missões, e o quadro com o desenho do Padre segurando um cajado, que usava durante suas peregrinações nas florestas do Maranhão.

Na capital maranhense, ele também construiu a Capela do Recolhimento de Santa Tereza – o primeiro mosteiro feminino do Estado, onde hoje funciona o Colégio de Santa Tereza.

Na cidade de Aldeias Altas – Maranhão, Malagrida escapou da morte e catequizou os índios Guanarés – etnia extinta do Maranhão.

No município de Várzea do Norte, hoje Santa Rita – interior da Paraíba, o Sr. José Vieira Martins, de 72 anos (em 2007), promove cursos sobre Malagrida. Ali, ele pregou contra os amancebados. Diz a história local, que um homem, não querendo ouvir e desdenhando o Jesuíta, não o quis atender em suas rogativas, e por isso, acabou morrendo instantaneamente.

Também nessa cidade, o Posto de Saúde local, tem o nome de Malagrida, sendo que na frente, há uma enorme estátua de cimento, do jesuíta.

No norte do Piauí, na cidade de Piracuruca, o Jesuíta escreveu que deu a idéia de construir uma grandiosa igreja, e pediu esmolas ao povo para a obra. Aconteceu assim: “Servia de igreja, aí, uma vil casa de farinha, e com quatro papéis mal pintados por cima, e cheias de morcegos. Eu mesmo dei a idéia de construir grandiosa igreja, e todos ofereceram suas esmolas”, conta Malagrida numa carta enviada ao Bispo de Algarve, em Portugal.

Hoje, em 2008, 263 anos depois, o templo de Piracuruca está de pé, e é mantido pelo Padre José da Silveira Ribeiro, de 37 anos, que vive de doações dos moradores da cidade.

Na cidade de Igarassu, em 1742, construiu o Convento do Sagrado Coração de Jesus, para onde levou 40 prostitutas convertidas. Na porta do Convento, há uma placa que registra Malagrida como o fundador da Ordem do Sagrado Coração de Jesus no Brasil.

Na cidade de Viçosa do Ceará (antiga Ibiapaba) – Ceará, no altar da igreja da cidade, há uma imagem de Malagrida, vestido igual à São Francisco de Assis. A imagem tem aproximadamente 80 centímetros de altura. Nessa cidade, Malagrida passou 12 dias, tomando leite e comendo mandubi – fruta com sabor de noz.

Na cidade de Jacobina, quando por lá passou, Malagrida ficou escandalizado com a pobreza da igreja matriz, e exigiu do vigário que construísse uma igreja nova, utilizando-se das economias do próprio vigário, e com a ajuda do povo da cidade.

Na cidade de Salvador – Capital da Bahia, quando por lá passou, Malagrida construiu o Convento de Soledade.

O único livro publicado em português, e até o momento (2007), sobre Gabriel Malagrida, é o do Jesuíta Italiano - Ilário Govoni, morador em Terezina – Piauí.

O livro chama-se: “O Missionário Popular do Nordeste” - Coleção Heróis da Fé, Porto Alegre, 1992.

Consta que o Professor e Historiador da Universidade de Brasília, DF, Sr. Vitor Leonardi, é um emérito pesquisador de Gabriel Malagrida. Consta também, que ele teve acesso aos relatos de Mathias Rodrigues, um dos companheiros de apostolado de Malagrida, e todos relacionado ao tempo em que ambos estiveram aqui no Brasil.

O manuscrito de Mathias Rodrigues está hoje, na Biblioteca dos Padres Boulandistas, em Bruxelas, na Bélgica.

Cronologia:

Os motivos (o Compromisso) que originou a Fundação da Umbanda:

Falar sobre a Umbanda, hoje, sobre a verdadeira, bem como sobre as falsas, se torna muito fácil, desde que se disponha a pesquisar sobre as “causas”, pois tudo, hoje, é “efeito”.

Falar sobre o Caboclo Sete Encruzilhadas, bem como sobre o Padre Jesuíta Malagrida, também é um pouco fácil, já que existem muitas informações sobre essas entidades.

Agora, falar sobre a motivação primeira, a que dá origem à essa necessidade de uma Entidade (tanto quando encarnada, como quando desencarnada [em espírito]), a se consolidar em Qualidades, Aptidões, Ordens e Direitos, para que venha a fundar uma nova religião, e no meio de tantas outras, essa pergunta só pode ser feita por quem, sobremaneira, em nenhum momento se contenta apenas em “ser ovelha seguindo o pastor”, ou “cego sendo guiado por outro cego”, ou “covarde submisso se entregando para quem julga ser a solução”, e quer, dentro das quantidades das ofertas das religiões existentes, em vista de não ter sido arrebatado por indução ou condicionamento para uma delas, ao fazer de uma delas - religião, uma sua escolha, quer legitimá-la no Sagrado, para que, não havendo contestação ou reprovação no sentido da finalidade da vida, que é a evolução em todos os sentidos, tanto material como espiritual, não lhe pese na consciência erro de escolha, o qual fatalmente, lhe trará conseqüências, e negativas.

Munido então, do desejo com causa, e este sendo nobre, “não há portas que não se abram”, e nas palavras de Cristo: - “Peça e será atendido”, a Revelação Espiritual surge, e aquilo que já foi dito para muitos Umbandistas de fato e de direito, também me é passada:

1ª)  Em último, um espírito que se identificou como o Caboclo Sete Encruzilhadas;

2ª)  Em penúltimo, um índio brasileiro da tribo dos Tupinambás, vivendo junto à Natureza, para dela ser conhecedor nos aspectos de flora, fauna, remédios, interação, e o mais importante, como um grande defensor ecológico, pois a maioria dos Seres Humanos, em suas degradações e corrupções pelo vil metal, não vem a possuir consciência que os façam pesar as conseqüências de seus atos de destruição; e essa consciência ecológica é bandeira da Umbanda, pois como profeta que é, o fundador da Umbanda, lá no passado, já tinha antevisto os problemas ecológicos dos Séculos XX e XXI, não só do Brasil, e sim do Planeta Terra.

3ª) Antes ainda, um Padre Jesuíta de nome Gabriel Malagrida, o qual, no rigor de sua escolha de atividade em vida, alicerçou por vontade férrea, as disciplinas de comandar os seus desejos para o seu tempo de vida terreno, e os direcionou, com muitos sacrifícios pessoais, para a disciplina de trabalhar para o seu próximo, no sentido da doutrinação espiritual de seus semelhantes. Cumpriu seu próprio ditado: - “Quem sabe mais, ensina a quem sabe menos”!

Mas isso, até aqui, é o suficiente para que uma Entidade já tenha todos os elementos que a habilitam a fundar uma nova religião? Claro que não! E, é aí que entra a Quarta Revelação:

4ª) Lá no passado, no início da Era Cristã, e junto à Jesus – o Cristo, vemos a figura do Apóstolo Tomé, aquele do “só acredito vendo”, e que todos conhecem. Pelo fato D’ele não ter acreditado na ressurreição do Mestre Jesus, quando este lhe aparece, e assim Ele crê, Jesus o “sentencia” em uma doce missão de Amor ao Próximo: - “Tomé, por teres duvidado, dou-lhe a missão de Evangelizar povos selvagens e rudes”!

E Tomé cumpriu. Primeiro veio para aqui (o Brasil). Ficou por aqui algo em torno de 15 anos. Ensinou os selvículas a plantarem, a colher, as artes da pesca e caça, ao fabrico de melhores casas, como melhor se defenderem, a se curarem pelas plantas e ervas, e acima de tudo, ensinou uma Doutrina que falava do “Homem da Cruz”, e simbolizou as estrelas do Cruzeiro do Sul como sua marca.

De sua passagem pelo Brasil, deixou entre os índios Tupinambás, uma das mais belas lendas: a do Caboclo Sumé, que possuía pelos compridos sobre o rosto; que era de cor branca como os raios de lua; que ficava invisível para os seus inimigos; que ao lhe atirarem flechas, estas se voltavam contra; que caminhava sobre as águas; que ao ensinar sob a chuva, ninguém se molhava; que ensinou a pajelança; que um dia, ao morrer, iria morar no Céu; que um dia foi embora, para as Índias, e caminhando por sobre as águas; mas que antes, deixou várias marcas de suas mãos e pés por sobre as pedras. E também, que um dia voltaria, e trazendo a Cruz como bandeira.

Pausa para reflexão: Por tudo o que já foi lido até aqui, eu lhe pergunto: “Onde, nessas macumbas que se travestem de Umbanda, o Sr. ou a Sra., que diz freqüentar Umbanda, recebeu informações como essas? Por tudo isso, tenha certeza: “A UMBANDA É A CONTINUIDADE DA MISSÃO RELIGIOSA DO APÓSTOLO TOMÉ, E POR ISSO, ELA TEM A LEGITIMIDADE DE JESUS – O CRISTO”.

E porque não ensinam isso nas macumbas?

Primeiro, porque não sabem. Segundo, porque se soubessem, iriam fazer de tudo para que informações como essas, não tivessem continuidade para o conhecimento das demais pessoas que compõem esse vasto universo do movimento macumbístico. E isso porque tais informações, sendo de conhecimento das pessoas que freqüentam um templo, obrigariam os seus dirigentes a se comportarem dentro da Verdade, Religião (no sentido de ligar o Ser Humano com Deus), Ética (pensar bem), e Moral (agir de forma correta), o que não lhes trariam benefícios materiais, lhes obrigando a terem conduta baseada em princípios cristãos, o que seria uma transformação que não querem, ou para a qual ainda não estão preparados, ou ainda, por não a merecerem.

As macumbas – (cultos sem Jesus – o Cristo), satisfaz o ego dos que vivem apenas para satisfazerem as suas necessidades materiais. O Sr. ou a Sra., quer fazer um teste? Apresente este trabalho para uma pessoa que você sabe ser macumbeiro/a, e lhe peça a opinião. De antemão já lhe digo que todas serão desfavoráveis.

Finalizo, pedindo aos mesmos: Caboclo Sete Encruzilhadas, ao Padre Gabriel Malagrida, ao Apóstolo Tomé, que intercedam junto à Jesus – o Cristo, para que derrame um pouco de Sua Luz da Verdade, sobre as trevas de ignorância das falsas umbandas, para que muitas pessoas, que lá estão, incautas, inocentes, enganadas, presas pelas obsessões da matéria e do espírito, possam se Iluminarem, e ao se Libertarem, se voltem para a Umbanda que surgiu das Palavras do Mestre Jesus: - “Tomé, vá para as terras inóspitas e selvagens, e lá, Evangelize o povo bruto, selvagem e ignorante”.

Somos brutos, pois matamos uns aos outros, e muitas vezes em nome de Deus. Somos selvagens, pois destruímos o que temos necessidade para viver, e que é o nosso meio ambientes. Somos ignorantes, pois a Verdade está diante de nós, e para achá-la, basta um pouco de trabalho e tempo para leitura; só que, dentro das facilidades materiais que buscamos, rejeitamos o que é Espiritual e Verdadeiro.

Nada mais justo que relembrar as últimas palavras de Cristo na Cruz, em seu derradeiro momento: “Pai, perdoa-os porque não sabem o que fazem”!

Será que não são essas, também, as palavras do Fundador da Umbanda, ao ver, de onde quer que esteja, em que transformaram a Sua Umbanda em Cristo?

Lembre-se:

A finalidade maior das informações desse livro, é cumprirmos a primeira diretriz do “Movimento Umbanda Cristã”, fundado em 20 de Janeiro de 2008, no interior do Templo de Umbanda OXALÁÇA, a qual determina a distribuição de informações baseadas na Verdade, na Religião, na Ética e na Moral.

O “Movimento Umbanda Cristã” não exige filiação, pagamento, ou qualquer outra coisa para desse Movimento a pessoa ser um adepto.

Para fazer parte desse “Movimento”, basta apenas a difusão da Verdade da Umbanda de Cristo.

Todo o conteúdo, ou parte desse livro pode ser usado por quem se dispor a passar a Verdade adiante. Somente pedimos para não alterarem a ordem dos textos, ou os modificarem.

Visite-nos em nosso Templo, ou contate-nos.

Hoje, nosso “Movimento Umbanda Cristã” pode ainda ser uma formiga perto dos mastodontes das macumbas; mas, como não há mal que dure para sempre, caminharemos juntos ao Caboclo Sete Encruzilhadas, difundindo a Verdade (mesmo que ainda relativa).

Obrigado!

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